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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

O mistério das lágrimas da virgem - Alana White

Para quem gosta de uma boa dose de história italiana misturada com um pouco (muito pouco, mas mesmo muito pouco) de mistério, “O Mistério das Lágrimas da Virgem”, de Alana White, é um livro a ter em conta.

A autora consegue durante algum tempo levar-nos a viajar para uma época remota, leva-nos à história de Florença do século XV usando personagens reais o que torna de facto o livro mais interessante, pois consegue prender o leitor com nomes como Da Vinci e outros grandes artistas da época.

Com alguma mestria descreve-nos a situação em que esta cidade se encontrava mergulhada, uma cidade em estado de sitio e completamente circunscrita a situações extremas. Por um lado, os turcos aproximavam-se de toda a Itália e a cidade encontrava-se excomungada pelo Papa Sisto que proibiu qualquer celebração religiosa. E ainda se encontravam cercados por exércitos vizinhos que ameaçavam conquistá-los a qualquer momento. Como se não falta-se mais nada, a fome já se fazia sentir entre o povo o que ponha em causa a governação de Lorenzo de Medici.

Em Florença existia uma democracia sendo a cidade governada por 9 magistrados e pela família Medici, onde Lorenzo "O Magnifico" dominava. Estando o poder na mão deste personagem, toda a acção gira em torno dele, mas curiosamente o mesmo é pouco interveniente em todo o enredo. Pode parecer estranho, mas é assim. É aqui que entra Guid`Antonio Vespucci, retornado de França para desvendar este mistério das lágrimas da virgem.

Além de toda esta avalanche de informação histórica que nos é oferecida no livro, existe um mistério, e é aqui que eu penso que o livro perde muito, a autora a meu ver não consegue igualar as suas capacidades de historiadora à de ficcionista. O mistério deste livro é um caso banal onde uma mulher é raptada supostamente pelos turcos, e devido a isso o quadro da Virgem Maria começa a chorar lágrimas verdadeiras. Detalhe este misterioso que aumenta a instabilidade sentida entre o povo, que já se encontrava descontente, e que começa a culpar os seus governantes da maldição que recaí sobre eles... e é aqui que os motins se intensificam.

Recomendo a leitura mais pela parte histórica e de guia a Florença do que pelo mistério ou thriller.
*
Esta leitura contou com o apoio da MARCADOR e deixo aqui o link para mais informações sobre o livro.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

O voluntário de Auschwitz - Witold Pilecki - Vogais

Mais um livro, e não só mais um, mas sim, um muito bom, de um dos meus temas preferidos, a II Grande Guerra.
Desta vez um relato de 2 anos passados no campo de concentração de Auschwitz, um relato contado na primeira pessoa ao estilo de diário autobiográfico.
Um relato impressionante de um ser humano excepcional, o capitão Witold Pilecki o voluntário de Auschwitz.
Um livro em jeito de diário do Prisioneiro Nº 4859!
Ou 1313... mas isso deixo para que descubram nas vossas leituras.

Este livro é um registo histórico do que se passou neste e muitos outros campos de concentração Nazis, os maus tratos, as mortes, a fome, os piolhos, doenças, um pouco de tudo o que é mau na nossa sociedade, todas as crueldades que o ser humano consegue fazer aos seus semelhantes, o quão pouco vale a vida, e como é fácil cair-se num ódio desenfreado que consome tudo por onde passa... Mas também relata a esperança, a bondade, a coragem, a amizade a luta por tudo o que é bom, ou melhor tudo o que de bom um ser humano pode fazer, relata-nos as artimanhas, as facetas, a disciplina de alguns homens que apesar de sobreviverem num campo, estão prontos a morrer por um pedaço de pão, que possa salvar um amigo.

Esta história começa quando o nosso herói se deixa capturar em Varsóvia em Setembro de 1940 com  o intuito de ver o que se passa nesse campo, fazendo um relatório o mais preciso para depois as forças polacas poderem atacar o campo e libertar os prisioneiros (e isto não é spoiler!!!).

O nosso capitão testemunha toda a brutalidade que aconteceu com os prisioneiros, não só polacos, como com os restantes que foram aparecendo no campo, desde aqueles que eram aproveitados para trabalho, como aqueles que iriam directamente para a câmara de gás.
A brutalidade inicial, começou com toda a transparência, já que os prisioneiros eram mortos publicamente sem dó nem piedade à paulada ou espezinhados e por qualquer motivo, não só pelos tropas alemães, como também por compatriotas, os kapos.
Esta brutalidade inicial e declarada foi diminuindo ou sendo camuflada.
Em alguns casos utilizavam, fuzilamentos ou injecções letais e também as câmaras de gás que tentavam esconder a realidade do que se passava dentro do campo e as verdadeiras intenções dos nazis.

Outra coisa que nos é relatada neste livro é a criação de células com homens chave, os quais Pilecki ia recrutando com vista a estarem preparados para ocuparem o campo, se houve-se uma intervenção do exercito polaco.
Sem duvida que este é um relato que para quem quer saber um pouco mais de história tem obrigatoriamente de o ler. Um livro controverso e que como o próprio autor afirma vem levantar e reacender a discussão.
Digamos que Pilecki vem lançar mais achas pra fogueira, pois, apesar ter sido prisioneiro do regime Nazi, ele não perdoa e ataca o regime comunista de Estaline.
O autor não se poupa em críticas. " Na verdade , a maior potência combatente na guerra, a União Soviética de Estaline, apesar das suas diferenças comparativamente com o nazismo, só pode incluir-se na categoria dos criminosos e assassinos em massa"

Uma leitura com o apoio da VOGAIS Editora,
Para saber mais sobre o livro, aceda ao link.


sábado, 23 de novembro de 2013

"NÓS, VIDA" - ÁLVARO CORDEIRO


"Nós vida" é um livro sobre a vida, uma vida que pode ser minha, tua ou daqueles que nos rodeiam.

Álvaro Cordeiro conseguiu reunir um rol de personagens, que a uma primeira vista nada têm a ver umas com as outras, mas quando nos vamos embrenhando pelo livro adentro, estas personagens vão-se aproximando umas das outras para no fim todas fazerem parte da mesma história.

A história apesar de o excesso de personagens (a meu ver) acaba por ser um enredo simples, de amores e desamores entre pessoas, pessoas essas que acabam por interferir na vida uns dos outros, limitando-se e limitando os outros. Enfim, o dia a dia que todos vivemos, ou não?

É uma história de escolhas, umas boas outras nem tanto, que às vezes só se conseguem perceber estando na situação ou tendo passado por ela, é interessante ver como o autor consegue tão bem descrevê-las, sobretudo sabendo que o enredo começa por pequenos episódios que vão sendo escritos ao longo dos tempos e guardados na gaveta.

Apesar de ter traços que espelham a realidade e dão corpo ao livro, existem pontos negativos quero salientar, como já referi, o excesso de personagens que faz com que se perca um bocado da intensidade que poderia ter sido conseguida. Ainda nas personagens tenho a dizer que não gostei da escolha de nomes, aspecto que, a meu ver, retira credibilidade às personagens... Anísia, Nora ou Narda, são nomes que não "entram" com facilidade.

Também não gostei muito da composição dos diálogos visto o livro ter sido uma adaptação de uma peça de teatro, o autor deixa pouco espaço para o leitor imaginar as conversas e os estados emocionais das personagens, usando sistematicamente "ajudas" para descrever a "cena", adjectivando em demasia, quebrando o diálogo e tornando-o monótono.

Contudo, gostei do livro no seu aspecto geral, tem uma boa grafia, adorei a capa e os pormenores visuais colocados ao longo de todo o livro, mostram muito bom gosto. A divisão entre capítulos é muito agradável.

Não posso terminar sem antes referir que este livro e projecto de edição contou com o apoio crowdfunding o que é de louvar que hajam estes novos mecenas que apostam nestes projectos e os trazem até nós, leitores, ouvintes... enfim, consumidores.

Detalhes capítulos, fotos Efeitocris


Detalhes divisão de capítulos, fotos Efeitocris

Sigam o trabalho da Livros de Ontem, aqui ou aqui.
Vejam fotos do lançamento, aqui, no álbum do facebook da editora.

sábado, 16 de novembro de 2013

«O Viajante do Século» - Andrés Neuman - Opinião


Distinguido com o Prémio Alfaguara 2009, Andrés Neuman brinda-nos com este «O Viajante do Século» um romance apaixonante ao estilo dos grandes clássicos com uma boa dose de escrita moderna. Um romance onde a política e as artes se encontram, numa cidade perdida, no meio das diferentes regiões da Alemanha. Apesar das diferenças, um ambiente acolhedor, onde existe ao mesmo tempo um grande sentimento de liberdade e de pertença a este espaço imaginário, palco de uma enorme paixão.


Hans, um tradutor com hábitos nómadas chega a Wandernburgo e rapidamente se perde pelas suas ruas e dificilmente consegue sair. É como se tivesses ficado acorrentado a este lugar estranho, mas aconchegante.

Dividido entre a ideia de ser Hans ou Wandernburgo a personagem principal, passo a explicar-vos o que tanto atraiu este homem das letras a este espaço territorial "dominado" pelas artes e pessoas peculiares.
Hans, encontra uma grande variedade de cidadãos invulgares e apaixonados pelas artes, começo por uma das que gostei mais, o mendigo que toca um belo realejo italiano na praça principal. Um velho que irá ser uma grande surpresa por ser educado, bem falante, mas enigmático, por ter uma visão complemente diferente das dos outros, um velho preso ao seu instrumento como se fosse parte do próprio corpo.

Estranho velho, deveria
eu permanecer junto de ti?
Quererás acompanhar o meu canto
ao som do teu realejo?
Wilhelm Müller/Franz Schubert

Grande parte da acção decorre da convivência entre estes dois homens, tanto na praça a ouvirem a sua musica, como na caverna onde passam serões inteiros a falar sobre a natureza ou os aspectos mundanos da vida, tal como a necessidade de viajar ou a força que os "prende" a esta cidade. A contemplação da Natureza e as conversas mais existenciais e materialistas preenchem os diálogos de muitas e muitas páginas.

Hans ainda tem o prazer de conhecer mais alguns cidadãos como Álvaro um espanhol exilado, o Sr. Gottlieb, Rudi Wilderhaus e o Professor Mietter que em conjunto vão discutir semanalmente na casa Gottlieb,  literatura, poesia, filosofia, artes e pintura, irão debater sobre a política e questões da Europa enquanto continente e potência e ainda as guerras subjacentes entre a Prússia e França.

Reuniões que fariam inveja a qualquer pessoa culta ainda hoje. Digamos que seriam tertúlias onde, para além da discussão politico-social dos temas quentes do momento, se crescia culturalmente. Lia-se poesia, representavam-se pequenas peças de teatro, tocava-se música... enfim algo que quase todas as pessoas iriam apreciar e gostar de ter a hipótese de participar.

Para apimentar mais o livro e o seu lado apaixonado, o enredo integra em si uma história de amor à antiga, aqueles amores proibidos, cheios de floreados e declarações de amor... amores impossíveis, já que Sophie Gottlieb, é uma jovem comprometida a casar com Rudi Wilderhaus e Hans é um cavalheiro que deveria respeitar tal condição de contrato social, como mandava a época!

Afinando o toque clássico, a história de amor começa com a troca de cartas, onde os nossos apaixonados trocam poemas, onde tentam decifrar os pensamentos nas palavras um do outro, cartas enviadas pelos criados que se tornam cúmplices deste amor, permitindo os encontros amorosos e mais quentes que mantêm-a a chama acesa.
Um livro já por si belo, mas que ainda melhora com esta relação entre Sophie e Hans que decidem contornar a impossibilidade de ser amarem, decidindo começar a trabalhar em conjunto nas traduções de grandes poetas e romancistas europeus e americanos.

Um livro que é uma ode ao amor. E na mesma linguagem digo que amei a maneira como esta escrito, envolvi-me muito com as personagens e sobretudo apreciei a maneira, quase épica, como o autor nos consegue prender, seja através dos poemas, do romance ou dos factos históricos, que todos juntos contribuem para fazer deste um grande livro.

Leiam um excerto aqui no site da Editora Alfaguara, uma chancela da Objectiva.


sábado, 19 de outubro de 2013

«Jesus Cristo Bebia Cerveja» de Afonso Cruz - Opinião


Depois de me ter deliciado com o «Livro do Ano», que tive o prazer de ver lido, interpretado, musicado na apresentação do ZDB integrado na Noite de Literatura Europeia, quis ler algo deste autor, como a minha cara metade leu e amou a «Boneca de Kokoschka», decidi escolher outro titulo.
A escolha recaiu sobre  "Jesus Cristo Bebia Cerveja" pois tinha um titulo mais sugestivo e eu também bebo cerveja ;) (permitam-me o "lol"). E pelo que sei o Afonso Cruz também.

Tinha alguma expectativa quanto ao livro, que em parte não me deixou defraudado, amei a maneira simples e bela como o autor escreve, este consegue com as palavras mais simples e à sua maneira descrever cenários terríveis que quase chegam a parecer belos.

O livro tem passagens que me deixaram imaginar o ridículo da situação, deixaram-me a pensar que no meu Alentejo aquela situação era possível de se ver, transportaram-me imediatamente para o calor tórrido da minha terra e visualizei alguns velhotes algumas situações. Estou a referir-me em especial às sórdidas situações com a avó da Rosa.

Se tiver algo a apontar a este enredo de «Jesus Cristo bebia cerveja» é o facto de, infelizmente, não ter conseguido apegar-me a nenhuma das personagens. Gosto do enredo e os episódios são forte, mas nenhuma personagem me chegou a prender, de forma a ganhar sentimentos por ela. Desde o pastor à inglesa, à avó ou até à Rosa, nenhum deles ganhou assim por dizer grande destaque.

Outra coisa em que fiquei a pensar foi: se uma escrita tão bela como a de Afonso Cruz não seria melhor utilizada numa historia "bonita", não numa história deste tipo, nua e crua, representando a dureza da vida não só do campo como também da cidade. Não sei se me explico muito bem, mas quando lemos algo tão belo, esperamos uma história igualmente bela e aqui é tudo bem negro.


Por fim quero deixar ainda aqui um apontamento sobre o pequeno livro que se encontra no fim e que vem preencher algumas lacunas importantes e dar mais um toque delicioso a este livro.

Apesar de ter aquele ponto que menos apreciei, recomendo a leitura do mesmo para degustarem a maneira como este autor escreve, entretanto acho que vou ler a «Boneca de Kokoschka».

*

Leiam mais sobre o autor, aqui, na Alfaguara/Objectiva, que edita alguns dos seus livros.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

NYPD Red - James Patterson - Opinião

Este é o segundo livro que leio do autor e a opinião continua a mesma, James Patterson desta vez acompanhado por Marshall Karp proporcionou-me um livro cheio de acção que se mantém desde o inicio até ao fim, com capítulos curtos o que nos leva a querer ler sempre mais um bocadinho, mais um capitulo e mais outro e outro...
Patterson e Karp trazem-nos personagens bem construídas e fortes e com esta conjugação, consegue proporcionar-nos uma leitura despreocupada durante varias horas, onde nos embrenhamos na acção e queremos ser parte do livro, queremos assumir uma das personagens e tu, qual serias?

Desta vez o autor leva-nos até ao glamour de NYPD Red um brigada da policia especialmente criada para proteger os ricos e famosos, aqui trabalham dois policias extraordinários Zach e Kylie, dois policias que vamos descobrindo ao longo do livro. Personagens que têm um passado em comum, onde poderão estar escondidos alguns segredos que o autor na minha opinião vai guardando para um livro próximo...mantendo assim o interesse na saga e fazendo-nos querer ler o seguinte.

Temos também um vilão que nos é revelado logo nas primeiras páginas o que faz com que em vez de o tentarmos descobrir vamos passando o livro todo a pensar em como o conseguir apanhar, (gostei muito deste pormenor pois não é muito habitual). Com esta jogada o autor consegue criar uma personagem, a meu ver, bastante bem explorada, ganhando todo o enredo muito mais com esse detalhe.

http://www.2020.pt/
O autor guarda a melhor parte do livro para o fim (as usual) e consegue por momentos dar-nos a pensar que será possível o vilão escapar.
E agora, será que escapa?
Continuará o vilão a perdurar nesta série?
Têm palpites?
Mais não vos digo, aliás digo: achei o final surpreendente.


Contudo, nem tudo são rosas neste livro, tenho de apontar alguns defeitos, para mim acho que o livro não deveria ser tão perfeito, as personagens são sempre lindas, ricas, bem vestidas, super inteligentes, ao estilo das séries americanas, gosto de cenários um pouco mais negros, mas claro, esta brigada é de protecção aos ricos e abastados...

Além deste pormenor, existem ainda muitas coincidências em algumas partes do livro o que leva a querer que sejam um  pouco forçadas, ou seja, a gente quer que algo corra mal...

De qualquer forma apreciei bastante o livro e no seu conjunto funciona muito bem.
Deixo aqui um aviso, na capa deveria estar escrito:  PERIGO - leitura extremamente viciante!
*

Esta leitura teve o apoio da TOPSELLER, livros que se devoram!

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

A traficante de crianças – Gabrielle Wittkop



CUIDADO, MUITO CUIDADO...
Se é uma pessoa que tem sentimentos.
Se é uma pessoa normal.
Se é uma pessoa que respeita os seres humanos.
Se tem filhos...
Se é sensível a imagens (mesmo que textuais) chocantes
Se tem intolerância à violência extrema
... e se tem pesadelos com facilidade.
Então...
este não é um livro para si!!!
A meu ver este é um livro NÃO recomendado a pessoas sensíveis e susceptíveis a ficarem perturbadas com temas violentos e um tanto bizarros.

Depois de ler Herry Miller ou Marques de Sade, pensei que mais nada me podia mais surpreender tanto, mas afinal estava longe de tais surpresas e eis que Gabrielle Wittkop veio abalar todo esse pensamento e até algumas estruturas, fazendo-me pensar que talvez seja mais sensível do que pensava.

«A traficante de crianças» leva o leitor até uma Paris do remoto século XVIII  onde a libertinagem é "bem vista" e ocorre um pouco por todo o lado e entenda-se aqui libertinagem no sentido mais aberto da palavra.

O enredo é-nos relatado em forma de correspondência, revelando o dia a Dia de Marguerite e Lousie duas alcoviteiras (e aqui o termo pode parecer "fraco" e quase inocente, mas foi apreciá-lo melhor e tem pouco disso) que se dedicam ao tráfico de Crianças.

São descritos pormenores do que era feito às crianças a nível sexual e outro tipo de abuso, nomeadamente torturas físicas e psicológicas. São descritos também os autores desses abusos e como toda a engrenagem do negócio funciona, desde a proveniência das crianças, até onde são "largadas" depois de serem usadas e abusadas, até ao dia que morrem. E morrer aqui, seria uma sorte! Pois muitos deles, dos que vão sobrevivendo ainda serão usados e abusados para mais algumas orgias sexuais ou então, como banquete.

Gabrielle Wittkop conseguiu chocar-me em quase todas as suas páginas. O choque maior é constatar que alguém é capaz de pensar tais atrocidades e isso já me provoca alguns vómitos, quanto mais pensar que possivelmente tais bizarrices foram mesmo cometidas e ainda o deverão ser, tanto em países desenvolvidos como em países do terceiro mundo, já que é recorrente constatar que cada dia existem mais relatos de pedófilos e outro tipo de perturbados mentais a usarem pessoas (sejam adultos ou crianças) ou até animais para determinadas atrocidades.

Não sou do tipo moralista, mas penso que existem alguns tipos de livros e de ideias que não deveriam estar acessíveis a todas as pessoas, ou mesmo a nenhumas, este poderia ser um deles, pois apesar de bem escrito só a ideia de que algum pervertido o possa ler e aproveitar algumas das ideias provoca-me arrepios .

Depois de todos estes avisos se ainda quiser, ou tiver curiosidade de ler, leia! Ficará perturbado, mas talvez mais conhecedor das mais negras capacidades humanas.

*
A traficante de crianças de Gabrielle Wittkop é uma edição da Antígona - Editores Refractários


sexta-feira, 11 de outubro de 2013

«Deste lado da Luz» de Colum McCann - Opinião


Com uma escrita que é bastante acessível e não deixando de ser cuidada, o autor leva-nos a viajar por um mundo de miséria durante quatro gerações, entre o ano de 1916 e 1991 fazendo-nos um guia sobre alguns dos grandes acontecimentos de Nova Iorque.

Esta história é-nos trazida através da vida de dois personagens, Nathan Walker e Treefrog que ao principio parecem nada ter a ver um com o outro, mas conforme avançamos nas páginas do livro este suposto afastamento vai-se dissolvendo e mais ou menos a meio do livro começamos a supor o que se ira revelar.

Comecemos então o enredo. O novelo é escuro, sombrio e nas profundidades. Nathan Walker é um "toupeira", um trabalho sujo e perigoso, mas muito necessário em construções subterrâneas. Construção essa que é um acontecimento marcante na história da Big Aple. Nathan escava túneis sob o rio Hudson que servirá o metro entre Brooklyn e Manhattan.
Também nesses túneis encontramos, Treefrog, um sem abrigo que se refugia no esquecimento e na invisibilidade dadas por esses locais sombrios.

O livro é brilhante, já que combina de forma muito harmoniosa factos com ficção. Revelando grandes flagelos da sociedade da época, McCann traz à luz temas tão sombrios como o racismo e as precárias condições de trabalho, talvez dois dos flagelos que mais vidas colocavam em risco.

A história colectiva de uma cidade, cruza-se com as histórias pessoais de cada um dos personagens. Se por um lado temos flagelos e problemas de cariz social, económico e até racial. Temos por outro lado, crises familiares, álcool, preconceito, orgulho e dificuldades de diálogo que vão contribuindo para alguns desfasamentos mentais de Treefrog.

As histórias avançam e as gerações também, mas nem por isso as histórias ficam menos grotescas. Apesar de existir aqui dedicação, amor e confiança, há também muita incompreensão e até alguma ignorância em entender a própria condição humana.

Com as suas palavras, sábias e bem estruturadas, este livro consegue por vezes fazer-nos odiar as personagens e logo a seguir sentirmos uma certa empatia, evoluindo para a compreensão, quase fazendo esquecer os sentimentos mais nefastos anteriormente sentidos.

Para mim, o livro em questão ganha ainda mais valor, por nos levar a pensar em quais seriam as nossas acções se tivéssemos crescido num ambiente semelhante ao que é descrito, leva-nos a pensar que certas pessoas pelo seu estatuto na sociedade ou pela sua fraca educação, são obrigadas a ter determinados comportamentos.

Por fim é um livro que nos leva a uma realidade que penso que em Portugal não existe, mas é frequente haver relatos de países como a América. A existências de inúmeros sem abrigo em túneis, esquecidos e escondidos da sociedade.
O enredo faz-nos descer à realidade do submundo dos sem abrigos que vivem confinados aos túneis do metro, sendo que quase passam despercebidos da sociedade em geral, leva-nos a pensar como esta gente "meio morta", quase invisível, pessoas com problemas com álcool e com drogas, alguns até com problemas mentais, ainda têm sentimentos e que talvez, ainda desejem e possam voltar a ser integrados na sociedade.
Creio que nesses aspecto, a escrita aproxima-nos muito da realidade, tentando fazer-nos olhar para algo de que desviamos constantemente o olhar.

Apesar de ser um livro muito sombrio adorei a sua leitura e sobretudo como o autor consegui juntar as vidas destas personagens durante um período tão grande de tempo.


«Deste lado da Luz» de Colum McCann é uma edição da Civilização Editora.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

«Tive de o matar» de Romana Petri - Opinião

Depois de ter ido a apresentação do novo livro desta autora promovido pela Roda dos Iivros, fiquei com alguma curiosidade de ler algo dela, de alguns que podia escolher como sempre escolhi aquele cujo a capa mais me atraiu, e deveras que não foi uma má escolha.


Neste livro a autora relata-nos a vida de Lulu uma professora de reclusas, divorciada e que vive num pequeno apartamento com o seu filho. No entanto, é a parte do divórcio que fomenta todo o enredo.

Desde o divórcio que Lulu não lida muito bem com esta situação. Esse sentimento negativo é aumentado e atiçado pela sua profissão onde ouve todos os dias relatos de mortes e vinganças. Assim, começa a crescer dentro dela um desejo de vingança, livrando-se assim da revolta deixada pela traição do seu ex marido.

A este intuito de vingança ainda acrescem as "visões", alucinações que Lulu vai tento. A protagonista de «Tive de o matar» cria na sua mente amigos fantasma, tão maquiavélicos ou mediáticos como Alexandre O Grande, Ricardo Coração de Leão, ou Carlos Magno e outros personagens históricos, que aos poucos lhe vão dando força para que execute a sua vingança.

Neste ponto, talvez menos lúcido, o livro esta muito bem escrito, facilitando a passagem da realidade para o imaginário destas visões, elevando a escrita da autora a outro patamar. Reconhece-se uma escrita que nos leva a crer, quase como se fosse escrita por pessoas diferentes. Seria quase como estar na presença de um personagem (ou a escritora mesmo) com dupla personalidade.
O bizarro e o grotesco de algumas situações ajudam ainda mais à tese da dupla personalidade e até de algum distúrbio mental, no entanto, esses desequilíbrios e desvios, dão origem a passagens verdadeiramente hilariantes.

E quem lê o que acha? Lulu, presa no ressentimento é capaz de se catapultar até junto de grandes personagens e beber deles a coragem para o grande final ou simplesmente por despeito e desespero refugia-se em visões extravagantes, afastando-a ainda mais de uma vida que teima em não voltar à normalidade.

No fim Romana Petri mostra-nos uma Lulu completamente em transe e de espada em riste, sem saber se está na realidade ou em mais umas das suas visões, brindando-nos com um final surpreendente e emocionante.

*

«Tive de o matar» foi editado pela Cavalo de Ferro, como a maioria dos outros títulos da autora, no entanto, os últimos dois livros, «Esteja eu onde estiver» e «Tudo o que nunca te disse», publicado em Julho, são agora lançados pela Bertrand Editora.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Os Órfãos do Mal - Nicolas D'Estienne D'Orves - Opinião



Estamos perante mais um grande livro sobre a segunda guerra mundial e que eu adorei. Grande em tamanho, mas grande em conceito, em levantar o véu sobre mais um detalhe da Alemanha nazi.

Em «Os órfãos do mal», Nicolas D'orves expõe um pouco de todos os horrores cometidos na segunda guerra mundial mas o que mais chama a atenção é o "Lebensborn"... mas afinal o que foi o Lebensborn?

Lebensborn? Ou seja, "Fonte de Vida", em alemão mais arcaico, o Lebensborn  foi um programa que Heinrich Himmler levou à prática para promover o desenvolvimento e apuramento da raça pura, da raça ariana.


Himmler quis com este programa aproveitar as mulheres, as melhores mulheres nazis, as mais puras, "racialmente" falando. Estas mulheres eram autênticas parideiras. Recrutadas para dar à luz, bebés artificialmente concebidos ou através da cúpula com altas patentes das SS, para garantir a supremacia de raça. Estas crianças depois seriam entregues às SS, sendo estes educados e criados para serem os novos lideres do regime, ou seja, a nata da nata.
Liebenborn seria o verdadeiro berço da raça ariana, a verdadeira escola do ideal nazi!


Entre muitos outros, este é um dos temas que a jovem jornalista francesa, Anaïs, se vê envolvida quando é misteriosamente contratada por um excêntrico Norueguês, depois deste ter recebido um estranho pacote contendo mãos mumificadas.
Ao longo de todo o  livro somos levados a passear por vários países, de modo a desvendar este enigma recheado de mistério e suspense, somos levados também a passear por ideias e várias formas de pensar de alguns nazis e até do próprio Hitler, onde se imagina até onde poderia ir a crença da raça pura.
Apesar de o livro ter bastantes factos históricos, a maior parte é ficção criada a partir de fragmentos destes factos, o que não tira em nada o valor a este livro, pelo menos na minha opinião.
E no fim fica-se a pensar será: que o Nazismo está vivo? Quem trará em si o cunho da nascença em berço nazi?

Recomendo vivamente para quem gosta do tema II guerra mundial.

Uma edição da Bertrand, para mais informações do livro, siga o link - http://www.fnac.pt/Os-Orfaos-do-Mal-NICOLAS-D-ESTIENNE-D-ORVES/a71462

segunda-feira, 29 de julho de 2013

«Senhor Comandante... A Carta Assassina» de Romain Slocombe - Opinião


Antes de mais uma sugestão musical:

*

Senhor comandante - Uma carta assassina é um daqueles livros que tem de ser lido pelos amantes da segunda guerra mundial e deve ser lido por vários motivos. O primeiro motivo é que se trata de um relato com base em documentos verídicos, ou seja, a carta. O segundo motivo é conseguir infiltrar-nos na mente de uma pessoa que viveu momentos, no mínimo, perturbadores.

Aqui relata-se, em forma de carta, a mente de um escritor francês da alta sociedade que durante a ocupação nazi apoiou a causa Nacional-Socialista.
Podemos ver aqui a irregularidade da mente deste escritor, vemos por um lado os seus ideais mais convictos, a ideia de França como um pais de cavalheiros, um pais de trabalhadores, de honra, de orgulho e sobretudo de família e depois o seu ódio pelos judeus,  pelo que representavam na sociedade, a ganância, a descrença na família e para finalizar esta mistura de ideais temos o amor do escritor por um judia... mulher do seu próprio filho.

Nas primeiras páginas temos uma mostra de tudo o que ocorrerá durante todo o relato, levando-nos a pensar que não pode advir daí muita coisa deste livro. No entanto, estamos bem enganados!

"(...) Xavier Valat, prestigiado inválido da Guerra de 14-18, onde deixou uma perna e um olho: um homem de sentimentos católicos e nacionais profundamente enraizados, determinado a erradicar por completo - qual cirurgião armado com o seu escalpelo atacando o tumor mortal causado pelo corpo estrangeiro - a cultura judaica de França."

Romain Slocombe faz-nos percorrer vários lados desta guerra, lados mais escondidos, lados mais cruéis, tanto pelos nazis como pelos franceses e seus apoiantes, ou até pela resistência e pelo próprio povo, depois de vitoria da resistência.

Paul-Jean, a nossa personagem, o nosso escritor, descreve-nos a vida quotidiana de uma cidade pacata em França, antes, durante e depois da guerra, descreve-nos os seus habitantes e as suas ideias, bem como as suas alterações que estes sofreram por causa da guerra.

Com os relatos descritos na carta, o tal documento que avança e nos transporta, somos capazes de, ora compreender algumas das atitudes desta personagem e até simpatizarmos com ela, para logo a seguir o odiarmos. É um misto de tentarmos perceber que ele luta pelos seus ideais, apoiando e recebendo apoio de um regime, difundindo assim o seu ódio pelos judeus. O melhor do livro é que ainda somos capazes de assistir ao esforço que faz para manter a salvo o seu amor, uma mulher que não podia ser pior - é judia e é a mulher do seu filho!?

Uma carta perigosa, um relato estratega, uma luta política na defesa pelo preconceito racial, mas igualmente uma confissão, o amor, o desvendar de segredos e humilhações de guerra... quem sabe justificações para os horrores da guerra... a ganância das pessoas que ao verem outros em debandada aproveitam para enriquecer "cobrando 3 francos por um litro de água".

A escrita veloz e ritmada do autor, faz-nos ficar presos às palavras, por vezes ásperas e ardilosamente bem escolhidas. Há também tempo para descrever as milícias francesas, criminosos e torturadores, recrutados pelos nazis e os seus métodos de interrogatório, métodos esses que o autor descreve e nos leva a ter grandes arrepios na espinha e pensar como é possível tal crueldade.

Para o fim é nos deixado a surpresa que não vou revelar.

Uma leitura com o apoio da Bertrand Editora.


quinta-feira, 18 de julho de 2013

O NAVIO DO DESTINO de Rosine de Dijn - Opinião

Pelo título fiquei logo apaixonado! Um livro a falar sobre um barco Português que salvou milhares de pessoas durante a segunda guerra mundial, digamos que era prometedor.
Comecei a ler e confesso que estava a espera de outro tipo de livro. Este belo exemplar, tanto o barco como o livro, relata ao pormenor factos históricos, basicamente é um compêndio de informações históricas sobre famílias que estiveram ligadas por alguma razão ao Serpa Pinto. Este relato puramente histórico e cronológico atrasa um pouco o ritmo de leitura, mas afinal eu sou o Caracol Literário.

Ao fim de pouco tempo estamos perdidos na quantidade de nomes de pessoas, locais, movimentos que são relatados no livro, factos, datas... ou seja, o que compõe um livro de História e não de histórias, como eu, confesso, ia à espera.
No entanto, é um excelente manual, de cariz informativo, faltando assim o cariz de ficção e o tal enredo de que estamos à espera. Ainda assim, aprende-se bastante e é um leitura prazenteira, só é pena as inúmeras notas de rodapé, que rodapé só de nome, já que se encontram todas no final do livro, coisas que aqui o trio do Efeito pouco aprecia.

Volto a dizer que a leitura é valiosa e de cariz histórico, especialmente para quem gosta do tema, que é o meu caso.
Ficamos a saber a história de famílias alemãs que depois da primeira grande guerra navegaram rumo ao Brasil e ai criaram verdadeiras mini Alemanhas, onde tentavam a todo o custo manter a língua e os costumes da sua terra natal, estas mesmas famílias são influenciadas pelo movimento nazi e por outros movimentos alemães a deixarem o Brasil e a voltarem para a sua pátria para combater.

É interessante ler e tentar colocarmos-nos no lugar destas famílias, com um vida feita no Brasil a deixarem tudo e voltarem para um pais em guerra por um ideal, o ideal da raça, da supremacia.
A escritora perde (e "perder" não é pejorativo) bastante tempo com algumas destas famílias dando-nos a percepção do que elas passaram.

Por outro lado, temos a história das famílias de judeus que tentam a todo custo sair de uma Europa em guerra para irem para a terra prometida (a América, claro!), e aqui temos relatos mais complicados, mais pesados, diria eu. É aqui que entra Portugal e o Navio do Destino! Mas não só...

Dou destaque ainda à visão que a autora nos deixa sobre a nossa Lisboa durante estes anos de guerra, uma Lisboa cheia de luz onde todos eram bem vindos, onde residia a esperança de se apanhar um barco para longe do inferno que a Europa se estava a tornar. Falá-nos também da ascensão do nosso ditador e da maneira como ele jogou um estratégico xadrez para se manter fora da guerra e conseguir ajudar tanto um lado como outro. Resta saber o que nos jogou a nós, já que ninguém entra no jogo para perder, mas adiante.

Enfim, um livro que aconselho a todos os que gostam de história, principalmente o tema da Segunda Grande Guerra e a todos os que se interessem pelo passado de portugal e sobretudo a todos os que querem conhecer melhor a importância deste barco "Serpa Pinto" e dos seus valentes tripulantes que o mantiveram no activo durante toda a guerra, salvando milhares de pessoas de uma morte certa.

Sem dúvida, um livro para fugir à rotina ou não fosse um livro Saída de Emergência.


quarta-feira, 26 de junho de 2013

«O Último Império» de Tiago Moita - Chiado Editora

Se ao principio me custou agarrar neste livro devido ao tamanho, depois de o começar a ler foi como se passasse a pertencer ao enredo... não consegui parar de lê-lo.

Tiago Moita leva-nos a passear por terras, cidades, ruas, monumentos e personagens do meu, nosso, querido Portugal!

Muitas das vezes as descrições são tão boas que me levava a querer ir aquele lugar e ver com os meus olhos o que o autor descreve. 
"Repara a fachada do edifício: tem nove janelas, que correspondem aos nove olhos que espreitam o mistério, como indica o poema, Nove, na simbologia maçónica corresponde ao principio da luz divina e é o número dos iniciados profetas. As colunas que vês entre as portas simbolizam os limites do mundo criado; a vida e a morte; o masculino e o feminino." 
Gostaram? E se eu vos disser que a descrição se refere à entrada da estação do Rossio!? 
Digam lá que agora quando passarem por lá, não vão olhar para a fachada de uma outra maneira!?

Quanto à historia, apaixonei-me por todo o enredo, além de ser uma ode a Portugal e ao povo Português é também uma valorização dos nossos feitos e dos nossos antepassados, não esquecendo também a projecção daquilo que o autor acharia que Portugal é capaz para o futuro.

Tiago Moita consegue remasterizar os mais variados temas, como a Maçonaria, a Opus Dei ou o Clube Bilderberg, mixando-os com terapias como o Reiki e ainda explicações que se socorrem da astrologia. Brinda-nos ainda com mitos e lendas do nosso pais, salientando o passado, mas sem esquecer a actualidade, juntando-lhe assim acontecimentos que revelam um escritor atento e dono de uma crítica social perspicaz.

A meu ver, Tiago Moita reforça a importância de acreditarmos em Portugal e na grandiosidade da Nação. Ao ler senti-me ainda mais Português e a querer que as pessoas o sentissem também.

Vejamos «O Último Império» como um diário de acontecimentos da actualidade, onde nos revemos em cenas históricas repetidas e recorrentes. Um povo que não se valoriza, um povo que esta a ser escravizado por políticos e outras forças que definem o que podemos ou não fazer e que nos rouba o pão de cada dia. No entanto, o autor passa uma mensagem de positivismo e de elevação a uma capacidade superior, que rever no povo português e acaba num futuro que ele deseja para todos. Um futuro sem ódio, sem inveja, um futuro onde fossemos todos iguais, onde o homem atingisse um estado pleno, onde a nossa alma ganhasse força e a nossa força fosse elevada para o bem e para o amor.

Não vou contar mais sobre a história pois perderia a graça para quem a queira ler, mas aproveito para salientar algumas partes, pois quando já estava envolvido na trama, o autor brinda-nos com este pequeno deleite:

"Nada é tão absorvente como o prazer de ler um livro num café ou numa esplanada. Deixar-se levar pelo sabor das palavras ou pela essência do enredo: devorar cada capítulo como quem se deixa dominar pela gula ou por uma noite de prazer; desfiar o fio do novelo dum mistério de uma narrativa deixar-se contagiar pela natureza das personagens; desafiar o tempo com o virar de uma página no intervalo de um café ou de uma refeição frugal".

Gostei também de algumas frases que poderíamos usar numa qualquer manifestação dos dias de hoje, deixo-vos com esta:

"Um líder pode mentir ao povo uma vez, não pode é mentir-lhe para sempre" ...

Uma leitura com o apoio da Chiado Editora
Para ler mais sobre o autor: http://zip.net/bykkqL
Para ler a sinopse e adquirir o livro: http://zip.net/bgkkhH


segunda-feira, 20 de maio de 2013

«Colónia do Diabo» de James Rollins, Bertrand

A Colónia do Diabo de James Rollins é um enredo que nos agarra logo desde as primeiras páginas, começando desde cedo por contextualizar a historia alguns séculos atrás onde um grupo de arqueólogos descobre um artefacto antigo que pode conter algo de perigoso. Digamos que é como se esse artefacto nos fosse lançado às mãos, como um presente. E é a partir daí que toda a trama se desenvolve.



O livro de Rollins é como que um compêndio de história e não só, resumido em menos de 500 páginas uma enormidade de conceitos e factos que nos leva a querer saber mais e ficarmos curiosos ao ponto de pesquisar e avançar nos detalhes. Foi o que eu fiz e deixo-vos alguns dos conceitos que googlei.

Usando algumas das crenças do mormonismo, e a possível ligação destes com os nativos americanos e com o povo de Israel começa-se a tecer uma teia, aonde ainda lhe junta informação sobre  novas tecnologias, como a nanotecnologia e laboratórios científicos espalhados pelo mundo, junta-lhe ainda um punhado de  forças especiais como o FBI e a Sigma e os seus "super agentes". Existem também alguns dos achados arqueológicos mais importantes dos estados unidos como homem de kennewick e a múmia da gruta do espírito no nevada. Como se ainda não bastasse, vem para apimentar a acção, os enigmas e mistérios do grande selo dos EUA levando-nos assim a um maior conhecimento e ligação ao enredo, não nos permitindo largar o livro.

É uma leitura empolgante que as vezes nos leva a querer encarnar uma ou outra personagem e a viver a leitura minuto a minuto, hora a hora como se dentro dela estive-se-mos.

Boas leituras,

Queremos deixar o nosso agradecimento à Rede de Bibliotecas Municipais de Vila Franca de Xira que seguiram a nossa recomendação/sugestão de aquisição e nos permitiram assim a leitura desde livro.



quinta-feira, 16 de maio de 2013

«Em Território Pirata» Michael Crichton


Michael Crichton, autor largamente aclamado, seja pelo seu lado mais fantástico e que talvez ainda povoa o nosso imaginário, ou não fosse ele o criador de Jurrásico Parque, mas também de uma das séries televisivas com maior sucesso e duração (dentro do género) - ER - Serviço de Urgência. Por isso, só se poderia esperar uma narrativa cuidada, intensa e um enredo recheado de aventura e de um conto de fadas, ou melhor de piratas...

Se um dia se imaginou de papagaio ao ombro, barba ruiva, perna de pau, uma pala no olho e um gancho na mão direita... eis o livro ideal para si, que nos cativa para este mundo do imaginário.

«Em Território Pirata» o leitor vai entranhar-se no mundo do piratas, corsários e malfeitores das marés.
A aventura da caça ao tesouro em ilhas perdidas e praias escondidas, aventuras e desventuras do capitão Charles Hunter... e a sua tripulação de astutos, matreiros, ardilosos piratas...

Com a dose certa de fantasia e uma história muito bem elaborada, o autor faz-nos desejar um mundo muitas vezes sonhado pelas crianças, mas por vezes também por adultos.

Michael Crichton consegue envolver-nos na trama, levando-nos a navegar pelas ruas de Port Royal, leva-nos ao interior de belos barcos, descreve-nos as ilhas deste continente esquecido, revela-nos as pessoas, os becos e bairros, a cidade num todo, como cenário idílico para piratas, ladrões e mulheres ardilosas. As descrições moderadas mas estratégicas, conseguem transpor o leitor para esta realidade imaginária, fazendo-nos quase sentir as cores os cheiros e os sabores que rodeiam os personagens.

Tem coragem para se fazer ao Novo Mundo?
Serão vocês capazes de descobrir este tesouro?


Uma edição Livros D'Hoje, mais informações do livro aqui

terça-feira, 7 de maio de 2013

«PRIVATE: Agência Internacional de Investigação», de James Patterson - Opinião


Como é que eu cheguei a esta leitura? Praia, sol, fim de semana e a minha Cris a partilhar algumas partes da sua leitura comigo e a instigar-me a conhecer a escrita de James Patterson.

E como ela disse e muito bem na sua crítica que passo a destacar:

"Patterson lê-se de um fôlego, sem cenários macabros de dar a volta ao estômago, mas com uma boa dose de fantasmas e demónios próprios de cada personagem, caracterizada q.b., deixando assim a mente navegar, mas não para muito longe que o ritmo da acção é viciante."

E é isso mesmo, para mim faltam essencialmente esses cenários macabros, talvez por ter visto e conhecer o assassino de «Alex Cross», espera-se algumas cenas mais arrepiantes.

Este é um daqueles livros que tem tudo para ser muito bom, mas no fim acho que falta qualquer coisa aqui ou ali.
Se por um lado tem umas personagens muito bem construídas como o dono da Private e o seu irmão gémeo maléfico, ou todos os elementos que trabalham para a Agência, por outro lado estas personagens são tão perfeitas que soam a falso, e são. Todas elas têm algo de falso e é ai que a história se apimenta.

Arriscaria que Private pode ganhar audiências para se transformar numa série policial, como muitas exibidas actualmente, onde agentes, criminosos e mulheres sedutoras, são todos personagens belos, sexys, super inteligentes, enfim a nata da nata, tentando esconder nos brilhantes das jóias e dos carros de luxo, os podres da sociedade.

Quanto ao crime, ou melhor aos crimes, temos três  histórias diferentes que de vez em quando se roçam (e saliento o roçam) umas nas outras, sem se chegarem mesmo a tocar, o que a meu ver não faz sentido visto que temos tantas voltas e reviravoltas nelas que em alguma parte podiam e deviam interligar-se e ai sim, eu teria adorado o livro, nem que fosse porque as conjecturas obscuras que eu formulei, tinham dado certo! 

Era o lado obscuro e a teia de histórias paralelas, quase invisíveis, que eu queria ver... basicamente era evoluir das qualidades de escrita cuidada, de enredo eficaz e quase que rápido que o autor apresenta e a acção estrategicamente bem construída e que nos prende, página a página. O desfecho deveria ser mais detalhado, pois as páginas que dedicou às história paralelas poderiam ter sido canalizadas para este final ser algo de estrondoso, mas talvez fugisse à sua escrita fluída e viciante, de leitura à velocidade dos carros de alta cilindrada  que desfilam e nos fazem uma certa inveja.

Uma leitura com o apoio TOPSELLER


quarta-feira, 1 de maio de 2013

DAQUI ALI de António Pedro Moreira - Opinião


DAQUI ALI é um daqueles livros sem rodeios, sem embelezamentos, sem lamechices ou como o autor diria sem merdas...

uma história de nove meses de viajem  pelas estradas deste mundo fora, percorrendo mais de 50.000 kms!

uma forma diferente "ou não" de viajar, conhecer pessoas, locais e culturas e muito importante, POUPAR DINHEIRO ou viajar com pouco dinheiro...

Não sei se um dia o vou conseguir fazer, mas ficou a vontade de arrumar os livros, calçar as botas e partir para algo semelhante, ao que é contado no livro. Sim! Semelhante, pois igual seria completamente impossível de realizar visto que cada viagem é uma viagem, e os contactos com as pessoas são únicos  os momentos intransmissíveis e incomparáveis e também conta o nosso estado de espírito, a nossa visão, a nossa disponibilidade, os nossos medos, alegrias ou desejos.

A ideia é tentadora: passar nove messes em viajem, uma mão cheia de países e de culturas totalmente diferentes da nossa e ainda a gastar pouco mais de 3000€, mas para conseguir este feito o autor dormiu ao relento, em casas de desconhecidos, em pensões "onde a pensão estrelinha seria um hotel 5 estrelas", viu-se obrigado a comer sandes fora de prazo, apanhadas no lixo etc etc... coisas que não me vejo a fazer...
bem ficar na pensão estrelinha até era o mínimo, LOL!



Pedro ilustra-nos a sua tentativa de ir de Portugal até Singapura por terra, gastando o mínimo possível, recorrendo ao couchsurfing "para quem não sabe é um site de partilhas de sofás", foi comendo e dormindo onde era mais barato, utilizou um meio de transporte mais barato ainda: a "boleia", que descreve quase até a exaustão, quem lhe deu a boleia, quantas apanhou, quem eram as pessoas, o que fizeram, do que falaram etc.. Contando alguns momentos simplesmente dignos de saírem numa cena de filme de Hollywood.

Falá-nos também dos seus anfitriões do couchsurfing, onde viviam, como eram, o que faziam do que gostavam, e irremediavelmente do que fizeram com ele durante a sua estadia. Havendo memórias que por certo, ficarão para sempre!

Como psicólogo que é, Pedro explora bastante esse lado nas vivências que nos conta no DAQUI ALI, analisando pessoas e situações, diferenças essas de um ponto de vista, essencialmente seu e que tenta balançar com o dos outros e o que observa. Deixando-nos muitas vezes a pensar e a especular.
Perante o binómio "julgar ou não julgar" todas as formas de vida com quem se deparou, sempre fazendo de advogado do diabo, tenta ver as coisas como os outros as vêem "muitas das vezes é difícil pois vão contra fundamentos nos quais acredita" e tenta perceber o que esses sentimentos lhe fazem a si mesmo, transformando-o. Aliás toda a viagem é uma aprendizagem, quem sabe até mesmo a leitura.

Daqui Ali é um guia de locais por onde o Pedro andou e como é óbvio, fazendo descrições, do seu ponto de vista, das cidades que visitou, os seus likes e deslikes e ainda a vida nocturna!
Para completar a explicação e imagens dos locais, talvez seja melhor recorrermos também ao blogue e site com vários vídeos da viagem, se bem que todo o livro está acompanhado de fotos!

Para além de tudo o que já falei até aqui é de referir que amei duas partes muito bem conseguidas neste livro. A questão das fotos, faz de cada capitulo quase um "filme", podemos criar as nossas fantasias da história dos momentos vividos pelo autor e contextualizá-las com as imagens.
A outra parte que gostei muito ou até mais, foram as pequenas cartas que vão sendo "salteadas" por aqui e por ali, levando-nos daqui ali, nos pensamentos e sentimentos do autor. São trechos de memórias do Pedro, que nos escreve o que sentiu naquele preciso momento no local onde se encontrava, gosto muito da maneira como estão escritas pois mostra o "sentimento da coisa".

Para finalizar devo dizer, que se gostas de viajar e se queres motivação para o fazer, mas se arranjas sempre desculpas para não partir e ainda se andas indeciso, este é o livro que te pode ajudar a decidir. Será que existem livros de auto-ajuda em formato de viagens!? Se sim, eu quero já ser auto-ajudado e partir!!!



Recomendo vivamente a quem gosta de viajar, sejam turistas, viajantes, imigrantes, com vontade de imigrar ;) Recomendo também a quem gosta de ler, simplesmente pelo prazer de ter na leitura uma viagem!

Obrigada Pedro pela possibilidade de ler o teu livro e ter-te ouvido na apresentação aqui em Lisboa, volta sempre, és bem vindo. E viaja, viaja sempre e volta para escrever, publicar e conversar.


Uma leitura TOP - «O Leitor de Cadáveres» de Antonio Garrido - Opinião

Isto pode parecer um bocado estranho, mas muitas das vezes escolho os livros tal como os vinhos, pelas capas, e o velho ditado de "os olhos também comem", aplica-se muito bem e este foi mais um desses casos. Vi a capa e em associação com o titulo disse: vou gostar de ler este livro, e assim foi! Gostei!!!


A escrita e o argumento de Antonio Garrido é como uma droga mal se põem os olhos nela, ficamos viciados. O autor consegue prender-nos com tanta força que é difícil largar o livro antes de chegar a ultima página. Vi-me agarrado ao livro em todo o lado, no intervalo do trabalho, no café, à mesa de jantar, no wc... enfim andou atrás de mim para todo o lado, inclusive de férias, aí foi o derradeiro final!

O enredo gira em torno de Ci, levando-nos a conhecer o primeiro médico legista da história, além da impressionante saga que é a vida deste homem, o autor fantasia um enredo de conspiração, avareza, ganância e actos ilícitos  à volta de factos reais e consegue ainda criar um cenário simplesmente fantástico numa China Medieval de Tsung por volta do ano 1200.

O autor relata e cria uma sociedade de época baseando-se em factos históricos, revelando uma sociedade totalmente diferente da nossa e que nos fascina. Ai começa a nossa própria saga de ansiar por mais e mais detalhes. Antonio Garrido leva-nos a tentar compreender como estas pessoas viviam nessa época, como se vestiam, o que comiam, como se comportavam, recheando assim a narrativa com dados que trazem realismo à acção.

É-nos mostrada uma sociedade muito rígida onde toda e qualquer falha era disciplinada com o recurso à violência, onde as regras imperavam em conjunto com os castigos físicos, informação validada e explicada (como tantas outras) nas Notas do Autor. É nesta violência e barbárie medieval que Ci crece e se auto-educa com recurso à sua inteligência, vício no estudo e claro, uma constante luta contra as adversidades indissociáveis da época.

Será que podemos ver Ci como o primórdio do agente Gil Grissom (CSI Las Vegas) mas na época medieval!? Corre o ano de 1217 onde com poucos instrumentos que possui consegue chegar a brilhantes deduções, o que faz dele o leitor de cadáveres, mas só lendo é que se vão perceber do quão inteligente e brilhante ele é.

Confesso que durante todo o enredo me vi confrontado com a ânsia de descobrir o mistério, mas o autor consegue deixar-nos sempre na expectativa e incerteza até à ultima página, alguns dos factos até são previsíveis mas existe sempre mais uma volta que o autor nos obriga a dar, fazendo do livro uma absoluta arca das surpresas.

Um livro que entra directamente para o meu "top" pela maneira como está escrito, pelo enredo, pela dedicação do autor, pelo lado histórico e deixo ainda a nota, de que as notas do autor estão igualmente ao nível do enredo e são uma ferramenta, aproximando-nos do autor, facto esse que apreciei bastante.

Uma leitura com o apoio da PORTO EDITORA


quinta-feira, 18 de abril de 2013

«Lisboa no Ano 2000» 3ª parte - Opinião

«Lisboa no Ano 2000» 3ª parte


E a saga continua... 3ª parte e última antes da apreciação global.


Energia das Almas, de João Ventura

Talvez o conto que mais me impressionou e me fez pensar no paralelismo com a realidade que vivemos actualmente.
A necessidade de obter uma nova fonte de energia, custe o que custar. 
E aqui é paga ao peso da alma!
Os custos para a humanidade e os seus direitos... a educação... a sensibilização, ou até os riscos, são tudo factores muito bem metamorfoseados neste conto do submundo.
Cegam-se os olhos de um povo ávido de mudança - estupidifica-se e sacrifica-se o próximo.
Um conto altamente recomendado.


*
Fuga, de Joel Puga

Umas das histórias que mais me marcou na forma como apela ao sentimento, parafraseando um amigo
Aqui fala-se de sonhos e do que, quase irreal, fazemos para os obter.
O sonho, o projecto... a ânsia de querer e possuir
É o querer ter amanhã, desvalorizando o hoje.
esta é uma história de sonhos...
Este é o sonho de Tércio
O programador que queria ser escritor
Escreverá ele o seu destino?


*
Tratado das Paixões Mecânicas - João Barreiros 

Um conto que é uma verdadeira paixão.
João Barreiros dá continuidade ao texto inicial de abertura «O Turno da Noite»
Abandonamos o Metro, mas estaremos prontos para aceitar e ocupar as Fábricas!?
Ou sermos ocupados por elas?
A ocupação, a verdadeira hegemonia e a reprodução em massa de fábricas.
Dito assim é estranho, mas é isso mesmo!
Um conto cativante, de uma criatividade espectacular que nos mostra o quanto somos servos do consumo e do desenvolvimento exacerbado por uma pseudo-necessidade...
É a ode, é a exaltação à obsolescência programada.
*
Taxidermia, de Guilherme Trindade
Amei este conto, não sei bem explicar porque!?
pois até é um conto bastante decadente - a extinção é uma ameaça total, é um facto!
A ansiedade de preservar e adiar a extinção total, pode criar motivações mais perversas 
poderemos nós encarar os animais e os homens no mesmo patamar?
Um conto recheado de detalhes e adornado com o mistério das dúvidas pessoais - aguçando a inteligência do leitor, levando-nos a questionar as nossas acções e a imaginar certos desfechos...
no fim a surpresa que já poderá ter passado pela cabeça do leitor.


*
Quem Semeia no Tejo, de Pedro G. P. Martins

No reinado das maleitas desconhecidas
Reina a indecisão, entre médicos e curiosos
Vem o radical com a solução.
Ou não!


*
Chamem-nos Legião, de João Barreiros 
Sem duvida o melhor conto do livro, para mim é claro!
João Barreiros acaba com nesta terceira parte os dois outros contos...
«Chamem-nos Legião» é a rasgo de criatividade, é a composição harmoniosa.
Com mestria, o autor traz-nos até ao seu mundo, unindo os mundos em que vivemos perante as suas palavras e enredos. É a conclusão de todos os acontecimentos.
Acontece o impossível, forças ocultas a bordo de uma embarcação, com freiras vampiras, capazes de exorcizar os efeitos eletromagno-maliciosos de uma sociedade obscura e dependente da vida dividida entre a luz e a escuridão.


Uma excelente leitura, com o apoio da 

terça-feira, 16 de abril de 2013

«Lisboa no ano 2000» - 2ª parte - Opinião



«Lisboa no ano 2000» - 2ª parte - Opinião 



Dedos, de AMP Rodriguez.

Arrepi-se, ou seja, sinta o calafrio na espinha
Mexa os dedos, dê ordens às máquinas...
Aqui são os Dedos que comandam a vida.
a historia parte daí, mas não é o mais importante
É sim a revolta das máquinas e o enigma por detrás
até um súbito do rei tentar resolver o mistério...
será que o resolve?


*
As Duas Caras de António, de Carlos Eduardo Silva

Um conto que daria um excelente filme de espionagem...
António é um agente duplo, ou será triplo?
Ou será ainda um herói?!?
O amor à pátria e a missão, a escolha por Portugal e vitória...
o autor envolve-nos numa áurea de mistério onde a nossa personagem principal luta com o dilema de desvendar o roubo de uma máquina que poderá virar a guerra a favor de um dos lados...
algo parecido com a realidade?


*
Electrodependência, de Ana C. Nunes

Uma das histórias que mais me impressionou ...
a electricidade além de ser a fonte do desenvolvimento...
é também a droga...
a droga que cega alguns na sociedade...
uma droga que vale fortunas
que quem depende dela desumaniza a fonte do seu prazer..
que sem pensar ou ponderar a vida dos outros, os escraviza para seu belo prazer...
é a eletrodependência na ponta do dedo, na simplicidade do toque...


*

Nanoamor, de Ricardo Cruz Ortigão 

Durante o texto ainda me perdi com algumas divagações do autor, mas o seu sentido de humor prevalece e torna a leitura bastante interessante.
Em Nanoamor, Alexandre é o típico lambe botas que tem uma boa posição na vida, não graças ao seu trabalho mas ao factor C - sim no futuro este também existe e qualquer semelhante com o "agora" é uma mera coincidência.
Perante a ameaça, o bajulador cria e realiza um plano fantibuslatico (apetece-me inventar) e mais não digo, inventem vocês também!



Leitura terminada... já se seguem mais resenhas.
Boas Leituras pelo imaginário de Lisboa