quinta-feira, 15 de março de 2018

Opinião "A Amiga" de Dorothy Koomson

"No melhor pano cai a nódoa", sempre disse a minha mãe, leitora assídua dos Livros de Dorothy Koomson.

Uma escola de renome, quatro vidas aparentemente perfeitas, uma amizade com uma camada de verniz prestes a estalar e uma mulher brutalmente agredida que guarda no seu coma o nome do seu agressor.
Quem é "A amiga"? Ou melhor, quando é o que o deixou de ser?


Desde miúda que tenho este pensamento, vá chamemos-lhe uma conclusão que tirei de anos de amizades cheias de altos e baixos. Ao contrário do que se passa com os amigos do sexo masculino, as relações entre mulheres são voláteis, em alguns casos deviam trazer um sinal foto luminescente de produtos químicos/ instáveis, tal é o perigo de explosão.

Para Hazel, Maxie, Anaya e Yvonne tudo começou bem. Miúdos na mesma escola, disponibilidade para conviver, interesse por actividades em conjunto, seguido de encontros nas costas umas das outras, máscaras falsas a caírem e segredos que alguém demasiado ávido por podres alheios decide desenterrar.
Aos olhos da recém chegada Cece, cada uma destas interessantes e genuínas mulheres pode ter sido a causa do estado entre a vida e a morte em que encontra Yvonne.
Mas o que se passou na noite do ataque? 
Quando é que o aparente mar de tranquilidade da amizade que partilhavam se tornou um campo minado?

Desenrolado o novelo de lã que alberga o presente e a história de cada uma destas mulheres, seguimos numa montanha russa de desconfiança e compreensão, cientes que podiam ser os nossos esqueletos a ficaram expostos no armário onde os arrumamos no passado.
Até quem diz que padece de uma vida monótona tem segredos e pequenos detalhes que prefere manter escondidos. 
Pergunta é, seriam capazes de matar por isso?


Fiquei deveras satisfeita por ter pegado nesta Amiga. Tive um primeiro feeling Big Little Lies, pela picardia entre algumas personagens, pelo segredo partilhado mas o que me conquistou neste livro foi a capacidade de criar um background credível para todas as personagens, inicialmente fazendo-nos questionar sobre o que fizeram para depois terminarmos com vontade de lhes dar um abraço.
Além dos detalhes passados que vamos descobrindo, é igualmente o tempo presente, os dramas individuais e as cenas de cada relação mais ou menos perfeita, que completa o quadro e nos vai enrolando até ao fim, até sabermos a verdade.
Há uma altura que já desconfiamos de toda a gente, bem, todos menos dos miúdos  😉
E é por isso que este livro está tão bem escrito. Começamos a olhar desconfiadas para todos os intervenientes da história e achamos que todos têm motivação mais que necessária para colocar um ponto final ao comboio descarrilado que é Yvonne.

Não sei se este livro segue a linha de histórias publicadas pela autora mas posso dizer que quero ler mais.
Que venha o próximo. Acho que vou ter de olhar para a estante da mãe e ver os anteriores, aqueles que ela já devorou.
Qual é que devo ler de seguida?

"A Amiga" é uma aposta

Opinião ao Livro Os Aromas do Amor e Entrevista realizada em 2014

quarta-feira, 14 de março de 2018

Novidades Porto Editora :: Março


De segunda a sexta-feira, sempre à mesma hora matutina, Juliette apanha o metro em Paris. Nesse caminho diário e rotineiro para um emprego cada vez mais rotineiro, a viagem na linha seis é a única oportunidade de que Juliette dispõe para sonhar.

Aos poucos, essa necessidade espelha-se na observação dos demais passageiros, pelo menos, daqueles que leem: a velha senhora que coleciona edições raras, o ornitólogo amador, a rapariga apaixonada que chora sempre na página 247. Com curiosidade e ternura, Juliette observa-os como se, pelas suas leituras, lhes adivinhasse as paixões, e a diversidade das suas existências pudesse dar cor à sua vida, tão monótona e previsível.

Até ao dia em que, seguindo um impulso invulgar, decide descer duas estações antes da paragem habitual - e esse gesto, aparentemente inocente e aleatório, acabará por se tornar o primeiro passo de uma experiência completamente alucinante e tão perturbadora quanto a de Alice no País das Maravilhas.


Partindo de dezenas de entrevistas realizadas a terroristas, espiões, oficiais e chefes de serviços secretos - protagonistas da principal guerra do século XXI - o jornalista Henrique Cymerman junta-se ao especialista em contraterrorismo Aviv Oreg para trazer até nós uma obra que explora as origens da Jiade Global, acompanha de perto os atentados que mudaram a face do mundo e prevê os próximos passos do terrorismo islamista no ocidente.

Perante a lavagem cerebral feita a milhares de crianças raptadas pelos extremistas e as campanhas de ódio que seduzem ocidentais sem objetivos de vida, estaremos a salvo dos esfaqueamentos indiscriminados e dos atropelamentos em massa preconizados pela doutrina da "morte por 1000 punhais"?

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Novidade Quinta Essência :: Série Irmãs Albright de Jess Michaels

Ora, aqui vai a minha sugestão de leitura calhamaço para o desafio deste ano.
São 4 livros num só, 752 páginas de amor e sedução pela mão de Jess Michaels.
Quem não leu os livros quando foram publicados individualmente, devia seguir a sugestão e adquirir este 4 em 1 :D


Esta coletânea inclui os romances:

Emoções Proibidas 
Miranda habituou-se a ver o seu perverso vizinho Ethan «entreter» as amantes. Agora, o pai dela morreu, deixando atrás de si um rasto de dívidas. Para garantir um futuro para as suas irmãs, Miranda só tem uma saída: oferecer-se a Ethan sem restrições durante três meses.

Sedução Perigosa 
Penelope tem como missão expor os escândalos dos homens mais atrevidos da sociedade. Mas um deles - Jeremy - decide pôr fim à sua cruzada. O plano é diabólico: juntar-se à guerra de Penelope contra a imoralidade e simultaneamente enviar-lhe mensagens eróticas destinadas a excitar até mesmo a mais púdica das mulheres.

Tabu 
Costureira reputada, Cassandra é também criadora de «brinquedos» íntimos muito apreciados nos quartos das damas e dos cavalheiros da elite londrina. Mas o seu êxito esconde uma traição que Nathan Manning, conde de Blackhearth, nunca irá perdoar. E agora ele está de volta a Londres e sedento de vingança.

A Força do Desejo 
Após mais uma temporada fracassada, Beatrice percebe que a sua beleza não compensa a sua ousadia. Se não quiser ficar solteirona, terá de casar com um homem inapropriado, e já tem um alvo: o misterioso marquês de Highcroft.

Relembro, as capas originais são estas


Uma aposta

terça-feira, 13 de março de 2018

Novidades Quetzal - Março


Um romance extraordinário, feminino (embora sobre homens), em torno de um matemático que encomendou a sua biografia antes de morrer.
Jorge Rousinol é um matemático galego, que sempre defendeu o esquecimento como o melhor veículo para a tomada de decisões acertadas. No final da vida encomenda uma biografia sua a uma casa editora. Estranha decisão para quem nunca quis recordar. O biógrafo escolhido acaba por ser alguém com quem privara décadas antes e que se vê, ele próprio, enleado em memórias moribundas.

É um romance em três tempos (o do passado do biografado, o do passado do biógrafo - e o do presente, que os une), que vê no arrependimento outra forma de se lidar com as recordações. Biógrafo e biografado conseguirão, em parte, o que pretendem: não se trata de esquecer, mas sim de escrever uma confissão. Uma escrita fantástica, inesperada, inovadora - de uma leveza surpreendente. Diálogos muito bem escritos, sensuais. Incursões pela magia dos números primos. Desenlace inesperado.


Os pensadores e as obras mais influentes nas atitudes da Nova Esquerda são submetidos a uma rigorosa análise neste estudo cheio de erudição e de ironia. Jürgen Habermas, Lukács, Slavoj Žižek, Miliband, Sartre e Hobsbawm, por exemplo, são estudados pormenorizadamente – com detalhes biográficos e bibliográficos. Scruton analisa as mudanças do pensamento da Nova Esquerda desde 1989. O resultado é uma crítica devastadora ao pensamento dominante nos média e no jornalismo atuais. Com este livro, Scruton desconstrói alguns dos mitos do pensamento politicamente correto dos nossos dias.



Como um fantasma ou uma fugitiva, Mary percorre a cidade de Londres, em perseguição da memória, mas também perseguida por esta. E esquecendo, graças à envolvente Amy Hide e ao charme do Sr. Asneira. Amis mantém um alto nível de suspense neste thriller metafísico, em que os segredos guardados zelosamente lutam corpo a corpo com visões alarmantes e reveladoras.


Enquanto "A Descrição da Infelicidade" é uma análise do ambiente psicológico e psíquico que antecede e condiciona a escrita dos grandes nomes da literatura austríaca, "Pátria Apátrida" explora as condicionantes sociais de uma visão literária do Mundo (embora o ambiente psicológico não possa ser apartado das condicionantes sociais nem vice-versa). Aqui, os autores austríacos escolhidos são estudados à luz de um tema comum a todos eles: a pátria e a ausência dela.


Uma pequena comédia humana, um fresco das nossas vidas cuja moldura é o espírito cáustico e irónico de um grande autor do nosso tempo. Um instantâneo é uma fotografia tirada com um tempo de exposição muito breve e sem apoio de um tripé. Aqui, Magris compõe uma sequência (cronológica) de textos muito breves, em que disseca pequenos e grandes aspetos da vida quotidiana, da vida política e da nossa intimidade. Estigmatiza falsas crenças, maneiras de ler e comportamentos por detrás dos quais se escondem abismos de incompreensão e superficialidade; destaca pequenos gestos que revelam a grandeza da alma humana; e tira da História e da Literatura situações surpreendentes que iluminam o presente confuso em que vivemos. Daqui emerge uma pequena comédia humana, um fresco das nossas vidas cuja moldura é o espírito cáustico e irónico de um grande autor moralista (na mais elevada aceção do termo) do nosso tempo – que não nos diz como devemos ser ou viver, mas que nos convida a olhar para nós com rigor e ternura.

Novidades

Novidade On y va - Os Monociclistas e outras histórias do ano 2045


Se tivéssemos que descrever numa única expressão os textos reunidos em Os
Monociclistas e outras histórias do ano 2045, arriscaríamos chamar-lhes
simplesmente «contos de fadas tecnológicos». Neste primeiro volume de
histórias sobre, além de outras coisas, as relações entre tecnologia e ética,
António Ladeira, constrói um universo futuro e distópico a que chama «O
Território», numa clara homenagem à ficção científica.
Em cada uma das histórias, um dos fenómenos tecnológicos que transformou
(e transforma) as nossas vidas (redes sociais, gigantes tecnológicos,
videovigilância, educação digital versus tradicional, etc) sofre um processo
inesperado de evolução graças à cumplicidade de regimes autoritários e
totalitários. Entre ecos de Orwell, Kafka, Cortázar e Phillip K. Dick, é difícil dizer
onde acaba a irrisão da ironia (e do jogo paródico) e começa um inquietante
aviso à Humanidade.
A On y va tem prevista para breve a edição de um segundo volume de histórias
do ano 2045.

Uma novidade

Novidades Clube do Autor :: Março

Século XVI. Os conflitos pelo poder nos Estados Italianos crescem ao mesmo tempo que as artes prosperam. A Igreja e famílias como os Médici e os Sforza detêm o domínio do território e das riquezas. Savonarola ganha seguidores. Verrocchio, Botticelli, Miguel Ângelo e Rafael são artistas respeitados.
Florença é casa dos Médici e berço desta ebulição cultural. O criativo e genial Leonardo da Vinci finalmente começa a criar nome, tem o seu próprio ateliê e clientes e liberdade para desenvolver a sua arte e as suas invenções. Mas uma acusação anónima de sodomia obriga-o a abandonar os seus planos e a cidade das artes.
Invejas e medos, ignorância e corrupção, sofrimento e perseguição. Quando Leonardo percebe que nada do que parece ser é e que os inimigos podem estar em qualquer lugar, debate-se entre a vontade de triunfar e o desejo de vingança, entre o homem pecador e o génio inventivo, entre o passado e o futuro.

Este é um romance histórico com uma extensa pesquisa por trás, em que as descrições e os grandes nomes da época criam o ambiente perfeito para conhecermos melhor o homem por trás de toda a genialidade.


Ideias Para Descomplicar a sua vida, aproveitar melhor o tempo e sentir-se mais feliz
Transforme a sua vida, de dentro para fora.

No mundo em que vivemos, repleto de estímulos e solicitações, reduzir o número de tarefas parece uma missão impossível. Executar uma tarefa de cada vez, por outro lado, é muitas vezes visto como falta de eficiência. No entanto, o caminho para uma vida mais realizada e feliz passa precisamente por saber dizer não ao acessório e focar-se no aqui e agora.

Este livro vai ajudá-lo a transformar e descomplicar a sua vida. Seguindo os rituais e exercícios de bem-estar que a autora propõe, irá ser capaz de: 

Sentir-se em controlo dos seus dias; 
Minimizar o stresse; 
Aprender a fazer escolhas importantes; 
Esvaziar a mente e dormir melhor; 
Desconectar-se e viver em plenitude. 

Pequenas mudanças para uma vida com maior satisfação pessoal.


Novidades

Novidades Oficina do Livro :: Março

Romance Finalista do Prémio LeYa 2017.

Aos trinta e seis anos, a professora de literatura Helena Remington apaixona-se loucamente por um italiano de visita a Lisboa. O romance entre os dois, intenso e tórrido, é porém abruptamente interrompido por um acidente de automóvel na costa italiana onde ambos passavam férias.
Decorridos vinte anos sem notícias de Fabrizio, Helena recebe uma carta da filha dele com um pedido ousado e urgente. Para o satisfazer, terá de lançar-se na mais arriscada aventura da sua vida, envolvendo-se com gente perigosa numa autêntica corrida contra o tempo. Tudo para salvar o homem que tanto amou.
Muitos anos mais tarde, Carlos – o sobrinho-neto preferido de Helena – conhece Francesca, uma rapariga italiana que também precisa de ser salva e que o destino transforma em tradutora de cartas de amor. 

Parem todos os Relógios é uma narrativa fluida e aliciante sobre as consequências do amor, que combina magistralmente elementos de thriller policial, história de amor e épico familiar.

Histórias poderiam ser o «fado» de alguém, a dança da vida ou a letra de um tango.

Fiel às suas raízes argentinas, Cristina Norton segue a tradição dos grandes contistas latino-americanos. A Vida É Um Tango é uma prova disso. As suas histórias transportam-nos à Argentina, ao México, a França e a Portugal, dando-nos a conhecer um cleptómano que rouba a voz de um grande cantor, uma pintora com uma vida insólita, uma mulher que lê o destino nas folhas de chá, um anão bombeiro, uma menina malcomportada, a perna perdida de uma grande artista, a vingança póstuma de uma sogra, entre outras personagens e coisas memoráveis. 
Algumas destas histórias são fruto das vivências da autora, como «A Mãe da Plaza de Mayo». Outras, do seu hábito de observar o quotidiano sob uma perspectiva irónica e cheia de picardia. Como foi o caso de duas mulheres muito parecidas num consultório, onde aguardam a chegada de um homem, episódio que inspirou o conto «O Bígamo». Imagens rápidas como flashes, que levam Cristina Norton a escrever rascunhos, com a rapidez de quem esboça uma paisagem, para depois os trabalhar até atingirem a forma redonda de um conto, serem um relato curto, mas intenso, para levar o leitor a lê-lo de uma assentada.
Estas histórias poderiam ser o «fado» de alguém, a dança da vida ou a letra de um tango.


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segunda-feira, 12 de março de 2018

Novidades Topseller :: Março


Num mundo pós-apocalítico tenso e aterrorizante que explora a essência do medo, uma mulher, com duas crianças, decide fugir, sonhando com uma vida em segurança. Mas durante a viagem, o perigo está à espreita: basta uma decisão errada e eles morrerão. Cinco anos depois de a epidemia ter começado, os sobreviventes ainda se escondem em abrigos, protegidos atrás de portas trancadas e janelas tapadas.

Malorie e os seus filhos conseguiram sobreviver, mas agora que eles têm 4 anos chegou o momento de abandonar o refúgio. Procurar uma vida melhor, em segurança e sem medos.

Num barco a remos e de olhos vendados, os três embarcam numa viagem rio acima. Apenas podem confiar no instinto e na audição apurada das crianças para se guiarem. De repente, sentem que são seguidos. Nas margens abandonadas, alguém observa. Será animal, humano ou monstro?

Um suspense inquietante que relembra as melhores histórias de Stephen King.


Um vulcão acaba de entrar em erupção na Islândia e a cinza ameaça tapar o céu e tornar o ar irrespirável. O inspetor Ari Thór, no entanto, nem sequer tem cabeça para isso. Desesperado por restabelecer a sua relação com Kristín, a namorada que perdeu, tem dificuldade em concentrar-se no trabalho, até que chega um caso: um homem foi assassinado, com grande violência. Tem a cara desfigurada e um olho em falta.

A notícia não tarda a chegar a Reiquiavique, onde Ísrún, jornalista, reconhece a vítima. Imediatamente parte para o Norte. Se conseguir resolver o caso antes da polícia, poderá ter o furo jornalístico da sua carreira e superar o seu colega e rival, Kormákur.

Enquanto as cinzas continuam a obscurecer o país, tanto Ari Thór como Ísrún vão interrogando as mesmas pessoas, e ouvem  histórias similares: Elías, o homem que morreu, estava envolvido em algo perigoso. Terão as testemunhas razão? Qual seria a verdadeira ligação de Ísrún à vítima? E conseguirá Ari Thór evitar mais mortes?


«Baseado na história verídica de Franciszka Halamajowa, que salvou 15 dos 30 judeus sobreviventes na cidade polaca de Sokal durante a Segunda Guerra Mundial. As personagens são envolventes, e as suas histórias fortes e comoventes.» - Historical Novel Society

Contada de quatro perspetivas diferentes, esta é a história comovente de duas mulheres que serão recordadas pela sua tremenda coragem e humanidade.

Em 1939, as tropas de Hitler invadem a Polónia e põem em marcha uma perseguição desumana ao povo judeu. Todos sabem que proteger judeus num país ocupado pelos nazis é uma sentença de morte. Mas Franciszka e a filha, Helena, movidas por um  profundo sentimento de justiça e respeito pela vida humana, decidem arriscar tudo para abrigar duas famílias judaicas e um soldado alemão desertor na sua modesta casa em Sokal. Uma das famílias fica escondida numa cave improvisada por baixo da cozinha. A outra, num palheiro por cima da pocilga. O soldado fica num sótão exíguo.

Para que todos possam sobreviver, Franciszka e a filha terão de ser mais astutas do que os vizinhos e do que os temíveis comandantes alemães, que montam guarda em frente à casa. As duas mulheres estão dispostas a tudo para salvá-los, o que implica não só escondê-los e alimentá-los, mas também conseguir manter acesa dentro deles a chama da esperança.

Um casamento aberto durante seis meses.
O que pode correr mal?
Olho para mim, uma nova-iorquina moderna e bem sucedida convertida ao papel de dona de casa suburbana! Acordo entre o caos. Não há tempo para me arranjar, porque o meu filho - o pequeno ditador da casa - quer atenção.
Divido o dia entre tarefas domésticas e pequenas batalhas às quais a mãe de um filho autista tem de se habituar. O meu marido chega. Também cansado. Não saímos, já não fazemos nada de excitante. Fomos engolidos pela rotina.
O que acontece depois do «Felizes Para Sempre»?
Um dia, num serão com amigos, falam-nos das vantagens de um casamento aberto e da forma como pode apimentar a nossa vida. E de repente dou por mim a pensar: porque não? Convictos de que uma pausa no seu casamento lhes poupará angústias futuras, Lucy e o seu marido Owen embarcam num Acordo para se traírem: seis meses, uma dezena de regras e zero perguntas.
Que comece a experiência!

Novidades

Novidades Edições ASA :: Março

Uma Reputação Perigosa Coleção: Os Libertinos - Livro 1
Há quatro coisas que destacam Gareth Fitzallen dos outros homens: o rosto belíssimo, o encanto insuperável, as ligações aristocráticas e, acima de tudo, o poder de sedução. 
Quando decide restaurar uma propriedade – e investigar um roubo de arte –, Gareth conhece Eva Russell. Oriunda da pequena nobreza, Eva está arruinada. Restam-lhe apenas o estatuto da família, o talento artístico que lhe permite fazer cópias de quadros para sobreviver, e o plano de arranjar um bom casamento para a irmã, Rebecca. 
Todos a avisam da reputação de Gareth. Todos a aconselham a proteger a irmã. Mas não é Rebecca que ele deseja... Basta um olhar para Eva perceber que se meteu em apuros... e basta um beijo para dar início a um choque de talentos sem igual.
Uma Reputação Perigosa dá início à serie Os Libertinos, protagonizada por três irmãos com queda para os sarilhos... e para o romance...

Segundo as colunas de mexericos, Alexander de la Grip é um conde sueco, playboy internacional, e o mais cobiçado solteirão com menos de trinta anos. Os seus dias são passados a recuperar das farras da noite anterior. Entrega-se sem reservas ao prazer e ao deboche, e parece não ter uma única preocupação na vida. 
Já a médica Isobel Sørensen não tem senão preocupações. Habituada a tratar pacientes em campos de refugiados e zonas de guerra, dedica-se de corpo e alma ao trabalho humanitário. Mas o seu trabalho depende de donativos, e Alexander de la Grip, por algum motivo, retirou o seu apoio.
Será que foi por ela ter sido a única mulher que alguma vez lhe fez frente?
O inevitável reencontro é tão explosivo como seria de prever... a todos os níveis. Neste medir de forças, em que Alexander e Isobel testam os limites um do outro, a verdade vem lentamente ao de cima, e é bem mais complexa e lancinante do que seria de imaginar.
Após o sucesso de Jogos Perigosos, Simona Ahrnstedt brinda-nos com uma história que percorre o globo, desde a Europa e a América até aos confins de África, sempre repleta de escândalo e suspense...

Westcott - volume 1
Não há nada que a alta-sociedade mais aprecie do que um bom escândalo, e, ao morrer, Humphrey Wescott, conde de Riverdale, proporciona-lhe isso mesmo. É que Wescott não só tinha uma filha secreta como também casou em segredo quando era jovem... o que torna ilegítima a sua atual família.
Anna Snow passou praticamente a vida inteira num orfanato. Desconhece por completo o conceito de lar. É com grande espanto que descobre que não só tem uma família, como o pai era o recém-falecido conde de Riverdale. Mas esta transição de órfã a herdeira não vai ser nada fácil… O duque de Netherby, porém, sente-se estranhamente impelido a ajudar esta jovem desamparada. É temido por todos, mas só ele sabe o que passou para alcançar o seu estatuto atual. Terá ele coragem, à medida que os sentimentos entre ambos se vão intensificando, de a deixar ver quem se encontra por detrás da máscara do duque? E conseguirá Anna adaptar-se à nova condição sem perder os seus princípios?


A reputação de Sebastian Malheur é bem conhecida na sociedade londrina: ele tem o dom de escandalizar tudo e todos! Se não é pelo seu estilo de vida libertino (é o que dá ser bonito e desejável), é pelas suas rocambolescas teorias científicas. A má fama não é algo que o apoquente. 
Violet Waterfield, pelo contrário, tem uma reputação respeitável a manter. Viúva do conde de Cambury, já sofreu muito na vida, e pretende apenas levar uma existência pacata. Mas Violet esconde um segredo, algo que a liga profundamente ao devasso Sebastian... É que as teorias científicas não são dele. São dela! E quando Sebastian, farto de viver uma mentira, ameaça expô-los a ambos, Violet terá de fazer tudo ao seu alcance para o impedir... ainda que isso possa destruir o seu já frágil coração.
Depois de A Guerra da Duquesa e O Plano da Herdeira, A Conspiração da Condessa promete deixar as emoções ao rubro...


Bethany Reston é uma fotógrafa de sucesso e tem um casamento feliz. Quando consegue um cliente de renome, o bilionário Calum Bradley, sabe que a sua carreira vai prosperar. O que não sabe é que a relação profissional dará lugar a um tórrido caso extraconjugal. 
Não foi premeditado. Mas aconteceu. É avassalador. E ninguém – ninguém – pode descobrir.
Quando Calum aparece morto, tendo sido apunhalado em plena estação de metro – o último local onde Bethany se encontrou com ele – ela sofre duplamente. Pela perda de um grande amor. E por não poder partilhar a sua dor. Acima de tudo, tem de manter as aparências.
Mas alguém sabe o seu segredo. Alguém que está agora a ameaçá-la... lenta e impiedosamente.
Com o cerco a apertar, e as provas contra ela a avolumarem-se, só há uma forma de Bethany provar a sua inocência: tem de encontrar o assassino. 
Mas todos, polícia incluída, parecem cada vez mais convencidos de que a assassina... é ela. 
Será?


Desde sempre que o jovem Ben anseia por um pai que nunca conheceu. Agora, após a morte da mãe, sente-se mais perdido do que nunca. Quando descobre inesperadamente uma pista no quarto dela decide que é tempo de partir do Minnesota e conseguir as respostas que tanto quer...
Em Hoboken, New Jersey, a pequena Rose acompanha, entusiasmada, a carreira de uma misteriosa atriz, reunindo recortes no seu estimado álbum. Trata-se de um escape, uma forma de se sentir menos sozinha no mundo. Vai ser um cabeçalho de jornal a incentivá-la a arriscar tudo e partir rumo a Nova Iorque...
Duas crianças que se lançam às cegas numa aventura, sem saber que os seus caminhos se irão, inevitavelmente, cruzar, apesar de se encontrarem em planos e épocas diferentes: é que a história de Ben passa-se em 1977, e é narrada por palavras; a de Rose passa-se cinquenta anos antes, e é contada através de imagens. Os percursos destas duas crianças vão-se entrelaçando de forma magistral até, finalmente, se unirem num só... Com Wonderstruck: O Museu das Maravilhas, o visionário Selznick volta a enveredar por território inexplorado, levando os leitores a embarcar numa comovente e arrebatadora viagem.

Novidades

Novidades Editorial Planeta Portugal :: Março

Um romance no mais puro estilo Millás: surpreendente, inquietante, original, brilhante.

O narrador de A Minha Verdadeira História é um adolescente de doze anos como outro qualquer, com os seus medos, inseguranças e desejos de novas experiências.

Um dia ao regressar à escola, atira um berlinde de uma ponte e origina um acidente de viação que acaba com a vida de uma família. 
Só se salva Irene, uma rapariga da sua idade, que fica paralisada.



Um thriller surpreendente e de ir às lágrimas que é também um retrato irónico da sociedade portuguesa, seus tiques e manias.
Um livro cheio de inteligência e humor que explora os tiques e as vicissitudes de personagens que todos reconhecemos do prédio, do local de trabalho ou até mesmo das nossas amizades.
É raro a literatura portuguesa apresentar uma mistura tão fina de sensibilidade e ironia. Mais ainda quando garante uma grande dose de humor.



Em apenas trinta segundos a sua vida pode transformar-se num pesadelo!
Se há alguma coisa pior do que um pesadelo é que esse pesadelo se repita. e entre os nossos piores sonhos, os de todos, poucos causam mais angústia do que uma criança que desaparece sem deixar rasto.
É isso o que ocorre no início deste romance: num centro comercial, no meio do bulício de uma tarde de compras, um predador mantém-se à espreita, à coca, escolhendo a presa que está prestes a arrebatar.

Uma novidade


Novidades que foram para o cesto

No passado dia 8 de Março aproveitámos a promoção da Wook e comprámos a novidade da Chimamanda e acabámos por não resistir a acompanhá-lo com o "Todos devemos ser feministas"


Quando uma amiga lhe perguntou como devia educar a filha como feminista, Chimamanda Ngozi Adichie respondeu com uma carta: Querida Ijeawele...
Neste texto intimista, a escritora faz 15 sugestões. O seu objetivo? Fortalecer as novas gerações de mulheres e proporcionar-lhes ferramentas para crescerem com um maior sentido de identidade e independência. Da aparência à parentalidade, do casamento à sexualidade e até mesmo à escolha dos brinquedos na infância, a autora explora temas fundamentais e incita as mulheres a desprenderem-se dos velhos mitos. É uma das vozes mais poderosas que se erguem num debate que não é apenas importante - é necessário e urgente. 
Querida Ijeawele é um texto curto mas repleto de sabedoria. Um manifesto sobre o feminismo que não é apenas para mulheres. Porque o feminismo não pressupõe a exclusão dos homens. Pressupõe a igualdade de direitos para todos. Com humor, inteligência e compaixão, Chimamanda Ngozi Adichie reflete sobre o que significa ser mulher nos dias de hoje, numa obra que promete ser revolucionária... e que pretende apenas um mundo mais justo.

TODOS DEVEMOS SER FEMINISTAS

"Peço-vos que sonhem e planeiem um mundo diferente. 
Um mundo mais justo. Um mundo de homens e mulheres mais felizes, mais fiéis a si mesmos. E é assim que devemos começar: precisamos de criar as nossas filhas de uma maneira diferente. Também precisamos de criar os nossos filhos de uma maneira diferente."

O que é que o feminismo significa hoje em dia?

Neste ensaio pessoal - adaptado de uma conferência TED - Chimamanda Ngozi Adichie apresenta uma definição única do feminismo no século XXI. A escritora parte da sua experiência pessoal para defender a inclusão e a consciência nesta admirável exploração sobre o que significa ser mulher nos dias de hoje. Um desafio lançado a mulheres e homens, porque todos devemos ser feministas.


Edições 

quinta-feira, 8 de março de 2018

«O Meu Tio» de Isabela Figueiredo - Opinião


«O TIO»

Uma mulher de nome Ernestina Adelaide, com um filho vegan convicto, recebe uma carta, um mail à mão, de um tio, ex-pide imigrado numa Bruxelas descaracterizada e entregue aos terroristas; que quer agora retornar à pátria, alegando que a casa da Tininha era o melhor local.

"A inesperada carta do tio Xavier era um estorvo."  

Estando ela a dois passos da Mesquita do Laranjeiro, seria isso um bom motivo para lhe negar abrigo?

"Há mais árabes no Laranjeiro do que na Palestina inteira. O Laranjeiro é o grande império dos talhos halal e da chamuça picante. Sempre que há um atentado atentado terrorista algures pelo mundo, passa-me pela cabeça que deve ter sido parcialmente ideado na cave esquerda no n.º 12 ..."

Entre muçulmanos, bairros sociais, tráfico de droga e rendimentos mínimos, a narradora revolve algumas memórias, com o tio e o pai à mistura; e a forma como ganhou a sua independência e se tornou escritora, ou seja, "Acabei (...), quero dizer, desempregada de longa duração. (...) As pessoas têm a ideia de que um escritor é alguém muito especial (...) mas eu não passo de carne ossuda, popular e profana."

A crença no futuro não era muita e a vinda do tio Xavier era mais uma incógnita. 

*
Inéditos Expresso

Afonso Reis Cabral | Uma História De Pássaros - opinião


«UMA HISTÓRIA DE PÁSSAROS»

Neste conto, Afonso Reis Cabral, cruza a história da morte da avó Carolina com uma memória de pássaros soltos. Entre resquícios dessas memórias, o narrador relembra a firmeza e a personalidade da avó que lhe escapa agora por entre cheiros,  afazeres e miudezas a que a morte obriga. 

"Pareceu-me impossível alguém que ocupou tanto a minha vida caber dentro da cama com espaço de sobra, mas é evidente que a avó Carolina encolheu antes de morrer."

Com cento e cinco anos, Carolina de Lucena e Almeida de Queiroz "era pois uma mulher insuportável, coerente com a lógica de quem pariu com medo da solidão, e de quem detinha a filha, e mais tarde o neto, como veículo de bem-estar. A sua personalidade sustinha-se com a argamassa do dinheiro; apenas a bom preço certas pessoas a aturavam."

Forjada numa firmeza e numa consistência que parecia assustar, de quem até os pássaros, bico-de-lacre, eram precisos esconder: "(...) para testemunhar a azáfama de patas que arranhavam, bicos que se escondiam nas asas e disputas repentinas. «Não podes ao menos escondê-los no quinta?» Eu queria admirá-los de perto (...)
Não me surpreendeu que ao cair da noite a gaiola tivesse desaparecido. (...) 
Tardava quando voltei a casa, com o peito vazio de mil aves, e encontrei a avó à espera (...)"

A aura da avó Carolina tinha uma densidade que constrangia, especialmente a filha, que se espartilhava em afazeres e desculpas para com a mãe, mas também Lídia que lhe tinha uma dedicação extrema e um zelo desmesurado já quando a velha senhora só assumia a postura de um animal transfigurado ou um pássaro ferido.

Talvez possamos ver na debandada dos pássaros, ainda pequenos, a metáfora para as amarras que se cortam aquando da morte de um familiar. Os lugares onde vamos aterrar são avistados com ânimo, mas também antecipam tudo o que nos pode afugentar.

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Inéditos Expresso

«Irmão de gelo» de Alicia Kopf :: Opinião



«Sê como o gelo, transparente, e retém tudo no teu interior.»
                                                                       Provérbio Inuit

É nesta demanda de reter tudo no seu interior que se situa a exploração que o leitor irá abraçar ao ler este «Irmão de gelo». Kopf explora os pólos, as obsessões brancas, os sentimentos e o tanto que fica por dizer. Não por falta de palavras para se expressar, mas por existirem congelamentos que o crescimento aumenta e escurece; atrapalhando a transparência que esclarece, que une... A demanda do gelo é épica. 

"Apontamentos de exploração II:
Épica I
É possível uma épica que não seja imperialista, desportiva ou totalitária?
Épica II
Não há em toda a história familiar uma luta territorial? Espaços domésticos e afectos como territórios por conquistar."

A épica desta narrativa é a luta territorial. Perseguir o nosso espaço, conquistá-lo à família, à sociedade. Às vezes até a nós mesmo, interiormente, numa luta com os vários "eus" que nos habitam.

Não é esclarecedor? Não, não é. Mas que o leitor não comece este livro em busca de esclarecimentos.
Aceite antes a viagem sabendo que o naufrágio pode acontecer a qualquer momento e que nem sempre a bóia de salvação está acessível. Sim, são metáforas. Exactamente. Este é um livro dissolvido em metáforas. Com ideias tão lúcidas quanto o branco virgem da neve, mas igualmente miopes como essa mesma neve que cega e afugenta pelo perigo que representa. 

"O quebra-gelo
Encalho com frequência neste projecto. Em meu redor, nada; branco.
(...) Porque não me interessam os exploradores polares por si próprios, mas a ideia de procura num espaço instável. Gostava de falar de tudo isto como uma metáfora, porque o que desejo encontrar é uma épica, uma épica nova, sem adversários nem inimigos, uma épica da própria pessoa e da sua ideia. (...)
Eu procuro-as,"

Alicia Kopf organiza uma exploração a algo tão longínquo como o pólo norte, abismando se com as dificuldades de procura e a complexidade de um icebergue, afirma a congelação e a estagnação, mas também a ruptura, a ameaça e o confronto com um gigante incompreendido e à deriva. Complexo por esconder grande parte de si.
Escondido e fragmentado como a narradora oca e matrioskada desta narrativa. 
Noutras divagações a expedição pode ser só a um palmo do nariz ou a algo que repousa na nossa mão; a bola de neve, uma bola de vidro que aprisiona cenários que agitamos, um objecto kitsch que encerra um fascínio ao longo de gerações. Um objecto esquecido, nostálgico. Um presente que encerra em si memórias. Dar e receber, autênticas explorações quando se cingem ao seio familiar.

"Dar algo é criar uma ponte, uma ligação com um certo desequilíbrio, talvez com o objectivo de se equilibrar no futuro ou para compensar uma situação sentida como «excesso» ou generosidade do outro em relação ao passado. (...)
A pergunta fulcral é: em que ponto o verbo dar se aproxima do verbo ser, ou seja, o que se «dá» de «si próprio»? Porque uma relação implica sempre esta troca entre um e outro, este ir e vir que apenas os objectos materializam."

Espero até aqui ter consigo dar a entender que «Irmão gelo» é uma exploração por significados para o próprio leitor. É um olhar para dentro mesmo estando a olhar às análises feitas por outra mão que não a nossa, quando discorre e se alonga com a escrita, como um processo de mediação insaciável, uma terapia constante e absorvente.

"Raiva e degelo
Passeio nos Pirinéus
(...)
Numa família onde a mãe está sempre a trabalhar, o pai não está presente e se tem um irmão autista, mais vale entreter-se sozinho. (...)
A neve é sempre neve, e é uma maneira de manter o vínculo com este lugar inventado que tento cercar através da narração e cujo centro espero conquistar um dia. (...)
Pergunto-me se depois de todos estes anos de estudo, de trabalho e relações amorosas mais ou menos falhadas, me poli ou me desgastei. O que resta de mim é uma jóia ou uma pedrinha?"



quarta-feira, 7 de março de 2018

«Livrarias» Jorge Carrión :: Opinião


Fiquei de olho no livro «Livrarias» desde o artigo do ipsílon onde José Riço Direitinho escreveu: Jorge Carrión, inveterado viajante, escreveu um livro que é mais do que um ensaio em redor de livrarias. Em tom melancólico, vai contando também histórias de leitores e de escritores em lugares que são uma "representação do mundo".

E foi exactamente isso que encontrei durante a leitura. Isso e uma extensa lista de livros para ler, filmes com que me deleitar e futuros destinos de viagem. Alguns é pena já terem desaparecido, caso contrário o roteiro seria ainda maior. 

Carrión afirma que as livrarias “São territórios sobre os quais muita pouca gente pensou, territórios quase inéditos em termos de estudos." E talvez seja isso que o livro se torna numa preciosidade. Apesar de "Uma livraria não ser mais do que uma ideia no tempo", afirmação de Carlos Pascual e com a qual o livro abre uma peregrinação para uma rota exótica e que parece longínqua, unida apenas pelos compridos corredores de estantes que unem leitores pelo mundo fora.

Os quilómetros de linhas lidas ou os metros de estantes que se percorrem com os dedos unem os leitores, mas Carrión sugere ainda uma colecção de carimbos, tal e qual como os peregrinos de Santiago obtêm na sua caderneta. A ideia é idílica, mas para leitores inveterados, apaixonados dos livros e dos espaços que os acolhem seria um objecto de valor inestimável. 
Eu chamar-lhe-ia a Caderneta do Leitor Peregrino.

"(...) senti que estava a selar algum tipo de documento, que ia acumulando carimbos que certificavam a minha passagem por uma rota internacional das livrarias mais importantes ou mais significativas ou melhores ou mais antigas ou mais interessantes ou simplesmente mais acessíveis naquele momento..."

"(...) todas as livrarias são convites à viagem, elas próprias viagens." e é isso que faz deste livro um convite ainda maior para entrar em tantos livros que o próprio autor sugere. Livros e autores, histórias de vida que se confundem com narrativas, livrarias que pela sua história davam um livro, mereciam uma viagem. Livrarias essa rede de túneis que permite abrir um livro e aterrar em Atenas, abrir o seguinte e chegar ao Japão. É essa a magia dos livros, magia em maior quantidade tem uma livraria e/ou biblioteca pela quantidade de livros que alberga. 
"A Biblioteca não pode existir sem a Livraria, que está vinculada, desde as suas origens, à Editora.
(...) A Biblioteca está sempre um passo atrás: a olhar para o passado. A Livraria, pelo contrário, está amarrada ao nervo do presente. (...) A Biblioteca é sólida, monumental (...). A Livraria, pelo contrário, é líquida, temporal, dura tanto como a sua capacidade para manter, com alterações mínimas, uma ideia no tempo. A Biblioteca é estabilidade. A Livraria distribui, a Biblioteca conserva."

Este é um livro por camadas, com histórias infindáveis e autores que perduram no tempo com os livros que nos deixaram e que, década após década, continuam a maravilhar novos leitores. Bem como livrarias que pereceram mas perduram pelos nomes que as frequentavam, pelas histórias quase míticas que ganharam à sua volta e por outras futuras que inspiraram. 
Carrión não esqueceu a Lello, a Bertrand ou a Ler Devagar, para falar de Portugal especificamente, mas o mais importante do livro é o apelo ao imaginário colectivo e a importância das livrarias na sociedade, como pólos de conhecimento, de cultura, de debate, de resistência e de fio condutor da memória. 

"Ninguém, nem sequer o dono de 89 anos, terceira geração, Mr. L., ninguém conhece as dimensões reais da livraria."
Lo Chin Cheng, Bookstore in a dream

terça-feira, 6 de março de 2018

«O despertar do adormecido» de Alistair Morgan :: Opinião


«O despertar do adormecido» de Alistair Morgan podia muito bem ser apelidado: a tempestade que é o luto e a dificuldade que é despertar para a vida. 
Narrado na primeira pessoa, por John, embatemos desde cedo com a morte da mulher e da filha, mortas num acidente de carro. O carro que ele próprio conduzia. 
No entanto, a tempestade do luto é ainda maior, pois o enredo traz à cena uma outra família, fragmentada e despedaçada pela morte da mãe. É na infelicidade e no desespero que estas pessoas se cruzam e alterarão para sempre a forma como, cada um, voltará olhar ao sofrimento e ao luto. 

"Levo-lhes as canecas de chá e vou buscar a minha antes de me sentar. O silêncio é tão incomodativo que se torna fisicamente doloroso. Que triste trio fazemos! Nenhum de nós está à vontade para conduzir a conversa. Por isso, levamos as canecas à boca e olhamos para elas como se estivessem cheias com as inseguranças dos outros."

As inseguranças e os remorsos, vão consumindo John, bem como Roelf, Simon e Jackie, cada qual com a sua dor e a sua tormenta, bem como a ânsia de conseguirem superar e continuar com a vida que a sociedade lhes pede. Mas por certo não será da forma retorcida e tóxica como Jackie os une.

"Penso no que cada um transporta no seu íntimo, no que pesa sobre eles e os faz vergar. Transportamos todos poços de cólera e de tristeza dentro de nós, como se fossem frutos, e é à volta deles que dispomos a carne dos nossos caracteres e personalidades. Penso em Roelf em particular, e na ligadura de religião em que se envolveu de modo que não perca a sua forma."

A forma com que os pais querem moldar os filhos ou a família, nem sempre assenta no formato que os adolescentes escolhem para si mesmos, e se por um lado temos um pai que se debate com o abismo que o separa dos filhos, do outro temos o fosso de um pai que ficou órfão da filha. 

"Pela primeira vez, estou a começar a aperceber-me de que perdi o meu papel na sociedade. Já não sou um pai nem um marido. Não contribuo para a economia de uma maneira significativa (...) Sinto-me um verme anémico que de súbito foi exposto à luz crua da realidade depois de terem virado a pedra sob a qual vivia."

É desta forma metafórica, mas simples e crua que o autor faz constatações sobre o desgosto e a dor e arrebata o leitor, expondo fragilidades e máscaras que são de todos em certas fases da vida, alertando sem alarido ou ferocidade para a fragilidade e o insólito com que a vida se pode obscurecer. 

"Às vezes penso que as nossas vidas são como submarinos: sensíveis às mudanças de pressão e constantemente em perigo de meter água."


"A Cidade de Ulisses" de Teolinda Gersão :: Opinião



Teolinda Gersão escreve de tal forma que inebria o leitor e fá-lo seguir, páginas atrás de página, este romance que é uma declaração de amor a Lisboa, enquanto um homem e uma mulher constroem uma exposição e desconstroem a sua história.

"Eu ouvia-te, surpreendido. Despoletara esse poder em ti, mas não o possuía. Lamentava não partilhar o dom de amar assim.
(...) se continuasses a amar-me desse modo, eu nasceria."

A história gira em volta do trio, Paulo Vaz, Cecília Branco e Lisboa, "(...) e olhávamos a cidade como se nos pertencesse e fôssemos construir alguma coisa a partir dela."A cidade outrora de Ulisses navega anos e anos de história pela relação e pela mente destes dois apaixonados. Um pelo outro e por Lisboa. À volta do romance, a ideia de uma exposição. A Arte como motor desta narrativa: "Como sabe, é provavelmente sempre assim que surgem as obras de arte: a partir de motivações pessoais, em geral egoístas, para prazer do criador, para que ele possa exercer o seu domínio sobre o real, forçando-o a moldar-se ao seu desejo."

Este desejo de moldar o real e o imaginário é um poder expresso na escrita de Teolinda Gersão. Palavras, aparentemente simples, que se combinam em camadas não verbalizáveis que confinam o leitor para logo de seguida o largar em algo tão grande como os séculos de história de Lisboa.

"(...) O mundo transformara-se noutro, e só tu sabias. (...) como se ruim te pudesse atingir e a felicidade fosse uma coisa palpável, concreta, que levavas na mão, fechada dentro do bolso (...)

Dentro do livro esconde-se desejo, impulso, paixão, desencontro, conhecimento, memória, imaginário, criação, descobertas, distracções, jogo, fascínio, subjugação, risco, medo, felicidade, melancolia, ficção, vazio, realidade... ingredientes que agitam e misturam esta massa do que foi vivido e do que podia ter acontecido, tanto na história da cidade, como na história do casal.

"Tudo o que importa na vida se passa também sempre ao nível do imaginário."

Muito ao nível da reflexão, este livro, expõem: literatura, história, política, mitologia; combina ensaio com romance, educa e questiona, mergulha o leitor no passado e chama-o ao presente; mostra-lhe dificuldades, mas também aponta caminhos. E ainda, encaminha por travessas e vielas, e se torna num roteiro de Lisboa.

*

Veja também ao vídeo onde a autora explica o seu livro, o seu primeiro com voz masculina.
Carregue na imagem e assista.



«Quando as girafas baixam o pescoço» de Sandro William Junqueira :: Opinião


"A gente é rascunho de pássaro
não acabaram de fazer"
Manoel de Barros

«Quando as girafas baixam o pescoço» (Caminho, 2017) parece compêndio de personagens; o leitor pede continuação.

Sandro William Junqueira tece um romance como quem junta retalhos, cose uns com linha, outros com lã, meia dúzia com pontos rebuscados e remates violentos e faz da sua galeria de inquilinos, tecidos criativos expostos na montra de uma retrosaria de bairro. 

"Naquela urbanização há um buraco", durante a leitura descobriremos outros. A Mulher Gorda é bem capaz de ter um buraco no coração. Os jacintos que carrega, equilibram-lhe os pratos da balança sentimental, descompensada e agitada pelas dores que o marido lhe dá e pelos prantos que podia fazer pela filha, a Rapariga Magra. A mulher gorda escreve. O leitor deseja achar-lhe o diário. 

No livro há iogurtes magros com adoçante, mas a instabilidade e o apetite de cada personagem tirará a fome ao leitor. Talvez alguns capítulos mais à frente, relembre que leu: "Os livros fazem fazer coisas. O amor também." mas rapidamente lembrará do "algodão impregnado de monotonia" e se aperceberá que a banalidade dos dias está presente em todas as páginas. A banalidade fragmentada, privada, a história do vizinho, os gritos na porta ao lado, o fantasma da vida alheia que se confunde com a história rotineira do dia a dia. Ou seja: a bisbilhotice que adoça os dias perdidos para o tédio.

"Havia pouco a fazer. É clara a dicotomia entre o que se passa no lado de dentro e o que escorre para fora. Ou seja: entre o revestimento, visível, e as costura, sempre ocultas. Muitas coisas na cabeça e quase nada para fazer. É por isso que a humanidade anda em busca de violência."

O livro cresce como quem tece um vestido, acrescenta-lhe detalhes, um fecho aqui, uns botões acolá, punhos trabalhados, bordados na gola, talvez uma girafa a adornar um bolso, um único, sozinho para guardar segredos. Um remate na bainha que deixa ver o joelho, ou não, dependendo se é Cátia com "C" ou Kátia com "K" que o usa.

"(...) O tédio é lugar confortável.
(...) Mas a frase sai sem temperatura.
Desde a última inconsequente entrevista de emprego raramente sai do esconderijo. Ou seja, conhece bem o território: a dureza da cadeira onde se senta para comer batatas cozidas. Os desenhos feitos a ponta de faca no tampo da mesa. A paisagem imóvel das paredes. A loiça suja empilhada no lava-loiça. O silêncio da biblioteca. Os gritos familiares dos vizinhos."




segunda-feira, 5 de março de 2018

Tertúlia Literária * Efeito dos Livros




Dos muitos projectos que andam fora e dentro da gaveta do Efeito dos Livros, organizar uma Tertúlia Literária é um que finalmente vai ver a luz do dia. E para tal precisamos da vossa participação.
Lançarmos os desafios de leitura, foi o primeiro passo para esta ideia se tornar uma realidade, e é com base nas leituras efectuadas para esses desafios que vamos estar à conversa em cada encontro. 

Sim! Não é online. É ao vivo e a cores!!!

Abriremos o trimestre com uma primeira sessão, ainda a realizar em Março. Esta será uma de quatro que prevemos fazer em 2018.
Neste primeiro encontro iremos orientar a conversa pelas categorias do Desafio de 2017 e os restantes irão focar-se nas do Desafio de 2018. A tarde à conversa, será orientada pelas leituras efectuadas para as diferentes categorias dos Desafios.


Condições de participação: 

- Todos os interessados em participar nos encontros da Tertúlia Literária * Efeito dos Livros devem ter seguido o Desafio de Leitura 2017 e claro, estar a seguir o Desafio de 2018.
- Quem ainda não seguir o Desafio Literário, poderá ficar a conhecê-lo no grupo do Efeito dos Livros
- Devem ter lido livros para quase todas as categorias mencionadas no Desafio Literário 2017 e estarem a prever leituras para o de 2018.
- Os interessados devem inscrever-se preenchendo o formulário que iremos disponibilizar brevemente.


NOTA: APENAS PODEREMOS ACEITAR 20 INSCRIÇÕES.
Adoraríamos aceitar mais inscrições, mas por uma questão de espaço e organização da tertúlia, não nos é possível reunir um grupo maior.


Datas e Horário Previsto:
Sábados, entre as 15 e as 18h
1º encontro: 7 de Abril, entre as 15 e as 18h
Encontros seguintes a realizar em Junho, Setembro e Dezembro, em datas a anunciar.

Local:
Lisboa - Livraria Almedina - Atrium Saldanha