terça-feira, 13 de novembro de 2012

Trash de Andy Mulligan, Presença

Afinal há lixo que tem valor!


Este podia ser muito bem ser o teaser para este livro.
Esta pode ser também a frase que resume tudo, mas que não conta nada sobre este livro.

O que me despertou à atenção em Trash,  foi vislumbrar, numa primeira impressão, Lixo Extraordinário um documentário que eu adorei da autoria do artística plástico Vik Muniz. Mas agora troque o Jardim Gramacho do Brasil, por Behala na Índia e irá encontrar uma realidade igualmente dura, pobre, deteriorada e desesperante, onde crianças crescem à mercê do lixo e das surpresas que por lá vão aparecendo.

Apesar de ter trabalho de Vik Muniz ainda muito presente no meu imaginário, essa sensação de semelhança e proximidade rapidamente foram varridas pela realidade de crianças como o Ratazana ou o corrupto Zapanta ou até mesmo a quase invisível Pia, cujo o pai me arrancou uma gargalhada enorme, sufocada, infelizmente, já que um voo cheio de gente desconhecida e a dormir não ria apreciar o som estridente do meu riso a acordá-los do seu sono de beleza turística!!! ;) 

Lido em praticamente duas horas de viagem Trash é tão desconcertante como inocente; é tão infestado e duro, fruto da realidade que descreve, como infantil e com tendência a sentimentos brandos ou não fosse a quase timidez e simplicidade com que certos detalhes são escritos.
Em pouco mais de 200 páginas, Andy Mulligan consegue ter uma obra prima da simplicidade e quase esconder a dureza do que é crescer numa lixeira, apresentando com tanta mestria todos os personagens da sua história. 

A meu ver, este livro consegue ser uma excelente aventura para os mais pequenos, que sem a devida explicação não irão atingir o quão tenebroso será a infância destas crianças e irão deliciar-se com as personagens e as suas vivências. Para os adultos, a leveza com que está escrita permite, por momentos, esquecer a dureza daquela realidade e sentir-se empolgado e ansioso pelo fim e felicitar os nossos heróis, para que no fim, paremos para pensar e perceber o quanto somos favorecidos e ricos em oportunidades.

A opinião sobre este livro e a dedicação à leitura do mesmo foi tal, que por momentos quase que tínhamos de dividir o livro e guerrear por cada página, até que decidimos "Ok, no voo para lá leio eu, no voo para cá lês tu!" E assim fizemos, ganhando duas perspectivas fantásticas sobre o mesmo livro!

Por enquanto fiquem com a minha opinião sobre Trash, já não falta muito para uma outra também ser publicada. Deixem-nos ficar a conhecer também a vossa comentando esta postagem aqui ou na nossa página do facebook. Obrigada!

Boas leituras.

1 comentário :

Fragmentos Repartidos disse...

Concordo com o que aqui foi dito. Acabei de ler o livro há dias e também gostei bastante. É certamente um livro que se recomenda a miúdos e graúdos!