quinta-feira, 2 de maio de 2013

James Patterson - PRIVATE: Agência Internacional de Investigação - Opinião


É consensual, a escrita de James Patterson é ritmada, fácil e de leitura compulsiva. A participação de Maxine Paetro embeleza e traz momentos, talvez mais femininos à escrita dele. No entanto, devo dizer que em termos de cenário criminal gostei mais de Alex Cross. Em Private, vemos um desfile de estrelas, de homens e mulheres de catálogo, carros de luxo e movimentos na alta sociedade, onde o binómino ou a discrepância social não se retrata tanto. E as motivações criminais elevam-se ao estatuto e ao peso do dinheiro ao invés de patologias sociopatas... mas isto também deve ser influência dos cenários macabros que tenho experienciado ultimamente.

Voltando a Patterson e aos meandros da sociedade endinheirada, ávida por vingança e maiores somas de dinheiro, misturando um enredo inteligente e que nos deixa à deriva, já que as conjecturas que fazemos saem sempre ao lado, tal qual bola à trave. O autor monta muito bem o enredo inicial, fomentando uma leitura ávida por enlaces e relações, mas a tríade está montada, mas não está entrelaçada. É aqui, a meu ver, que Patterson falha ou será o mote para outros futuros enredos? A história de Jack nos meandros da Guerra com o Iraque poderia ser melhor explorada e ser ela uma motivação para relações conturbadas com o irmão - eu assim gostaria de ver. Ou quem sabe numa conspiração com todas aquelas mulheres que giram em torno dele e assim despoletarem motivações criminais noutros homens da história!? 
Isto já para não falar de toda a ligação familiar ao desporto e à máfia que poderia tornar todo o rumo deste policial numa saga dramática e sangrenta, com corpos espalhados em vários pontos do Globo.
Mas isto sou só eu ávida de sangue e psicopatas que ascendem a serial killers.

Apesar de sentir falta de motivações mais recambulescas, o enredo de Patterson é um guião bem montado para um futuro filme de puro entretenimento, recheado de mulheres bonitas, intriga, suspense, perseguições, tiros e traições em dose certa, que, exactas como um pêndulos nos deixam sempre desejosos de virar mais uma página. Patterson é mestre em saber como terminar cada capítulo, isento de falhas ou pontas soltas, estando tudo, estrategicamente colocado.

Patterson lê-se de um fôlego, sem cenários macabros de dar a volta ao estômago, mas com uma boa dose de fantasmas e demónios próprios de cada personagem, caracterizada q.b., deixando assim a mente navegar, mas não para muito longe que o ritmo da acção é viciante.

Uma leitura com o apoio TOPSELLER



2 comentários :

André Nuno disse...

"Patterson lê-se de um fôlego, sem cenários macabros de dar a volta ao estômago, mas com uma boa dose de fantasmas e demónios próprios de cada personagem, caracterizada q.b., deixando assim a mente navegar, mas não para muito longe que o ritmo da acção é viciante."

Olá, Cris. :)
Bela opinião. E penso que este parágrafo diz tudo. :)

Boas leituras!!

caracol literario disse...

obrigada, a tua visita é sempre muito bem vinda.

boas leituras