quinta-feira, 7 de setembro de 2017

«Demasiado mar para tantas dúvidas» de Miguel Miranda - Opinião


Miguel Miranda é um autor que nos é querido desde os tempos dos Piqueniques Literários. Já antes havia lido dele, um livro que me conquistou, pelo seu tom desafogado e irónico com que o autor criou um detective peculiar e divertido, foi ele "Dai-lhes, senhor, o eterno repouso".

Nessa experiência e contacto com a escrita do autor, deixei-me embrenhar completamente pelas piadas do detective com o qual partilha alguns gostos, especialmente os musicais. Já nesta história, onde a narrativa paira entre divagações, ora do marido, ora da mulher, divididos entre Portugal e Venezuela, o passado de cada um e as mágoas e angustias provocadas pelo desaparecimento da filha às mãos das FARC. 

A história pode ter tudo para dar certo com a leitura, mas não foi isso que aconteceu comigo. Infelizmente. O Miguel Miranda escreve bem, mas a forma como me cativou da outra vez, não aconteceu desta. A narrativa entre-cortada pelas memórias e os receios; a critica social e política e a sua escrita não foram suficientes para me fazer abstrair de outros detalhes do enredo que acho banais e repetitivos. 

No entanto, quando fui reler o que escrevi sobre outro livro do autor e li também o texto de opinião, a um outro livro («A Paixão de K»), mas pela minha irmã, encontrei lá a frase perfeita que resume a essência deste livro e lhe dá outro sentido. 

2Há amores que nos revoltam como o mar enrola na areia, que nos arrastam com uma força brutal até à praia e só abrimos os olhos quando aterramos com força de cara no chão."