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quinta-feira, 12 de março de 2015

Galveston de Nic Pizzolatto - Opinião

Depois da brilhante estreia de True Detective, chega-nos do aclamado Nic Pizzolatto este "Galveston".

Roy Cady é meio enigmático e inicialmente é difícil desassociá-lo da imagem do Detective Rust Cohle, interpretado por Matthew McConaughey, talvez até seja pela capa do próprio livro, mas também pelo semblante que se percebe desde cedo.

À medida que a acção se desenvolve vamos criando uma imagem para Roy, uma imagem própria, escura, reservada, talvez até sofrida, que se possa descobrir em futuros livros se Pizzolatto tornar este Galveston numa série.

Confesso que ainda um pouco depois das cinquenta páginas, ocorreu-me o sinuoso e meio alternativo Cobra, com a imagem poderosa de Brigitte Nielsen associada à de Rocky, nova, sedutora e capaz de alterar o rumo do homem rígido e de ideias fixas. Mas não só, a resma de badidagem italiana de camisa folclóricas e calças de fato de treino. Caricato. Melhor ainda quando misturado com a imagem de homens texanos, com aquela pinta de cowboy desafiante e decididos.

É por essa imagem que se define Roy Cady ou Big Country. E das máfias de "inspiração"italiana que também não foge à regra com violência e cenas de pancadaria e claro, algumas com torturas para justificar as vinganças tão necessárias aos ajustes de contas. É de destacar que, maioritariamente, estamos na década de 80.

Em "Galveston" há ainda a busca pela redenção, pelo lado mais humano, uma réstia que ainda sobra. Mas será pela aproximação da morte, aquela que ele não busca, não provoca!? É o medo pela morte natural e o enfrentar os fantasmas que o passado se encarrega de trazer!?
Roy encontra em Rocky a forma de remediar o que não conseguiu até agora, mas será bem sucedido?

Ao ser adaptado para filme será provavelmente muito semelhante à densidade de True Detective, aliás, pelo que consta o realizador será o mesmo. Se explorar muito bem a caracterização dos personagens, com uma banda sonora forte e a fotografia a seguir o mesmo caminho é bem provável que se consiga um bom filme ou até uma boa série.
As cenas de motel, a prostituição e até alguns cenas de violência poderão torná-lo não tolerável para muitos, como certos episódios de True Detective também o são. E o toque "noir" de que a crítica fala é, em geral, como o que de melhor teve True Detective... que já ganhava uma segunda temporada.

Resta ainda referir a escrita escorreita de Pizzolatto e a criação de cenários com frases brilhantes, mesmo que sucintas. Sem esquecer o elenco musical que vai sendo referido ao longo de todo o livro.

Deixo apenas esta cover do clássico "Galveston" de Jimmy Webb que tem tudo o que o livro contêm.


Uma leitura com o apoio Editorial Presença, vejam mais do livro e da editora, aqui.
Leiam os primeiros capítulos aqui.


1 comentário :

Matheus Ximenes disse...

Onde posso adquirir esse livro e traduzido em português Brasileiro ?