quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Passatempo - O LOBO DE WALL STREET - Editorial Presença

A propósito da estreia do filme «O Lobo de Wall Street», chega também a reedição desta autobiografia que se lê como um romance, agora adaptada ao cinema pelo realizador Martin Scorsese, com Leonardo DiCaprio como protagonista.

E vocês, leitores e fãs do Efeito dos Livros têm a hipótese de se habilitar a um exemplar.


Leiam mais sobre o livro, aqui, no site da editora.
Ou vejam o trailer do filme, aqui.

Um passatempo com o apoio:
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O passatempo decorre até 22/01/2014
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Para se habilitar ao passatempo, preencha o formulário abaixo e siga as regras dos nossos passatempos:

ATENÇÃO - REGRAS:
- O preenchimento do formulário é obrigatório para se habilitar ao passatempo.
- Podem participar todos os dias - uma vez por dia, aumentando assim as vossas possibilidades de ganharem.
- Só serão aceites participações de fãs e/ou seguidores
- Só aceitamos participações de residentes em Portugal.
- Sorteamos o livro no random.org entre todos os participantes.
- Não nos responsabilizamos por nenhum extravio, neste caso o envio é garantido pela editora.

NOTA:
- Façam partilha do passatempo - SEMPRE PÚBLICA
- Ou copie o link e partilhe no seu mural de facebook, blogue ou outro
Ajude-nos a divulgar!!!

BOA SORTE!!!

Entrevista :: Nuno Nepomuceno

Quantas vezes não terminam um livro cheios de vontade de questionar o autor sobre uma personagem ou cena em especial?
Quase nunca temos a oportunidade de ver respondidas essas perguntas, mesmo quando lemos entrevistas atrás de entrevistas.
Ocasionalmente, surge a oportunidade de estar no papel de quem faz as perguntas e desta vez, tenho o Nuno Nepomuceno, autor de "O Espião Português" a responder às minhas.


Para quem ainda não conhece a história do romance de estreia do Nuno,
"O Espião Português" deu-nos a conhecer André Marques-Smith, um jovem promissor, quer como agente secreto, quer como responsável pelo Gabinete de Informação e Imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros Português.

– Como nasceu a ideia de tornar o Chefe do Gabinete de Imprensa do MNE num espião?

Na verdade, surgiu um pouco ao contrário. O desejo de escrever um romance de espionagem é algo que acalento há mais de quinze anos, desde os tempos da universidade. Nunca pensei muito a sério no assunto, já que tinha outros planos profissionais, mas quando decidi fazê-lo, mesmo antes de redigir o primeiro parágrafo, comecei por definir as personagens, bem como algumas linhas gerais sobre o rumo que desejava para a narrativa. O protagonista tinha obviamente de ser um espião, mas queria que viajasse imenso, por forma a dar um ar mais cosmopolita e variado à acção. Contudo, como este seria um aspecto secreto na vida de André, tinha de o tornar verosímil, credível. Foi então que pensei no Ministério dos Negócios Estrangeiros. Pesquisei durante algum tempo sobre a sua orgânica interna, ponderei as minhas opções, e cheguei ao Chefe de Gabinete de Informação e Imprensa. Tudo o resto, como o percurso académico do André, o cargo ocupado pelo pai, e até algumas personagens secundárias foram criadas com base neste pressuposto. Só depois é que comecei a escrever o livro propriamente dito.

– A escolha do nome de código foi um acto isolado ou podemos esperar uma revelação por detrás do nome Freelancer?

Sim e não. A escolha não foi inocente, embora não seja de esperar uma ligação ao arco narrativo da trilogia. Optei por Freelancer, por achar que era um nome de código adequado à personagem. Apesar de ser muito eficiente nas suas funções ao serviço da agência de espionagem para a qual trabalha, o André não se vê a continuar ligado à mesma por muitos mais anos. O seu código ético e moral assenta em valores muito clássicos como a família, o amor, ou a amizade. Do meu ponto de vista, isto é algo limitativo para mim enquanto autor, já que não o posso colocar a fazer tudo. Há determinadas atitudes que o André nunca tomará, seja o que for que esteja em jogo. Por outro lado, é também a maior virtude da personagem e o que a move. Ele quer construir algo mais, além da sua vida profissional. Daí a ideia de alguma independência subjacente ao nome escolhido.
rie﷽﷽﷽﷽﷽﷽﷽s a Elsa destacou. A escolha residiu oura o Andronstruir algo mais ale de co que desejava para a narrativa. O protagon

– Neste livro acompanhámos as missões de André por cidades como Estocolmo, Londres ou Viena. Que cidades serão palco das novas aventuras de André?

A minha intenção é que a palavra-chave para o próximo volume seja evolução. Quer para mim enquanto autor, mas sobretudo para o André e para a série. No primeiro volume optei sempre por cenários muito clássicos como a Elsa destacou. Em simultâneo, tentei apresentar uma narrativa inspirada em moldes mais contemporâneos, como são exemplo os capítulos curtos ou as analepses, e assim criar uma espécie de fusão.
No segundo tomo, estou a fazer outras escolhas. Existe uma outra personagem que foi secundária em “O Espião Português” e que aqui irá disputar o protagonismo com o André, além de outras duas que também serão muito desenvolvidas. Isto vai adicionar um toque extraordinário de exotismo e romance ao segundo livro, que espero vir a contrastar com o seu predecessor. Por outro lado, irá também decorrer sobretudo durante o Inverno, o que abre logo a porta a outros cenários. Sem querer revelar muito, a segunda parte das aventuras do André irá iniciar-se nos Emirados Árabes Unidos e fazer uma importante passagem por Courchevel, uma estância de esqui nos Alpes Franceses. Duas das cidades presentes em “O Espião Português” serão revisitadas, Lisboa será muito melhor explorada, com direito a uma operação de espionagem, e teremos ainda a presença de Budapeste, a capital húngara. Grande parte do segundo livro decorre em terras magiares.
 
– Pensaste em alguma série (de livros ou televisiva) como inspiração? Tens alguma favorita que te inspire?

É difícil não nos deixarmos influenciar por aquilo que vemos, lemos, ou vivemos. Se pensarmos bem, até as nossas próprias relações interpessoais e daqueles que nos rodeiam podem ser uma fonte de inspiração. Não escondo que sou um ávido consumidor do tema “espionagem”, mas tento não copiar ninguém, ou pelo menos não o fazer de forma intencional. Claro que há alguns pontos de contacto com os filmes do James Bond (nunca li os livros, admito), o franchising da “Missão Impossível”, ou mesmo com a série “A Vingadora”, protagonizada pela Jennifer Garner, já que são produtos que ajudaram a construir o meu imaginário, além do de grande parte das outras pessoas. Contudo, há sempre forma de incluir algo novo. Mais do que escrever romances sobre espiões, quero desenvolver uma identidade e um estilo enquanto autor, algo que me diferencie dos restantes. E se assim é, tenho de conseguir ser original.

– A ideia de criar uma trilogia surgiu logo de início ou desenvolveu-se com a escrita do “Espião Português”?

Foi algo que conceptualizei desde o início. A escolha da Presidência Tripartida da União Europeia não foi inócua. Defini desde cedo que cada um dos volumes corresponderia a um dos três períodos de seis meses que perfazem a mesma. Depois, foi só criar uma história com ramificações suficientes que pudessem perdurar ao longo de três livros. É um risco grande, obviamente, ainda mais sublimado pelo meu desejo de criar tomos independentes. Cada volume terá um arco narrativo com princípio, meio e fim, para que os leitores possam desfrutar do livro sem se sentirem obrigados a ler o que o antecede, o que não é fácil, mas que encaro como um desafio. Há muitas pessoas que consideram “O Espião Português” uma obra de final aberto. Não penso assim. Tudo o que nele é apresentado, tem uma conclusão. Esta poderá é não ser a mais óbvia.

– Depois da reviravolta que André sofreu na sua vida durante o primeiro livro, em que se irá concentrar o 2º volume?

A ideia por trás do segundo volume será o trinómio dúvida-confiança-traição. É nestas três palavras que assentará o coração do livro. Se pensarmos bem, as revelações presentes nos últimos capítulos de “O Espião Português” fazem com que todas as pessoas mais importantes no círculo familiar, profissional e pessoal do André, o tenham traído ou mentido de alguma forma. E isso será algo que ele terá de debelar dali em diante. Em quem poderá ele confiar ou não? E que preço terá de pagar se decidir fazê-lo de novo? Por outro lado, há toda uma série de relações que se estabelecem com os acontecimentos de Viena que terão de ser condignamente explorados. Falo por exemplo dos problemas no Ministério, ou mesmo no futuro da organização rival e do Projecto Lebodin. Por fim, uma mulher entrará na vida do nosso espião português. E esta vai mudar radicalmente.
 


Mal podemos esperar por ler o segundo volume da Trilogia Freelancer.

Em nome do Efeito dos Livros, gostaria de agradecer ao Nuno a sua simpatia e amabilidade durante o processo em que tivemos a oportunidade de ler, comentar e esclarecer dúvidas sobre "O Espião Português"
Obrigada!

Quando os livros se tornam filmes - 2014

Dizem que 99% das vezes o livro é melhor que o filme. Aquele 1% é o que não conseguimos imaginar e o filme acaba por fazer por nós. Será?
 Muita pessoas optam por não ver o filme, outras mal aguentam a espera.
Todos os anos são adaptados dezenas de livros ao grande écran. 2014 não é excepção e por esse motivo, actualizamos a informação que divulgámos em Julho de 2013.
Uns lidos, outros por ler, aqui vai a lista dos livros que se tornam filmes para 2014.

O Lobo de Wall Street de Jordan Belfort
Estreia 8 de Janeiro
Razões para ler: Uma biografia que se lê como um romance. A história de um personagem controverso ganhou uma fortuna incalculável na bolsa durante os anos 90 e que agora será adaptada para o cinema por Leonardo DiCrapio e Martin Scorsese. Isto são ingredientes para o sucesso e vejamos se é desta que Leo leva o Oscar para casa.
 Vejam a sinopse AQUI no sítio da Editorial Presença  
Vejam o trailer - AQUI
Elenco: Leonardo DiCaprio, Jonah Hill e Matthew McConaughey
  
 A Rapariga que Roubava Livros de Markus Zusak
Estreia a 23 de Janeiro
Razões para ler: Um dos meus livros preferidos e que eu espero ser muito mas muito bem adaptado. O que me suscita mais interesse? Saber quem como é que vão retratar o narrador. Recordo que quem nos conta esta história é a Morte.  
Vi o TRAILER e mal posso esperar pela data de estreia. Já falta pouco!
Vejam a nossa opinião AQUI
Vejam a sinopse AQUI no sítio da Editorial Presença
  Elenco:
Sophie Nélisse, Geoffrey Rush, Emily Watson e Ben Schnetzer.

Divergente de Veronica Roth
Data de estreia mundial 21 de Março de 2014 (Portugal - 3 de Abril)

Razões para ler: As magníficas reviews que tenho lido em alguns blogs já colocaram este livro na minha wishlist. Dizem que será o próximo Hunger Games mas sem comparações, parece-me ser uma trilogia bem capaz de se manter de pé pelo seu próprio mérito.
Vejam a sinopse AQUI no sítio da Porto Editora
Vejam o trailer - AQUI
Elenco: Shailene Woodley, Kate Winslet e Theo James. 

A Culpa é das Estrelas de John Green
Embora a data de estreia seja 6 de Junho não encontro informação para estreia em Portugal (o trailer sai em Fevereiro)

Razões para ler: Eu adorei!!! Para ser sincera, eu amei este livro. As personagens cativam-nos, o enredo prende-nos e não conseguimos ficar indiferentes à história de Augustus e Hazel.
 
Vejam a nossa opinião AQUI  
Vejam a sinopse AQUI no sítio da Leya/ Edições ASA

Em Parte Incerta de Gillian Flynn
Sem data de estreia em Portugal (apontado para Outubro nos E.U.)
Razões para ler: O facto de ser o livro mais comentado do Goodreads já o coloca muito bem posicionado no escalão de "livros interessantes". No entanto, faz parte da minha wishlist desde que saiu e está finalmente a caminho da minha casa. 
Ainda não ouvi um comentário negativo sobre o livro mas até tenho medo do que a mente negra de Gillian Flynn me reserva neste livro.
Elenco: Ben Affleck e Rosamund Pike
 
Lugares Escuros de Gillian Flynn
Sem data de estreia em Portugal (apontado para Setembro nos E.U.)
Razões para ler: Escrito pelo Gillian Flynn é razão suficiente?
E o Elenco? Wow! 
Elenco : Chloë Grace Moretz, Nicholas Hoult, Charlize Theron e Christina Hendricks.

Livre de Cheryl Strayed
Sem data de estreia em Portugal

Razões para ler: Um relato real sobre a caminhada de Cheryl, durante três meses, nos 1700 quilómetros do Pacific Crest Trail. Uma história de força, coragem e algumas queixas.
Garante-me a minha irmã que vão terminar o livro com vontade e força para caminhar meio mundo!
Vejam a nossa opinião AQUI
Vejam a sinopse AQUI no sítio da Editorial Presença

Os Aromas do Verão de Joyce Maynard (Um Segredo do Passado) 
Estreia a 13 de Fevereiro
Vejam a sinopse AQUI no site da Porto Editora

Outras estreias 
(livros não editados em Portugal)

Winter's Tale de Mark Helprin (Um Conto de Inverno)
Estreia 13 de Fevereiro 

Monument's Men de Robert M. Edsel e Bret Witter (Os Caçadores de Segredos)
 Com George Clooney, Matt Damon, John Goodman, Bill Murray e Jean Dujardin. 
Estreia a 20 de Fevereiro 

Serena de Ron Nash
Estreia a 13 de Março 
Elenco: Jennifer Lawrence e Bradley Cooper nos principais papeis.

São só 11 :)
Quantos livros já leram? Quais os filmes que realmente querem ver no cinema? 
Eu confesso, quero ver todos :D 

Resultado - Pack Jamie Mcguire - Especial Natal Planeta

Demorou mas aqui está ele, o nome da sortuda que vai levar o Travis para casa. Perdão, quem vai levar para casa os dois livros de Jamie Mcguire que, em conjunto com a Planeta, estivemos a sortear até ao dia 24 de Dezembro.

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RESULTADO PASSATEMPO

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Com 1288 participações, a participação vencedora foi a Nº 678 Carla Alexandra Sá Rodrigues
A vencedora irá ser contactada via email e o envio será efectuado pela editora.
 
Mais informações no site
Opinião Efeito dos Livros :: "Desastre Maravilhoso" / "A Caminhar para o Desastre"
 
Um passatempo com o apoio

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Ele Está de Volta - Timur Vermes


Não podia de deixar de começar esta critica com este video, pois o video diz tudo do livro "Ele está de volta" é estupidamente cómico, mas o "pior" é que nos faz rir de coisas muito sérias.

O Timur Vermes mete-se na pele de Adolf  Hitler e conta a história na primeira pessoa, uma história de um Hitler que acorda em 2011 numa Alemanha totalmente diferente da sua Alemanha (Será que isto é verdade?)

Hitler, é interpretado neste livro como um humorista xenófobo que começa a ter um enorme sucesso, tanto televisivo como nas redes sociais. 

As pessoas não o levam muito a sério, mas mesmo assim ele começa a disseminar a sua mensagem em grande escala, numa tentativa de conseguir novamente o poder (será que conseguirá? alguém o iria ouvir? alguém partilharia das suas ideias?) sempre com muita comédia, Timur Vermes  toca em todos estes pontos delicados da nossa sociedade e deixa-nos sobre aviso de que a história facilmente se pode repetir... ou não é isto que o titulo do livro nos diz ?

Apesar de ser relatado como uma pessoa totalmente idiota relativamente às novas tecnologias e a às "novas" tendências de vida, ainda assim adorei os capítulos do livro que relatam tais situações, quase que me levaram as lágrimas aos olhos de tanto rir, pois é de loucos imaginar alguém que hibernou durante quase 70 anos e depois depara-se com toda esta panóplia de gadgets e afins, e que tem de interagir com este mundo, sempre com a visão do passado.
Existem passagem magnificas neste livro como a visita de Hitler a um supermercado Lidl, a descoberta por parte dele da televisão com ecrã Lcd, entre outras....

Apesar de ser um personagem violento, e ter todos os outros problemas associados a esta tão odiada personalidade, o livro levou-me vezes sem conta a concordar com as suas opiniões e ideologias conforme se vai avaliando a sociedade actual, seja naqueles que são os nossos poderes, como as nossas fraquezas.

Leva-me a pensar que há a possibilidade de uma grande parte das pessoas se deixar hipnotizar por um orador como este, pois apesar de ser relatado como cómico, começa a ser seguido por inúmeras pessoas e até é disputado por inúmeros partidos políticos levando-me a crer que a volta dele será possível.

E vocês já leram? O que acham? Ele está ou não de volta?

Boas leituras e Bom 2014.




«As Recordações de Edna» de Sam Savage - Opinião




"Quero falar acerca do silêncio: é o silêncio da ausência de rugido, um rugido que se ouve (...) um rugido cacofónico e mesclado da amálgama de pessoas..." (pág.31)

É neste rugido, já quase imperceptível, não que esteja a ficar surda, mas porque já o ignora, que Edna vê passar os seus dias. É no silêncio e na ausência que Edna para e sente, realmente, o passar do tempo e Clarence que já se foi.

Inclinada para a divagação, Edna tem em mãos a árdua tarefa de dissertar acerca de Clarence, aquele que foi seu marido e companheiro de uma vida, mas de quem recorda tiques, manias, taras e alegrias, entre as suas próprias memórias, confundindo entre o que é seu e o que era de Clarence. O que me deixa logo a mãos com uma questão: ao fim de tantos anos de vida em comum, que memórias são as nossas, a não ser as que são de ambos!?

É no "martelar das teclas" que Edna se sente tentada a deixar "trovejar" os pensamentos e a aplicar-lhes pouco filtro... já se sabe, que muitos anos de vida em comum, são mais do que suficientes para apontar todos os defeitos... mas será isso que os leitores de Clarence querem ler!? Mas se assim não for, conheceram verdadeiramente o homem por detrás do escritor?

"As solidões, reparei, não gozam de atracção mútua."
É nesta frase brilhante que Edna nos apresenta Potts, a vizinha que lhe fará uma brecha na solidão, não pela sua presença, mas por outra, um tanto peculiar e que aqui não vou desvendar. 

«As recordações de Edna» são quase como um resumo atabalhoado daquilo que pode ser a vida conjugal, depois de muito se ter ido embora e apenas restarem as atribuladas e magoadas visões do passado, que poderão alternar-se entre saudade, nostalgia, remorso, frustração... afinal tudo isto se acumula ao longo da vida, ou não?

"Quando li aquilo pensei, mas qual é a vida que tem capítulos?" (pág.38)


Que capítulos se estabelece na idade geriátrica? É nessa canseira, entorpecida pelo peso da idade que Edna se vê confrontada com ideias e mais ideias que surgem em catadupa, numa torrente imparável, uma fonte que não seca, onde as águas se sobrepõem em movimentos enérgicos. Ainda para mais, tudo isto em contraponto com a falta de energia física, que apenas dá para uma voltinha no jardim e escrever à máquina virada para um vidro, literalmente, marcado pelo passar do tempo.

E o barulho das coisas mortas que incomoda tanto o silêncio dos vivos!? Curioso, não é?
Pensamentos de quem pensa demais. Pensamentos de quem deseja o sossego, para não encarar o desassossego dos outros e dos seus dias cheios de vida.

"(...) empurrada para aqui e para ali pelos ventos da veleidade e da memória (...)" Edna volta a escrever, perdão, a dactilografar, entreolhando as folhas escritas que teimam em fugir debaixo do pisa papeis, que é nada mais nada menos que O Peso do Mundo de Peter Handke, numa metáfora, a meu ver, surreal, para a mão critica de Edna sobre Clarence.
Mas afinal, que peso e importância teve Clarence na vida de Edna?

"O que me leva a perguntar se o importante é o que acontece no passado, ou o que nos lembramos que aconteceu." (pág.98)

As divagações continuam e esperamos o resultado de tanta dactilografia de Edna. Mas, sucede-se o mesmo com as respostas que queríamos que Andrew Whittaker recebesse e nunca recebeu. É este estado de, sem resposta, que caracteriza os livros de Sam Savage. Esta tendência de abrir várias janelas e lançar muitas discussões, mas sem nunca bater com a porta ou dar o assunto encerrado.
Será isto uma analogia com a própria vida? Whittaker e Edna são ambos personagens solitários, terminaremos todos assim?

«Nem sequer é solidão, é pior do que solidão, é uma mente cheia de coisas» (p. 182)

E o que é esta mente cheia de coisas?
Talvez uma mente cheia de dúvidas!

«Há uma incongruência. Talvez os acontecimentos sejam demasiado grandes para as palavras. (...)Ou talvez seja ao contrário: as palavras é que são demasiado grandes; algumas palavras são demasiado grandes. A palavra «amor» é demasiado grande. (...)" (pág.163)

Que laço é esse o do amor? Uma ilusão? Um desgosto? Ou simplesmente o melhor que nos pode acontecer e que tanta falta nos faz quando o perdemos.
Na ilusão de que Clarence pode ter sido o tudo, como o nada, Edna vê-se presa às recordações e às dúvidas, à desconfiança do que teria sido, ou não, a sua vida ou até do que foi, deixando no ar a dúvida sobre se o destino cabe nas nossas mãos ou está às mãos do acaso.
A propósito de tal temática, Edna despertou-me a curiosidade para «Winesburg, Ohio», de Sherwood Anderson . E continuo também a querer ler Firmin, a primeira obra de Sam Savage.


«Uma mulher idosa dactilografa a sua vida numa sala cheia de luz suja»
«Isto não é literatura, é dactilografia" Capote ao livro de Keroauc.

Uma leitura com o apoio da Planeta. Obrigada!

Comecei a ler...

Uma recomendação da minha irmã e metade literária. 
Uma novidade Clube do Autor.
E um registo sério na minha panóplia despreocupada e mundana de romances, fantástico e eróticos.

Um testemunho inspirador e tocante sobre o amor, os laços que unem pais e filhos e sobre o poder da leitura.
Este é um livro sobre o admirável poder da leitura, que salienta a importância de vivermos até à última página.
E enquanto devorava as primeiras 40 páginas esta manhã no comboio, dei por mim a sorrir perante tantas afirmações que apenas os amantes dos livros compreendem, independentemente dos seus géneros preferidos.

Forçados por uma trágica circunstância, Will Schwalbe e a mãe ficam longas horas em salas de espera de hospitais. Para passar o tempo decidem falar dos livros que estão a ler. Através das suas leituras percebemos o quanto os livros são reconfortantes, surpreendentes e maravilhosos.
Will e Mary Anne partilham esperanças e preocupações - e redescobrem as suas vidas - por intermédio dos seus livros preferidos. O reseultado é uma história profundamente comovente acerca da perda, mas também uma celebração da vida.

PRÉMIO TESTEMUNHO INSPIRADOR DO ANO


«Esta obra demonstra o quanto a literatura é relevante na nossa vida.»  
The Washington Post

Uma leitura com o apoio   
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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

O mistério das lágrimas da virgem - Alana White

Para quem gosta de uma boa dose de história italiana misturada com um pouco (muito pouco, mas mesmo muito pouco) de mistério, “O Mistério das Lágrimas da Virgem”, de Alana White, é um livro a ter em conta.

A autora consegue durante algum tempo levar-nos a viajar para uma época remota, leva-nos à história de Florença do século XV usando personagens reais o que torna de facto o livro mais interessante, pois consegue prender o leitor com nomes como Da Vinci e outros grandes artistas da época.

Com alguma mestria descreve-nos a situação em que esta cidade se encontrava mergulhada, uma cidade em estado de sitio e completamente circunscrita a situações extremas. Por um lado, os turcos aproximavam-se de toda a Itália e a cidade encontrava-se excomungada pelo Papa Sisto que proibiu qualquer celebração religiosa. E ainda se encontravam cercados por exércitos vizinhos que ameaçavam conquistá-los a qualquer momento. Como se não falta-se mais nada, a fome já se fazia sentir entre o povo o que ponha em causa a governação de Lorenzo de Medici.

Em Florença existia uma democracia sendo a cidade governada por 9 magistrados e pela família Medici, onde Lorenzo "O Magnifico" dominava. Estando o poder na mão deste personagem, toda a acção gira em torno dele, mas curiosamente o mesmo é pouco interveniente em todo o enredo. Pode parecer estranho, mas é assim. É aqui que entra Guid`Antonio Vespucci, retornado de França para desvendar este mistério das lágrimas da virgem.

Além de toda esta avalanche de informação histórica que nos é oferecida no livro, existe um mistério, e é aqui que eu penso que o livro perde muito, a autora a meu ver não consegue igualar as suas capacidades de historiadora à de ficcionista. O mistério deste livro é um caso banal onde uma mulher é raptada supostamente pelos turcos, e devido a isso o quadro da Virgem Maria começa a chorar lágrimas verdadeiras. Detalhe este misterioso que aumenta a instabilidade sentida entre o povo, que já se encontrava descontente, e que começa a culpar os seus governantes da maldição que recaí sobre eles... e é aqui que os motins se intensificam.

Recomendo a leitura mais pela parte histórica e de guia a Florença do que pelo mistério ou thriller.
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Esta leitura contou com o apoio da MARCADOR e deixo aqui o link para mais informações sobre o livro.

Divulgação - III Guerra Mundial O Fim da Europa

Com uma crise cada vez mais alargada e a afectar cada vez mais países, tanto na Europa como nas Américas, já deve ter passado pela cabeça de muitas pessoas o inicio de uma nova grande guerra.

O autor brinda-nos com este titulo, que me deixa-me curioso com o seu interior, um livro a ter debaixo de olho nos próximos tempos.

Deixo-vos com o booktrail para abrir o apetite


Um Romance No Início da III Guerra Mundial, O Fim da Europa, o novo romance de NUNO NOGUEIRA SILVA

Rute estava a fazer um documentário para a televisão independente, sobre a continuidade da União Europeia com os países a viver numa crise profunda, quando é raptada em Berlim. Johnny vai, vasculhar Berlim à sua procura. E se tudo não passar de um plano, para dominar a Europa. Aproveita-se dos países sem dinheiro obrigando-os a vender a própria pátria. Um romance que conta como viver e amar no início da III guerra mundial. Casota do Lobo 15, de Julho de 2020 Standt Park Steglitz Berlim Os delírios de Rute e as viagens do seu coração enrolados em lençóis cor-de-rosa, eram quebrados pelo impacto do alicate, frio e áspero em contacto com o seu dedo do pé. Um dos homens agarrou numa perna com força, e outro com uma mão segurou o pé, num movimento brusco apanhou a unha do pé esquerdo de Rute, com o alicate empunhado. Já não podia gritar, tinham-lhe tapado a novamente boca, desta vez com fita adesiva. Rute tentava a todo o custo desviar o pé das mãos monstruosas daqueles dois homens que se pareciam mais com monstros sem sentimentos.

Informações do site LEYA, veja mais aqui.

Ainda 2013 em jeito de wishlist... agora pela voz de Carlos Vaz Marques, TSF

"Alguns elevam-se com a arte, outros com a religião, a maioria com o amor..." O testemunho de uma tragédia, por Julian Barnes, «Os níveis da vida»
Oiça aqui o destaque com o Livro do Dia TSF

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SONO - de Haruki Murakami, o conto editado agora em separado e com ilustrações, mas já anteriormente compilado neste «O Elefante evapora-se»






Oiça o destaque de SONO como livro do dia, http://www.tsf.pt/paginainicial/AudioeVideo.aspx?content_id=3578033.

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E ainda,

"NW", de Zadie Smith constrói um romance complexo sobre aquilo que poderia ser um tratado de sociologia.
Oiça aqui o destaque com o Livro do Dia TSF




Projecto 2014 - Caminho de Santiago!?

- Vais pelo Caminho ou vais pelo passeio?
– Vou por uma série de razões.
– Então vais pelo Caminho.

Leia mais aqui.

Bom Caminho

Um relato na primeira pessoa da experiência transformadora do Caminho Português de Santiago


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Relembrando a nossa, minha e do Caracol por terras de Santiago, em 2011... mesmo sem ser a pé (a ida para lá), foi uma viagem transformadora e inspiradora, a caminhada tanto a Monte Pedroso, como a Monte Gozo, deu-nos perspectivas excelente de Santiago e deixou em nós, uma enorme vontade de lá voltar, mas desta vez a pé!