segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Novidade Companhia das Letras :: "MEIO HOMEM METADE BALEIA"

Num mundo em que a desumanização parece irreversível, um muro divide os homens.


Jonas e a sua jovem filha Aliss são conduzidos ao longo do imenso muro por um homem chamado Servantes. A missão é levar água aos menos favorecidos, talvez electricidade. Funcionário de uma organização internacional, Jonas debate-se com o ritmo hesitante da missão. O longo muro, o clima e a distância alimentam dúvidas sobre o significado de civilização, mas Jonas vai avançando, confortado pela pequena coragem das rotinas repetidas.

Enquanto isto, a filha torna-se mulher, devagar, tumultuosamente.

Aos desamparados, no entanto, não chegou ainda a água.

Uma desconstrução dos lugares confortáveis do Ocidente, Meio homem metade baleia é uma narrativa notável que convida a uma poderosa e necessária reflexão.

O que diz a imprensa:

«Uma poética que arrisca alimentar e transcender o esquema das oposições, num exercício invulgar, notável e vertiginoso, que conduz  a literatura para um lugar novo. Há-de marcar a poesia do nosso tempo pela sua originalidade, pela sua contundência, pela qualidade, pela novidade.» 
José Tolentino Mendonça, a propósito de História do Século Vinte

«Um primeiro livro que já impõe o nome do autor: História do Século Vinte, de José Gardeazabal.» Nuno Júdice 

«O que mais surpreende nesta História do Século Vinte, brilhante livro de estreia, distinguido com o Prémio INCM/Vasco Graça Moura, é a escala e o fôlego do seu projeto literário.» 
José Mário Silva, Expresso

«Uma escrita impulsiva e livre, cara a cara com os factos.» 
Jornal de Letras

 Uma novidade

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Opinião "Só nós dois"

Mantendo a tradição, o primeiro livro do ano foi o mais recente romance de Nicholas Sparks.


Vou começar por explicar que percebi mal sinopse. Ou melhor, o resumo na contracapa do livro levou-me a pensar algo completamente diferente da realidade.
Não sei se isto pode ser considerado spoiler ou não mas eu honestamente pensava que "Só nós dois" se tratava da jornada de Russell Green, um homem que ao perder a esposa se vê a braços com a dor do luto, a responsabilidade de educar a filha e levar para a frente o seu recente negócio por conta própria para assim ter dinheiro para colocar comida na mesa.
Fui só eu que percebi isso da sinopse?
Eu confesso que andei ali de pé atrás à espera que um dia a mãe saísse e algo de trágico acontecesse mas a história tomou um rumo completamente diferente, um que é muito mais comum do que o esperado.

Russell sempre foi um romântico, um homem de gestos grandiosos e de "viveram felizes para sempre". Teve paixões, teve amores mas foi em Vivian que encontrou a mulher da sua vida, aquela que lhe enchia as medidas, aquela que lhe deu a volta à cabeça. Casaram, tiveram uma filha e à semelhança de milhões de casais, ela ficou em casa a tomar conta da filha nos primeiros anos e ele trabalhava para sustentar a família. Até aqui, tudo normal. Cada casal tem a sua dinâmica. Mas nada se mantém inalterado porque nenhum ser humano é uma pedra que se mantém imóvel e imutável.

Os problemas no trabalho, a responsabilidade de educar uma criança, a falta de comunicação, a frustração, o conflito e a falta de realização pessoal, são alguns dos explosivos que minam um casamento e o de Vivian e Russ foi se tornando num campo de batalha. 
É compassadamente que acompanhamos as mudanças na vida de Russ, desde o declínio na sua relação com a mulher, até à separação que os deixa em lugares diferentes.
Mas o mais importante deste livro, embora não se possa deixar de lado um evento marcante que é uma separação, é mesmo a relação que Russ constrói com a filha.
Primeiro impingida, porque Vivian não queria que a filha fosse acompanhada por estranhos (vulgo ama ou infantário) e depois como ar que respira quando já não consegue estar em casa sem que a sua menina esteja consigo.

É enternecedor ler um livro nesta perspectiva, uma que tantas vezes falta na vida de tanta gente.
Quantos homens podem dizer que ficam sozinhos com os filhos? Quantas homens sabem tratar de tudo na vida de uma filha? Quantas de nós somos responsáveis pelo alheamento que tantos pais demonstram pelo dia a dia dos filhos porque teimamos em sermos nós a tratar de tudo?
Xi...nem vou entrar por aqui.

O que quero dizer é que gostei muito de ler este livro. É bom ler um romance cujo o principal foco não é um casal. Na realidade, embora a relação de Russ com a filha seja a peça central da história, são as outras peçinhas que encaixam à volta que me conquistaram. Principalmente a da sua família, ESPECIALMENTE a da sua irmã e o laço que partilhava com ela.

Entre momentos de lágrima no canto do olho aos outros em que me apeteceu espetar dois tabefes na mulher dele (e por vezes nele), "Só nós dois" prova que o Tio Nicholas sabe o que o seu público quer e uma vez mais presenteia-nos com um romance que nos faz sorrir, adorar personagens e expressar uma panóplia vasta de sentimentos em quase 600 páginas.

Ainda bem que decidi criar esta tradição, caso contrário deixaria passar para a estante da mãe algumas histórias deste autor sem nunca as ficar a conhecer.

Querem uma boa prenda para o dia do pai? 
Esta é uma delas.

Deixo-vos com a música escrita para o livro


Uma aposta

Novidade Marcador :: "Os Viajantes"

Este é o livro sequela de Os Passageiros do Tempo. 
Quem é que ficou rendido à história de Etta e Carter?


Etta Spencer não sabia que era uma viajante até ao dia em que emergiu a quilómetros e a anos da sua casa. Agora que lhe roubaram o objeto poderoso que era a sua única esperança de salvar a mãe, Etta encontra-se presa mais uma vez, longe do seu tempo e de Nicholas, corsário do século XVIII por quem se apaixonou.

Quando se vê no coração do inimigo, promete terminar o que começou e destruí-lo de uma vez por todas. Mas é surpreendida com uma revelação bombástica sobre quem é o seu pai. De repente, questionando tudo pelo que lutou, Etta tem de escolher um caminho que poderá transformar o seu futuro.

Uma novidade



quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Novidade Alma dos Livros :: "Água Profundas"

Debaixo de água, o corpo ficou imóvel. À superfície, o pesadelo estava a começar.


Debaixo de água, o corpo afundou-se rapidamente. Ali permaneceu, imóvel e imperturbável durante muitos anos, mas, lá em cima, fora de água, o pesadelo estava apenas a começar.
Quando a detetive Erika Foster recebe uma denúncia anónima informando que uma prova fundamental relacionada com um caso de narcóticos estava escondida numa pedreira abandonada nos arredores de Londres, ela manda investigar a pista. No espesso lodo das águas encontram as drogas que procuravam, mas também os restos mortais de uma criança pequena. O esqueleto é rapidamente identificado como Jessica Collins, a menina de sete anos que fizera as manchetes das notícias vinte e seis anos antes.

Ao mesmo tempo que tenta juntar provas novas à investigação, Erika depara-se com uma família que guarda muitos segredos, uma detetive atormentada pelo fracasso e a morte misteriosa de um homem que vivia junto à pedreira. 

Será o assassino alguém dos elementos mais próximos da menina? Há quem não deseje ver o caso resolvido. E tudo fará para impedir Erika de descobrir a verdade

Uma novidade


Primeiros livros da Série

Novidade Topseller :: "Verão em Edenbrooke"

À venda a 22 de janeiro!


Romance e aventura numa história encantadora, ao estilo de Jane Austen.

Marianne Daventry seria capaz de tudo para escapar ao tédio de viver em Bath e às investidas amorosas de um pretendente indesejado. Por isso, quando a sua irmã gémea, Cecily, a convida para passar o verão com ela em Edenbrooke, a maravilhosa propriedade rural de uns amigos da família, ela nem hesita em aceitar.

Parte assim para a casa de campo, pensando que poderá finalmente relaxar enquanto a irmã tenta conquistar Philip, o encantador herdeiro da propriedade. Mas rapidamente descobre que até os melhores planos podem correr mal.

Desde ser vítima de um assalto terrível até ter de ignorar sentimentos indesejados que começa a sentir pelo anfitrião da casa, Marianne vê-se enredada numa grande aventura, repleta de romance e intriga, que a deixará completamente desorientada.

Conseguirá Marianne conter o seu coração, ou irá um estranho arrebatá-lo irremediavelmente?

«Uma belíssima história de amor que irá aquecer o coração do leitor.»
Publishers Weekly

«Um romance de estreia delicioso e arrebatador.»  
Publishers Weekly

Uma novidade

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Opinião "A Coroa" - Último livro d'A Seleção


Depois de devorar de rajada cada um dos livros correspondentes à Seleção do Principe Maxon, não foi de ânimo leve que fiquei a conhecer a continuação da história, 20 anos depois com a sua filha Eadlyn. A miúda não me entrou nos estreitos! Vocês leram a minha opinião ao "A Herdeira". Eu tentei ver o ponto de vista dela mas como disse, fiquei com mixed feelings. Honestamente, não diria que ela tinha sido produto da união de Maxon e América.
E depois, os miúdos que foram selecionados para o seu processo de seleção simplesmente não me ficavam na memória. No entanto, o final do quarto livro deixou-me bastante curiosa para saber o que se passava a seguir, quer devido a eventos com a família real, quer para saber quem é que no final a Princesa iria escolher para estar ao seu lado quando assumisse o seu papel de Rainha. 

Dividida entre o trabalho que dá assumir o lugar do pai e a necessidade de restaurar a confiança do povo na realeza, Eadlyn tem ainda de tomar uma decisão sobre quem sairá vencedor e dono do seu coração, corpo e alma no final da seleção. Pressionada para acelerar o processo, as dúvidas são muitas mas as reviravoltas, umas mais esperadas que outras, acabam por colocar em movimento um desfecho que nos faz sorrir e pensar que afinal havia maneira de salvar a miúda que fiquei a conhecer no livro anterior.

"Amor. Tal como as roupas, tinha percebido que se tratava de algo que não servia exatamente da mesma maneira a duas pessoas diferentes. Ainda não sabia o que essa palavra significava para mim, mas sentia que, mais cedo ou mais tarde, ficaria totalmente definida. Tudo o que restava era saber se eu poderia ficar satisfeita com a definição."

Definitivamente este "A Coroa" foi mais ao meu gosto e embora tenha ali uma ou outra coisa que me fez revirar os olhos, tenho de admitir que gostei bastante do final. Posso até dizer que assim "sim, esta princesa/futura rainha é filha da mãe" e do pai também.
Por vezes é muito difícil ler uma continuação de uma história que gostámos muito e que por nós tinha terminado lá atrás, no terceiro livro. Temos receio que não façam jus à personagem que tanto adorámos, que a história que se segue seja sem sentido ou só para "encher chouriços". Curiosamente acho que foi importante rever as personagens d'A Seleção e conhece-las no seu papel adulto. Acima de tudo foi bom ficar a conhecer os filhos de Maxon e America, assim como dos outros. 

Continuo a dizer que isto dava uma série muito fixe mas com tantas que existem por aí, será que vingava?
Eu cá posso dizer que adorei ler A Seleção.
E continuo a dizer que é ao início era a versão palaciana do Hunger Games :P

Relembro a opinião aos restantes livros da série

"A Herdeira"

Uma aposta

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Novidade Bertrand :: "Não é bem Namorar"


Jessica, empregada de mesa e mãe solteira, é uma mulher prática e cautelosa. O seu foco é o filho e não quer namorados. A menos que fosse um homem rico, que pudesse dar estabilidade e conforto à família. 
Quando lhe aparece Jack Morrison, um bonitão de cair para o lado mas que parece andar sempre falido, Jessica resiste. 

Na verdade, herdeiro de um hotel de luxo, Morrison está habituado a que se aproveitem de si. Por isso esconde a sua identidade e oferece-se para ajudar Jessie a encontrar um namorado rico.
Mas será que esta brincadeira parva o vai fazer perder a mulher que ama?

Uma novidade

Novidade Topseller :: "Quase Adulta"

À venda a 22 de janeiro!


A perfeição é entediante; o interessante é o caminho até lá se chegar.
Quando lhe perguntam quem é, Andrea Bern tem a resposta na ponta da língua: ela é designer, nova-iorquina, amiga, filha e irmã.
Mas, nas entrelinhas, percebe-se a sua verdadeira natureza: ela é quase quarentona, quase artista, quase à deriva, quase adulta. À sua volta, as pessoas arquitetam a vida tal qual os padrões que as revistas e as séries de TV populares comandam.
Mas há muito que Andrea deixou de perseguir esse sonho e de ter expetativas irreais sobre a sua vida. Contudo, quando a sua sobrinha nasce com uma doença incurável, Andrea e a família têm que rever prioridades.
Pela primeira vez, ela é forçada a fazer algo impensável: a preocupar-se com os outros.


Ideal para fãs de O Diário de Bridget Jones e O Sexo e a Cidade.

Selecionado para várias listas de melhor livro do mês, incluindo as revistas Elle e Vogue UK, o jornal Chicago Tribune, o site Book Riot e a Amazon

Uma novidade

Opinião "Amor com travo agridoce"

Quando li a sinopse de "Amor com travo agridoce" pensei "opah isto vai dar pano para mangas".
Uma amante de lingerie e entusiasta boleira embeiça-se por um top Chef de cozinha com fama de rufia.
Que mais posso dizer? 
Estavam ali todos os ingredientes para uma suculenta sobremesa, daquelas de lamber colher, dedos e prato. Mas à semelhança do que já me aconteceu tantas vezes, faltou fermento ou aquele ingrediente chave que torna o bom em extraordinário. 


  Conhecemos Daisy no dia a dia entre casa, cuja a renda luta por pagar, e a loja de lingerie vintage na qual trabalha. O seu grande sonho era conseguir publicar o livro que passou os últimos dois anos a preparar mas o vasto conhecimento sobre lingerie não vai fazer de Daisy uma autora publicada. No entanto, a sua "Big break" é capaz de estar para breve, ou assim prevê o seu agente literário que a manda, à semelhança do que deve acontecer com muita gente que leva o seu projecto ao mundo editorial, apimentar um pouco as coisas, criar uma história que incorpore os seus conhecimentos, as suas paixões e um ingrediente secreto.
Por entre bolos e ideias, Daisy decide ser arisca e aceitar um convite que não lhe era destinado, colocando no seu caminho o conhecido e controverso Michael Amiel, um cozinheiro francês que tem tanto de interessante como de cliché.
Entre uma carreira que já teve melhores dias, uma mudança para a capital inglesa e uma namorada que o leva a tribunal, Amiel tem as mãos cheias e parece resolver isso com confusão e copos, chegando até a ser salvo por Daisy numa ou outra ocasião.

E é num momento espontâneo entre ambos que a grande ideia surge na cabeça de Daisy e Lucy Lovecake começa a ganhar forma. Uma personagem bem feminina que dá concelhos sobre encontros, lingerie e receitas mas que até à data de lançamento terá de se manter secreta. E uma vez colocado o bolo no forno, não se pode espreitar ou tudo corre o risco de ruir.
Poderá o segredo do seu projecto, concorrente (de certo modo) com o de Amiel, arruinar as possibilidades entre eles?
Estará Daisy preparada para açambarcar todas as atenções que inevitavelmente o seu livro lhe trará?
Haverá volta a dar uma vez que o mal esteja feito?
Ficará a sobremesa empapada ou seca, sem graça?

Como disse, "Amor com travo agridoce" tinha todos os ingredientes para ser super saboroso. A personagem amorosa, o bad boy com um lado soft (e que sabe cozinhar!), a sedução pelo estômago, a possibilidade de descrições entre rendas e sedas sensuais, a competição pelo coração de Daisy, a melhor amiga que ajuda e precisa ser ajudada, o ex ranhoso, epah....TANTA COISA.
Mas...por mais que tenha gostado do fim e de dois ou três pontos, não fiquei inteiramente satisfeita.
Será que estou a ficar menos susceptível a romances? 
Acho que os policiais e thrillers estão a conseguir virar-me o miolo.

Isto também resultava muito bem como uma daquelas comédias românticas com um chef giro e uma cakemaker com um toquezinho pin-up.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Opinião "Uma Vida Alemã"

Quantos de nós, impávidos e serenos, não passamos todos os dias ao lado de coisas que requerem a nossa máxima atenção e compreensão. 

Uma pessoa está a ser maltratada na rua!! 
"Ui passa ao lado que isto não é nada contigo." 

Explode uma bomba em Times Square!!
"Xixa...enquanto for lá e não aqui, estamos bem, não é?" 

Com isto dos mísseis pode rebentar a terceira guerra mundial!!
"Ai que chatice, aquele Trump só faz trampa. Olha será que hoje a telenovela dá à mesma hora de ontem?"

Parece-vos familiar? Somos nós. Eu, tu, a tua prima, o teu irmão, o teu vizinho, a dona do café, a senhora à tua frente no comboio, o homem que vê uma série sossegadinho no metro, a rapariga que fala melhor sobre os últimos 5 livros que leu do que sobre o estado em que o mundo está. O mundo vive em ciclo vicioso e nós estamos nesta roda de rato de onde dificilmente conseguimos escapar.
Brunhilde era um rato na roda Terceiro Reich e nada fez contra o horror que foi aquele período da história. Na realidade, ao longo seu relato bastante honesto e real, ficamos com a impressão que além de não saber o que se passava, não parece sentir culpa pelo sucedido. 
Será que alguma vez encolheu os ombros ao sabor do pensamento "eles dão as ordens, eu só estou a fazer o meu trabalho" enquanto se levantava para ir buscar mais um cafézinho. Soa semelhante? Ahh pois, fazemos o mesmo, certo? Seguimos a nossa vida enquanto o mundo à nossa volta vai afundando lentamente. 
Ler o relato da ascensão pessoal de Brunhilde Pomsel de miúda sem graça a secretária de um dos grandes nomes do partido nazi é agoniante, à falta de melhor palavra. Damos por nós a pensar "Como será que esta senhora não via o que acontecia à sua volta" mas depois há que ver até que ponto faríamos diferente. Na realidade, ela acusa-nos de isso mesmo. 
É uma pena que o ser humano aprenda tão pouco com os seus erros e este livro pretende ser exactamente isso, um aviso para o futuro (ou o presente).

Será que mesmo depois da leitura deste livro, poderei eu olhar para os meus erros e aprender com eles? Será que perante atrocidades, sejam elas quais forem, eu vou virar as costas e fingir que não é nada comigo?
Só o tempo o dirá! Bem, o tempo e a consciência.

Para todos os "interessados" nesta época em especifico, acho que este é um relato interessante, um "olhar por dentro" e que ficará bastante completo com o visionamento do documentário com o mesmo nome.

"Uma vida alemã" é uma aposta

domingo, 7 de janeiro de 2018

Opinião "O Homem de Giz"

A 16 de Janeiro nas livrarias.

Pequenas figurinhas desenhadas no chão e nas paredes. A principio, inofensivas e divertidas mas com o passar do tempo tornam-se sinal de agoiro e perseguição. Onde nos levam os pequenos homens de giz? A um grande livro para começar 2018. 

Conhecemos Eddie no presente, a tentar explicar onde é que tudo começou e a olhar em volta para o que ele é hoje. Na casa dos quarenta, a viver na mesma casa e cidade que o viu crescer, Eddie ainda partilha, de vez em quando, uma cerveja com amigos de infância que são mais um hábito que uma ligação. O passado em comum é pesado e os acontecimentos que datam de 1986 nunca foram esquecidos.
Não querendo estragar a história ao revelar demasiado, posso dizer o seguinte:

A camada de inocência que nos protege do mundo vai ficando mais fina a cada ano que passa, a cada dor que sentimos, a cada segredo que guardamos e a cada amigo que perdemos.
No verão de 1986, Eddie Munster, Gav Gordo, Hoppo, Metal Mickey e Nicky vão sentir o que resta do seu véu inocente desaparecer a cada traço de giz que encontram.  Quando confrontados com a morte chocante de um membro da comunidade,  que verdades serão reveladas? Que segredos esconde este grupo?
O que poderá voltar agora para os atormentar?


E mais não digo!!
Posso é dizer que ADOREI ESTE LIVRO!
 Acima de tudo gostei do modo como a narrativa, contada entre 1986 e 2016, nos deixa em suspenso e a criar conjeturas sobre o que realmente se passou. Quem morreu? Quem foi o culpado? Que segredos escondem Eddie e os amigos? Que verdades permanecem perdidas no tempo?

Acreditem quando vos digo que por vezes é muito complicado escrever sobre um livro que gostamos.  Não consegui escrever nada durante uma semana inteira. Nem uma única linha.
Ainda estou a pensar no final.
A pensar em como esta história toda surgiu na cabeça da autora porque alguém ofereceu à filha um balde com pau de giz :)
Ahh a inpiração. 
Como é que dizia Picasso?
"A inspiração existe mas tem de te encontrar a trabalhar".
E que belo trabalho foi este "O Homem de Giz".

Uma aposta

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

«O Assassino do Crucifixo" de Chris Carter :: Opinião


A par com outras leituras este foi o livro escolhido para ler num ápice, tal como gosto de fazer, nos finais de ano. E foi uma excelente escolha. A leitura foi tão viciante que na manhã de 31 acordei mais cedo só para terminá-lo.
Sou fã dos policiais da Topseller e acredito nas escolhas da editora, ainda assim, sendo seguidora da série criada por Arlidge ainda não me tinha dedicado à deste autor americano, Chris Carter. Mas em muito boa hora o fiz e espero acompanhar as próximas investigações de Robert Hunter.

Em «O Assassino do Crucifixo» temos um policial muito bem conseguido. A acção apimenta-se logo de início, ficando o leitor a saber que os detectives irão ter a vida em perigo e que o assassino irá jogar com a vida deles. Logo de seguida, o leitor recua mais de um mês na narrativa para se deparar com o início dos crimes, ser apresentado ao inspector Hunter que desperta de uma noite na companhia de uma mulher que não conhece e a primeira cena chocante e violenta provocada pelo assassino do crucifixo.

A violência das primeiras imagens que são dadas ao leitor só devem ser desvendadas no acto da leitura e não aqui como spoiler ou demonstração da crueza e a crueldade do assassino, no entanto, a segunda mantêm essa mesma brutalidade, chegando a arrepiar o leitor e fazendo-nos pensar no que virá a seguir. 
Ainda assim, este policial não se alimenta só de cenas brutais, o autor coloca uma parelha de detectives, que conseguem, de uma forma sarcástica, gozarem-se um ao outro e divertirem o leitor, enquanto fazem piadas, mas também quando a acção avança e a violência escala a outros patamares que já os coloca em perigo. 
Para além disso, coloca a vida social de L.A. no centro da acção, juntamente com a droga e o crime organizado da prostituição, que se vai misturar com diversas vidas particulares e em nada envolvidas com esses meandros, atribuindo assim diversas camadas ao livro. E sem esquecer a camada psicológica, seja na explicação, aqui e ali, das motivações para a psicopatia ou a sociopatia e o quanto esse estudo pode afectar os psicólogo criminais; bem como as principais diferenças que separam, em estilo e motivo, os crimes cometidos por homens e mulheres.

O livro tem ainda uma conversa de engate entre Isabella e o detective que fará as delícias de qualquer bom observador que se perde nestas observações amorosas e a descrição de uma morte incrivelmente estúpida que só pode levar o leitor a gargalhadas sonoras. E ainda um cheirinho do Brasil que o autor traz da infância e que colocou no parceiro de Robert, o maçarico Garcia.

Um policial mesmo como eu gosto e que me deixou com muita curiosidade pelos seguintes.


*

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

«MEA CULPA» de Carla Pais :: Opinião


Carla Pais venceu em 2016 o Prémio Literário Revelação Agustina Bessa-Luís, com este romance «Mea Culpa», agora publicado pela Porto Editora. O júri qualifico-o como “um romance realista e telúrico”, o que só por si já me chama à atenção. Sou fã desse lado telúrico e da linguagem que traz agarrada a si, a terra e as suas gentes, mais simples, talvez mais sombrias, mas também mais carregadas de matéria literária. Sou por isso fã de José Riço Direitinho ou Carlos Campaniço, que nos trazem enredos em torno da terra, da gente e das histórias que sentimos saírem da boca de velhotes que se amparam na bengala e ajeitam a boina. É dessa mesma casta que me parece que Carla Pais conseguiu tecer o seu primeiro romance e nos dá a conhecer Amadeu Jesus, homem nascido do lado de lá da ponte, o lado errado. 

No mesmo ano, a autora candidatou-se à Antologia de Contos do Centro Mário Cláudio, com o conto «O Búzio do meu pai» que integra a Colectânea «A Criança Eterna» publicada em Outubro de 2017. Esse conto foi lido primeiro que este romance e deixou-me logo com um bom prenúncio para a capacidade da autora em levar o leitor até às dores dos personagens. A forma como apela ao lado mais emocional do leitor é feito através de descrições incisivas, escolhendo muito bem as palavras com que espeta o leitor e o faz avançar dentro da acção.

As dores dos personagens são, a meu ver, o principal enredo deste livro. Todos eles sufocam nos males que os condenaram a vidas cheia de segredos e ocultações. Uns por nojo, outros por medo, outros por condição social... A história tem contornos conhecidos e já ouvidos em muitas aldeias. Os abusos que os perpetuadores julgam escondidos pela geografia mais recôndita são, infelizmente só ao fim de muitos anos, revelados pelos medos mais próximos do julgamento final. O julgamento e a condenação, muitas vezes fruto da opinião e olhares alheios, alteram as vidas drasticamente. São esses injustiçados que Carla Pais acolhe e poetiza. 

"O vento é uma mão que guia os pés cegos

A esposa do senhor presidente vem outra vez nua pela rua. Traz um lenço de linho branco suspenso na ponta dos dedos, abre muito a boca, mas o grito não sai, não se ouve nada para além do vento que bate na bainha do lenço e sacode a mágoa dos olhos. A cobardia da boca pede silêncio e ela cede, fica presa naquele longo refreio que se instala na contracurva do medo. Desta vez a rua está deserta e a taberna fechada, porém há uma enorme sombra a cobrir a praça, uma sombra que fuma charuto e envenena o ar, mas ela já não tem medo, nem frio, nem nada. Tem apenas o nojo a subir a garganta e então tosse, tosse para que as palavras e os gritos embolados na vesícula biliar se escapem na debilidade de um soluço, na contracção de um músculo que a faça chorar." 

*

Uma aposta PORTO EDITORA.

«Mal me quer» M. J. Arlidge - Opinião


" - De joelhos!
Emilia sentiu os canos da arma cravados na nuca e atabalhoadamente ajoelhou-se.
- Olhe para o chão.
- Eu não conto nada à Polícia, prometo. Faço de conta que nunca aconteceu...
- Acho que já vamos um bocadinho para lá disso, não?"

Voltar a Arlidge é como seguir uma novela sombria, recheada de acontecimentos sinistros e personagens que já conhecemos e queremos rever. Helen Grace ou Garanita são as minhas favoritas e neste «Mal me quer» continuamos a acompanhar ambas numa reviravolta do seu percurso, pessoal e profissional. Helen regressa ao trabalho, depois de um período presa, no livro «Na boca do lobo» e Garanita que se vê perdida nos meandros dos jogos que sempre jogou para subir na carreira. 

Talvez este rol de crimes sangrentos que têm palco em «Mal me quer» sejam menos tenebrosos para o leitor viciado e que acompanha a saga desde o início pois em nada se liga a Helen e não explora os seus fantasmas. Ainda assim é interessante ver o efeito desastroso do abandono, expondo friamente a capacidade de desapego e mente fria de uma adolescente. 

O regresso de Helen ao trabalho está muito bem conseguido, dando à inspectora um rol de dúvidas, baixa auto-estima e uma dúvida constante das suas capacidades em continuar a gerir a sua equipa.

"A dor percorreu-lhe o corpo e de repente Helen acalmou. Olhando para baixo, viu a sua mãe ferida, os nós dos dedos rasgados e assanhados. Amaldiçoando-se, (...)Ao fazê-lo, olhou para cima para o espelho. Tinha uma fenda grossa a atravessá-lo ao meio, distorcendo-lhe o reflexo, transformando-a numa louca disforme."

Talvez este não seja dos livros desta saga que mais vá arrepiar o leitor. Não tem recantos tão bicudos ou pautados por ideias ou emoções que chocam, ainda assim, o motor que desencaminha a adolescente é transversal a muitas família e isso talvez toque inúmeros leitores que são pais. Por isso, o hábito de Arlidge nos dar personagens destroçadas e despedaçadas continua e bastante bem. 


*
Um livro TOPSELLER.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Opinião "A Troca"


Os livros de Nicky Pelegrino deviam trazer um autocolante na capa "CUIDADO! Esta leitura pode criar fortes desejos de se mudar para Itália"

Engraçado como um livro nos vem parar às mãos e acaba por ser exactamente o que queríamos ler. O que melhor do que uma viagem ao Sul de Itália para umas férias de sabores, novas amizades e descobertas pessoais? Só mesmo ir lá e viver as coisas por nós próprias.
O meu saudismo por Itália é eterno. Pergunto-me sempre quando é que lá volto. Pergunto-me o mesmo que a personagem, "se ficasse cá a morar, será que continuaria a adorar Itália?"
Posso estar enganada mas eu acho que sim.

Stella não se recorda do momento em que a sua vida não se organizava entre trabalho no atelier da estilista Milly Munro, a movimentada cidade de Londres e o seu dia a dia pacato de recém divorciada.
Mas no momento em que o atelier fecha devido à morte repentina da sua amiga e chefe, Stella fica um pouco perdida no mar alto, sem grande rumo.
Quem nunca se sentiu assim que mande a primeira pedra. Sem trabalho, sem planos e sem vontade. 
Mas tudo muda quando Stella, num acto de decidida loucura, se inscreve num site de troca de casas e entre um sítio em Madrid, outro em França e uma Villa no Sul de Itália, dá por ela a concordar trocar de casa um arquitecto paisagista napolitano que nunca viu e que irá ficar na sua casa em Londres enquanto trabalha num projecto.
Quem nunca viu aquele filme divertidíssimo com a Kate Winslet e a Cameron Diaz e que costuma passar no Natal?
Vá lá, sabem qual é. "O amor não tira férias".
"A  Troca" lembrou-me isso mesmo só que numa estação diferente. :D

A mudança de Stella para Triento, uma pacata Vila na Costa Italiana começa num compasso lento mas rapidamente ganha contornos capazes de transformar esta estadia em Itália num momento inesquecível, ou até mesmo, num ponto de viragem.
Se foi capaz de virar as costas a Londres, o que será que a prende lá? 
Qual o sentido da sua vida actual? Para onde se quer dirigir?
Será que está bem sozinha ou já se acomodou a uma situação que acha que não pode mudar?

"A Troca" é uma jornada de descobertas, individuais, colectivas, auto impostas e impingidas 
São estes tipo de histórias que fazem pessoas ponderar com os seus botões se não seriam capazes de fazer o mesmo. 
E as personagens que rodeiam Stella são muito interessantes, especialmente as novas amigas a o seu parceiro de troca de casa.
Nicky Pelegrino foi uma estreia para mim e uma muito interessante.
Acho que sempre que quiser voltar a Itália sem sair do meu lugar, vou procurar um livro dela.

Sugestões para quem gostou deste livro e quer matar saudades de Itália
Aqui fica um filme cheio de clichés italianos :P 
E outro para dar um passeio romântico.
Qual é o vosso filme para matar saudades de Itália? :D

Um livro

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Novidade Editorial Planeta :: "O Fruto Proibido"

O Fruto Proibido, tal como romance anterior O Protector, não faz parte de nenhuma série, é um único livro.


O que fazer quando não conseguimos controlar
os nossos sentimentos por alguém?
Quando sabemos que não devemos ir por aí?
Nem na nossa cabeça?

Annie nunca tinha experimentado a «faísca» com um homem — essa espécie de química instantânea que corta a respiração e nos ofusca. Até que uma noite de festa com os amigos a põe cara a cara com o sexy e misterioso Jack. Não é uma simples faísca que salta entre os dois. É uma explosão. Jack
promete consumir Annie, e cumpre a promessa.

Avassalada pela intensidade do encontro, Annie foge do quarto de hotel onde passaram a noite juntos.
Tem a certeza de que um homem que teve um tão forte impacte nela e a vergou tão facilmente à sua vontade só pode ser perigoso. Mas já se envolveu demasiado fundo. E Jack não é só perigoso. É
proibido.

Uma novidade

Opinião "Passa a noite comigo"


Antes de começar, tenho de vos confessar uma coisa. Deixei este livro de lado durante mais de uma semana e li outros dois livros pelo meio, algo que simplesmente nunca faço. Pela primeira irritei-me com uma história da Megan. Começou tão bem e depois pensei "raios, não tenho paciência para o jogo do rato e gato, para o brasileiro e a irlandesa. Vou ler outra coisa".
No entanto, o raio do livro chamava por mim, dizia-me "vem, anda, tu sabes que queres ler mais, tu sabes que te vais roer toda se não acabares a leitura"
E assim o fiz!
Não tenho emenda mas acho que não consigo dizer não a estas personagens da Megan, mesmo quando uma parte de mim se irrita quando ela trata toda a gente pelas suas nacionalidades ou repete muita vez a mesma coisa.
A realidade é que gostei imenso de ler esta desbocada e quente história entre a esquiva Lola e o bonzão do professor Dennis.

Como mencionei, a história começou tão bem. Lola e Dennis conhecem-se em viagem, sem nunca pensar que um dia se voltariam a encontrar. Uma situação de vida ou morte leva-os aos píncaros e cria em ambos uma ligação especial, daquelas que nos faz sorrir e nos aquece por dentro durante muito tempo. Mas esse momento foi uma coisa rápida e cada um seguiu com a sua vida, até ao dia em que se voltam a encontrar e percebem que não só têm de conviver um com o outro, como uma parte do que se falou é mentira. Lola não é assim tão livre como fez parecer e ligação que existe entre ambos não pode ganhar asas.
Mas se fosse sempre tudo assim tão simples, tão fácil de negar. Há tentações que a razão não consegue fazer frente.

Numa coreografia de avanços e recuos, Lola e Dennis vivem uma escaldante paixão que sofre com as personalidades inflexíveis de cada um e com os detalhes complicados da vida de ambos, especialmente de Lola.
Quando se vive toda uma vida de fachada, o que fazer quando aquilo que mais queremos é pular a cerca e ser felizes?
Quando uma parte de nós vive em segredo, estamos a agir correcto por quem? Por nós ou pelos outros?

Dennis sempre balançou de mulher em mulher, de uma aventura escaldante para outra ainda mais ardente mas pela primeira a sua cabeça só se foca numa mulher.
Já Lola nunca pensou que a vida pudesse rodar em piruetas constantes com a entrada de Dennis na sua vida, afinal a sua existência sempre foi desprovida de paixão, excepto quando dança.
A questão é, será que não vão acabar os dois estatelados no chão, machucados e doridos de tanto lutar por esta loucura chamada amor?
O será que isso é que vai fazer tudo valer a pena?

"O amor não é o que desejamos sentir, mas sim o sentimos sem querer"
Agora vou ficar sentadinha à espera que chegue o próximo. Quero ler a história do irmão de Lola. Ai senhor Comandante, leva-me às nuvens :D

"Passa a noite comigo" é uma novidade

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Opinião "O Tabu Mais Doce" - 3º Livro da série S.I.N

Oh J. Kenner, gosto tanto de ler os teus livros!
E a série S.I.N não foi excepção :) 


Quando comecei a ler "O segredo mais sombrio", o primeiro desta série, fiquei curiosa com a premissa do "irmão e irmã juntos". Lembro-me de pensar "Wow Julie, foste longe de mais" mas com o passar das páginas fiquei rendida à história de Jane e Dallas, os falsos irmãos, com seu passado sórdido repleto de segredos, raptos e cicatrizes profundas.
Havia aquele lado proibido, porque na realidade são irmãos adoptivos mesmo que não haja qualquer laço de sangue os una mas por outro, havia a forte ligação que criaram entre si e sempre os tornou infelizes por se terem de manter longe um do outro. Até ao momento em que acabam por mandar tudo às urtigas e lutar para ficar juntos.

Chafurdar nesta relação proibida aos olhos do mundo mas tão certa para o coração destes dois, foi uma leitura do mais escaldante possível, mesmo quando o fogo era só de vista.
É verdade que dizemos, se alguém se ama, deixem-nos ser felizes mas até que ponto aceitamos todos esses amores?
Onde estabelecemos o limite? Na diferença de idades, no géneros, no grau de parentesco emprestado como era o caso e Jane e Dallas?  O destino uni-os sob o mesmo tecto mas Jane e Dallas forjaram a fogo uma ligação que transcende a que lhes foi atribuída. Juntos eram o melhor da vida um do outro mas ao olhos do mundo, incluindo da sua família mais próxima, eram uma abominação, um crime à espera de acontecer.
E neste último capítulo, este romance não é o único crime que acabamos por ficar a conhecer.
Preparem-se para ficarem a conhecer a verdade e ela não podia ser mais dura.
Depois de provações e provocações, Jane e Dallas são capazes de ter direito a um pouco de paz de espírito, como sempre acontece no final de cada série.
É uma pena mas chegou ao fim a história da Jane e do "mano" Dallas.

Adoro a maneira de J Kenner escrever, no entanto penso que este ultimo capitulo passa a correr, talvez porque eu já tinha adivinhado o final 😊 assim lá para meio do segundo livro ahaha
Mas adorei ler mais uma das série da Julie e não vou deixar passar muito tempo para ler a que me falta (Stark International - Chama-me, Recebe-me, Envolve-me )

Opinião aos dois primeiros livros da série



sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Opinião "A Menina Silenciosa"

Quando me dizem "apetecia-me ler um policial daqueles bons" eu imediatamente penso "será que já conheces a série do Sebastian Bergman?" 
Talvez por isso já tenha perdido a conta ao número de vezes que sugeri a leitura/compra da série de Hjorth & Rosenfeldt ao longo destes quatro espectaculares volumes que já foram editados em Portugal. 


 Quem nunca leu nada, faça o favor de parar por aqui e ir ali ao lado ler a opinião ao primeiro livro. Se é para ler, favor ler por ordem! Cada caso é um caso mas a parte mais sumarenta é realmente a vida pessoal de cada elemento da Riksmord, especialmente de Sebastian. E se como eu não têm perdido um livro da série, devem estar em pulgas para começar a ler "A Menina Silenciosa", especialmente depois daquele final. Mas antes disso... vamos lá manter o suspense e falar do caso.

 Uma família foi brutalmente assassinada na sua casa na pacata vila de Torsby, nas montanhas de Varmland. Pai, mãe e crianças de pijama, numa pacata manhã a tomar o pequeno almoço, acabam todos mortos a tiro... A Policia local tem em mãos um caso, que por mais macabro que seja, parece de fácil resolução até que o único suspeito aparece morto. E a única testemunha desapareceu para dentro de si mesma, tal foi o trauma que vivenciou. 
Uma vez mais a Riksmord é chamada para tomar conta de um caso e retirar as camadas que só na cabeça de alguém fora de si justificariam assassinar crianças inocentes. 
E oh, que camadas! 
Tinha saudades de ler um destes! 
Sabem que gosto bastante que os policiais me passem a perna mas também tenho momentos em que gosto de perceber tudo rapidamente e lá para meio do livro dizer "ah ah, já sei quem é!". 
O desespero é um poderoso aliado da loucura e este caso é prova disso.


 Enquanto deslindamos a trama que o caso de "A Menina Silenciosa" nos oferece, temos igualmente a oportunidade de aprofundar a história de cada um dos membros da Riksmord. 
Se querem saber o que se passou com Ursula vão ter de ler! ahhaah 
Quantos aos outros, é Sebastian sempre o ponto fulcral de toda esta série. Todo o trauma que o torna tão imoralmente interessante, ganha novos contornos quando existem crianças envolvidas no caso em que a Riksmord trabalha e para o qual Sebastian contribui com esporádicas tiradas de génio.
Mas será que sou mázinha em dizer que desde "O Discípulo" que ando de olho em Billy e o vulcão que se tem vindo a criar dentro dele e que mais tarde ou mais cedo irá rebentar? Não, não sou mázinha e não devo ser a única. À semelhança do primeiro livro, que é um dos meus preferidos, gostei bastante do caso e do debate moral com que somos confrontados. No entanto, fiquei novamente na pontinha da cadeira a desejar que o quinto não demore muito a chegar, não depois daquela cena pela calada da noite. O que as sombras escondem... :D
FALTA MUITO?
Eu sei que falta mas vou ficar aqui sossegadinha à espera :D

A série de Hjorth & Rosenfeldt é uma aposta

Opinião Segredos Obscuros . ElsaR e EfeitoCris

Opinião O Discípulo . ElsaR

Opinião ao "O Homem Ausente"

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

«Pastoralia» de George Saunders - Opinião


"Os seus sonhos de infância tinham sido bonitos, alimentara tantas esperanças, não queria acreditar que se transformara num zé-ninguém, embora, por outro lado, quem mais além de um zé ninguém passaria os melhores anos da sua vida a insultar uma fotocopiadora?"

É com Morse, numa reflexão de meia idade, no conto «As Cataratas» que podemos abrir as hostes para estes seis contos de Saunders, Man Booker Prize deste ano, que explora de forma coloquial, satírica, ácida e absurda, vidas nos seus mais variados estados do quotidiano. Se o aborrecido das crises existenciais é por vezes retratado com questões profundas, aqui o dilema chega de forma inesperada e divertida. 
O mesmo se passa nos restantes contos. Há em todos um traço de ridículo que encaminha o leitor numa curiosidade que se poderia chamar de mórbida, pois em alguns parece que o fim pode estar no virar da próxima página. E no entanto, as descrições loucas continuam e o leitor flutua entre uma dose de realidade duvidosa e um humor negro e alucinogénio. 

"Cedo na manhã seguinte estava sentado na banheira, a preparar-se para o encontro. Ali estava a sua salsicha flutuante, como se fosse um animal marinho, e ali os seus cotos encostados aos azulejos verdes. Mexeu-os nervosamente de um lado para o outro, como Fred Astaire a dançar numa parede, e arrastou uma toalhinha pela a´gua, segurando-a por um canto, de forma que parecia outro animal marinho, uma raia, uma raia bordada com monograma que atravessava o território que era a sua barriga e atacava o animal marinho que era a sua salsicha."

Imaginar um homem adulto, cheio de conquistas falhadas, em constante luta com a mãe, com quem ainda mora, e um emprego de barbeiro onde a maior felicidade é poder colocar-se à porta do salão, a ver as mulheres que passam, cobiçando-as com piropos foleiros, como se elas ali passassem para um desfile privado, sendo ele o espectador principal; faz lembrar o divertido romance «Uma conspiração de estúpidos» de John Kennedy Toole. 

Os contos de Saunders são palco para todos os males e vícios actuais, as crises conjugais, as rotinas embrutecedoras, a necessidade da linguagem de auto-ajuda, os estrangeirismos para nos parecermos mais cultos e "in", a psicologia de trazer por casa como solução motivacional a crueldade do fim da infância/adolescência, os vizinhos, os colegas de trabalho, a decrepitude geral e generalizada.

"- Estou perdido! - gritou o tu. - Ando às voltas numa espécie de deserto!
- Ó Tu, chega aqui! - gritou uma rapariga do outro lado do palco, cuja tabuleta dizia «Paz Interior». - Aposto que andaste a vida inteira à minha procura.!
- Bolas, se andei! - disse Tu. - Vou já!
Mas logo a seguir apareceram mais actores no palco, com tabuletas a dizer «Choramingão». «Narcisista», «Culpa os outros pelo facto de seres gordo» e assim sucessivamente, que rodearam Tu e começaram a empurrá-lo e a dar-lhe carolos.
- Não acredito que gostas mais da Paz Interior do que de mim, ó Tu! - disse o inseguro. - Isso deixa-me mesmo magoado.
- Fracamente, nunca me senti tão desiludido na minha vida - disse o desiludido.
- Ai, meu Deus, toda esta confusão está a provocar-me um ataque de ansiedade - disse o Demasiado tenso para funcionar normalmente.
- Estou à espera, Tu - disse a Paz Interior. - Queres vir ter comigo ou não?
- Quero, mas sinto-me encurralado! - gritou Tu."

É muito bem trabalhado neste conto, «Winky» a luta interna entre desejos, necessidades, vontade própria e o tão conhecido "deixar andar", um tom permissivo que abunda e que tão associado está ao "sobreviver" e ao "tentar" Acho que é exactamente isso que estes contos pretendem relatar. Temos uma sociedade que está ocupada em tentar sobreviver, gerindo o melhor que consegue entre sonhos, ilusões e realidade. 

Realidades como a de bairro social, em «Carvalho do Mar» ou de reallity shows aí descritos e a dura realidade de se conviver com o próprio corpo e o crescimento (FIRPO) que tantas vezes se faz sem suporte familiar, havendo na mesma, a família, como último reduto quando tudo o resto falha. 

"Os comentadores de cabine por cima do salgueiro começaram a chorar quando ele se sentou ao colo da Mamã e pediu desculpa por ter sido um filho tão FIRPO e a mamã disse: Obrigada, obrigada, Cody, por finalmente admitires, isso torna tudo melhor (...)"

Nunca chegamos a saber o que é FIRPO, tal como vamos avançando nas muitas páginas de «Pastoralia» apenas desconfiando de que aquilo pode ser um trabalho, um ambiente laboral. Estranhamos e depois reconhecemos detalhes do real, do diário. É realmente uma mistura muito peculiar a que Saunders consegue, um lado humano descrito por imagens selvagens e surreais. 

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“Quando me afasto dos universos alternativos e tento ser realista à la Hemingway ou Raymond Carver, parece que estou a deixar qualquer coisa na mesa; há sempre qualquer coisa em que acredito que não teve hipótese. Gosto de histórias com alguma selvajaria. Para mim, beleza e selvajaria estão próximas, e não consigo atingir isso quando tento ir por um caminho realista. A história perde fulgor. Quero que as minhas histórias tenham um certo grau de energia. Há uma citação bonita da Flannery O’Connor: ‘Podemos escolher sobre o que escrever, mas não podemos escolher o que fazer viver’. Para mim, respeitar a arte é respeitar a força das minhas histórias, saber que há coisas que não posso decidir.” Saunders numa entrevista no Público.