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segunda-feira, 7 de março de 2016

A hora solene - Nuno Nepomuceno - Opinião

Já há algum tempo que esperava para ver o que o Nuno tinha para nos oferecer no fim desta demanda.
Em conversas com o autor e com o mistério por resolver dos estranhos envelopes que fomos recebendo (desde já digo que foi uma campanha de marketing muito bem conseguida), antes da apresentação do ultimo volume, a minha ânsia pelo fim do mistério adensou-se.
Depois ainda ficou mais aguçada quando a capa prometia um banho de sangue, perguntei logo ao Nuno se iria ser uma BLOOD RAVE estilo Blade, o que me respondeu que iria haver sangue...
E sangue houve, disso não se podem escapar!

Quanto ao livro em si, o Nuno não desilude. Uma escrita cuidada e cheia de detalhes, gosto muito de ler certas partes e conseguir ser transportado para cidades que já visitei, quase como um roteiro. Interessante é também o contrário, pensar que quando lá voltar conseguirei reconhecer os locais de certos episódios.


Os detalhes a que faço referência, indicam o cuidado e a pesquisa que o Nuno faz para tornar o enredo mais real, o para mim é  um dos pontos altos do livro, já o referi nas outras opiniões. Julgo que o realismo que ele consegue trazer para a acção, acabam por colocar o leitor na pele do nosso espião.

Neste «A hora solene», o autor consegue finalizar uma história de espionagem muito bem engendrada, por muitas vezes com voltas e reviravoltas de que não estamos à espera, outras que até descobrimos e tudo torna a narrativa mais empolgante e fácil de absorver, Chega a ser compulsivo.

A parte mais violenta consegue dar uma dose certa de malvadez e tornam o enredo mais próximo do que eu idealizo da realidade do mundo da espionagem, onde os bons nem sempre podem ser totalmente bons ou os vilões serem cada vez mais duros, mas não me pretendo alargar mais para não dar pista alguma.

Fico a aguardar futuras sagas e personagens criadas pelo autor. Obrigada Nuno!


Para saber mais sobre o livro e o autor Aqui.




sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

A eterna demanda - Pearl S. Buck - Opinião

Confesso que nada sabia de Pearl Buck, mas quando o livro veio parar-me às mãos, adorei logo a sua parte gráfica, as edições que tenho lido da Elsinore primam todas por este aspecto, adoro as suas capas e logo por esse motivo decidi que o iria ler.

Após a leitura deste «A Eterna Demanda» fiquei com muita curiosidade de ler mais livros da autora, ainda não aconteceu, mas acontecerá, já que tenho sempre a sensação que este tipo de manuscritos misteriosos que aparecem décadas depois da morte do autor me deixam sempre com a pulga atrás da orelha, mas deixando esses pormenores de lado, agarrei no livro e devorei-o.

Buck leva-nos a conhecer a vida de Rann (Randolph) desde tenra idade, ou melhor desde ainda estar dentro do ventre da sua mãe, acompanhando o seu crescimento entre escolas, até se tornar um adulto.
Rann desde cedo mostra um intelecto magnifico e Buck consegue descrever este intelecto, esta evolução e esta transição entre idades com uma capacidade descritiva magnifica que nos consegue transmitir mesmo alguma sensibilidade e nos apega aquela personagem.

A personagem que Pearl Buck traz até ao leitor é intensa e desperta diversas emoções.
Não vou contar mais sobre a história pois não quero desvendar partes que são deliciosas de ler, mas posso deixar algumas pistas sem estragar a leitura. Pearl relata-nos viagens entre a América e a Europa, brinda-nos com o descobrimento da sexualidade e a natural confusão do nosso personagem enquanto evoluí nas diversas fases da vida e nas relações mais importantes de amizade, amor e também nos valores como a lealdade e a sua importância no decurso da vida.

Tudo isto junto faz que este seja um daqueles livros que nos leva a criar todo um mundo para as vivências do personagem e ainda assim manter a simplicidade que a autora traz até nós com a sua escrita fluída.

Uma leitura com o apoio:

terça-feira, 17 de novembro de 2015

«Se Isto é Uma Mulher» de Sarah Helm - Opinião

Muito tenho lido sobre a segunda guerra mundial e é impressionante o quanto eu tenho a noção que sei tão pouco sobre muitos dos seus acontecimentos.
Quando penso que já li de tudo um pouco, de vez em quando e agora ultimamente tem sido mais recorrente surgir algures um novo livro ou filme que explora um outro lado que eu desconhecia.

Desta vez fui arrebatado por este relato de Sarah Helm, sobre Ravensbrück, um campo de concentração só para mulheres, que foi dos primeiros a ser construído e dos últimos a encerrar portas.

Antes de mais, é importante reforçar uma pergunta: como é que se sabe tão pouco deste campo? e como é que só agora se fala nele? Apesar do final da guerra e dos julgamentos, a cortina de ferro que dividiu o lado ocidental do oriental, isolou por completo os acontecimentos de Ravensbrück, Tornou-se um marco de resistência comunista que dificultou a passagem de testemunhos sobre as atrocidades cometidas ao longo de tantos anos.

Entramos neste livro como se fosse no próprio campo, ainda antes de este estar construído, assistimos à sua edificação e a autora explica os motivos que levaram ao seu surgimento, onde, como e por quem. Ravensbrück, aberto em 1939 e apenas a 80 km de Berlim, foi implementado num cenário quase bucólico na costa báltica, mas de poesia e beleza natural teve muito pouco nos anos que se seguiram.

Assistimos ao treino das mais brutais carcereiras, os seus pensamentos são revelados e os seus actos explicados. O relato e a narrativa de Helm são vívidos o suficiente para nos espantar com tal desumanidade gritante. Os relatos reais seguem-se uns aos outros, uns de prisioneiras, ouros de escravas e até de guardas, revelando detalhes dos dias dentro do campo. 
Relatos de prisioneiras que foram submetidas a abortos forçados, esterilização, prostituição forçada, trabalho escravo, mulheres-cobaias para as mais diversas experiências, todas elas cruéis e desumanizantes. 
Helm afirma que Ravensbrück foi a capital do crime contra as mulheres à semelhança de Auschwitz contra os judeus.

Os relatos são impressionantes, alguns foram escritos muitos anos depois da libertação,mas outros, ardilosamente escondidos no campo para mais tarde serem encontrados. Todos eles têm como fio condutor: tortura, fome, desespero, humilhação, mas também coragem, bondade e fé.
A crueldade de alguns relatos, como alguns de Selma van der Perre, colocara Sarah Helm a chorar, tal como a autora afirma, quando descrevem como se deixavam morrer bebés e crianças.

Todo o livro é um compêndio de credos e apelos a cada deus, já que neste campo não existiam só judias. Eram de todas as raças e religiões, cometedoras de pequenos delitos ou apenas por acreditarem num deus errado. Bastava também ser da oposição.
Os relatos referentes às testemunhas de jeová são também curiosos. Sendo estas muitas vezes punidas e torturadas por se recusarem a participar em qualquer esforço de guerra, conseguindo escudar-se na sua crença, encontrando nas rezas a força para suportar o fardo de estarem encarceradas e serem torturadas. A dinâmica que as mulheres jeová acabam por estabelecer fortalecia os actos de outras, negando a participarem em certas actividades.

"Ignorar Ravensbrück não é só ignorar a história dos campos de concentração, é também ignorar a história das mulheres", afirma Sarah Helm.

Para quem gosta do tema é mais um excelente livro para se conhecer os meandros de uma ideologia de uma guerra, mas lembrem-se que este é um livro pesado, não só pelo tamanho, mas pelo conteúdo. Por Ravensbrück passaram mais de 130 mil mulheres das quais se estima que, entre 30 a 50 mil, nunca chegaram a sair.

Ler mais sobre o livro aqui.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

«A menina que engoliu uma nuvem do tamanho da torre Eiffel» de Romain Puértolas - Opinião



Depois de ter ficado altamente convencido com a escrita de Romain Puértolas desde a leitura de «A incrível viagem do faquir que ficou fechado num armário Ikea» sabia que, havendo novo livro, teria de o ler e confirma-se: o universo que o autor cria com a sua linguagem e enredo é único e de um imaginário surpreendente.

*

Se por alguma razão, um dia uma noite ou até mesmo uma tarde, se depararem com alguém a usar uns calções de banho ou um biquíni (nomeadamente se forem de estampado florido) e se esse alguém tiver um brilho nos olhos como uma estrela florescente, made in china, daquelas feitas por pequenos chineses vestidos de fatos macacos laranja, que trabalham para gurus espirituais senegaleses, que tem como mestres, monges tibetanos dedicados à confecção de roupa feita de queijo, e que ouvem Júlio Iglesias em mandarim, não pensem que esta pessoa é louca, apenas acreditem que pode estar numa missão.

Uma missão importantíssima para salvar uma criança, um adulto ou um povo ou até uma nação, querendo devolver a inocência, a crença ou a esperança a este mundo... Uma só pessoa pode levar consigo uma missão enorme, conseguir um mundo onde, nem que por uns segundos, se consiga viver em paz.

Imaginem agora uma pessoa com seis dedos no pé direito ou no esquerdo, dependendo do lado que se vê, por amor pode mover até a lei mais básica do universo para retirar a nuvem feita de compota de morango do tamanho da torre Eiffel dos pulmões de uma criança inocente.

Parece uma opinião um bocado louca e non sense!? Sim parece, mas não é e nem sequer perdi o juízo ao ler um livro com tal título, apenas decidi escrever um pequeno texto que faça justiça a todo o universo que Puértolas cria. O autor traz até nós a vida de uma carteira que decide levar a cabo a maior odisseia deste mundo, a tal missão. ;)

Este é um livro que nos leva a dar gargalhadas e a ver com um sorriso rasgado muitas situações que nos rodeiam, apesar de negativas, mas que podemos olhar com outros olhos. Leva-nos também a passar por loucos, quando no comboio (como eu gostava que tivesse sido num avião... seria brilhante para o contexto) desatarmos a rir, com relatos e detalhes hilariantes, para depois no fim, nos mostrar uma grande lição de vida e quase meter a lágrima no olho... só não aconteceu, porque eu sou forte (!!!) e ainda estava no comboio.

Amei e recomendo!!!

Clique na imagem e saiba mais informações do livro e leia as primeiras páginas.


quinta-feira, 3 de setembro de 2015

A Sombra Sobre Lisboa - Vários autores - Opinião

Achei este livro na feira do livro e o lettering a vermelho com a palavra Lisboa fez-me querer agarrá-lo. Não resisti, comprei e comecei logo a lê-lo.
Depois de ler duas ou três coisas directamente da capa, nomeadamente "contos Lovecrafteanos", "David Soares" e claro Lisboa, sabia que seria para mim, tal como já anteriormente li, e gostei bastante, de outra colectânea do género da SDE - «Lisboa no ano 2000», cujo a opinião divide em três partes e podem ler aqui.

Foi uma bela compra e uma boa leitura. Pois não basta ser um livro inspirado em Howard Phillips Lovecraft, considerado o maior escritor de terror fantástico de sempre, ainda tem o bónus de tentarem recriar os seus mundos e universos paralelos na nossa bela Lisboa.

Esta colectânea está muito bem conseguida, tem uma boa escolha de escritores, alguns totalmente novos para mim, outros já com o nome vincado no meu imaginário como o David Soares, de quem sou fã e as histórias que conseguem fazer-me viajar por uma Lisboa mais negra, mais sombria, uma cidade tenebrosa criando um universo que me agrada muito a nível de leitura.

Somos brindados com criaturas fantásticas, cultos a roçarem o satanismo, pessoas com poderes sobrenaturais, bruxas, assassinos, artefactos e intrigas lovecraftianas, é com estes ingredientes que somos convidados para um passeio numa Lisboa milenar, revelando assim os seus segredos mais obscuros.

Nota: Nunca se esqueçam que todos estes elementos estão a conspirar para que a sombra que paira na nossa bela cidade possa cobrir tudo e todos na escuridão!!!

Com todos estes pormenores temos uma obra peculiar e tenebrosa, mas ao mesmo tempo chega a ser tanto divertida, como perturbadora. Como resultado final, julgo ser um verdadeiro tributo, não só a Lovecraft, mas também à cidade de Lisboa.


A antologia abre com «O Primogénito» que considero bastante adequada para nos encaminhar em toda a viagem. Gostei da escrita de Rogério Ribeiro, apesar de pensar que o conto podia, ou ser maior, para poder explanar mais sobre o universo do livro e explicar mais sobre personagens e o enredo da historia, ou ser mais pequeno, deixando o leitor completamente na sombra...enquadrava-se com na essência da colectânea.

O segundo conto, «O vale de Sombras» de Safaa Dib, apesar de bem escrito é demasiado confuso, e não percebi bem a importância de certas personagens que quase não contribuem em nada para a história.
Para terceiro somos brindados com, «Aquele que repousa na eternidade» de Luís Filipe Silva, um autêntico livro dentro do próprio livro, brinda-nos com verdadeiros imaginários dignos do reino dos sonhos (ou pesadelos!!!), cenas cobertas de sangue são o elemento apropriado para adensar a escuridão de todo o manto que cobre a cidade. Só por si, este conto, daria um livro independente.

«Um dia no cárcere» de João Henrique Pinto foi difícil de digerir, começa muito bem, leva-nos ao pormenor de uma sala de tortura, gosto do detalhe, mas vai perdendo o interesse no decorrer da acção.
Já «O elefante e o cavalo» de David Soares é para mim o melhor. David Soares traz-nos a estranheza e o sórdido, num conto muito bem escrito, como é habitual neste autor, numa escrita que me dá muito gosto e desafio ao ler.
Aqui podemos ler sobre uns seres do mais arrepiante que podemos imaginar, os Miri Nigri, criaturas horríveis que nascem de uma mistura de dejectos, sangue e sémen, criaturas que nascem desdentadas e logo procuram cacos de vidro e pedaços de madeira e pregos cravados nas gengivas para fazer de dentes, uma boa personagem para um filme de terror.
Amei esta.


Na sequência segue-se « As sombras sobre Lisboa» de João Seixas, outro grande conto! Adorei a forma como caracteriza as personagens, usando Eça de Queirós como personagem principal, juntando voodoo, zombies assassinos e uma boa dose de traição e muito mistério e mais não digo.

Quero ainda destacar «Arroz de Abominação» por ser simplesmente delicioso, para mim um conto obrigatório, mesmo que solto da colectânea, pelo conteúdo alimentício e por espelhar totalmente o espírito "TUGA"

Por fim, quero referir «As Confissões» por ter uma atmosfera diferente dentro de todo o ambiente aqui criado, trazendo a cultura lovecraftiana, sem ser um conto de terror.

Já me alarguei muito nesta critica, mas para finalizar vou reforçar que para quem gosta deste género e não é um super entendido na temática, esta é uma boa escolha. Acredito ainda que sintamos necessidade de pesquisar por imagem de monstros e criaturas estranhas para compor e criar melhor os cenários na nossa cabeça, se bem que o livro tem algumas ilustrações.

Recomendo vivamente.
Ler mais sobre o livro aqui




terça-feira, 1 de setembro de 2015

Diário de Guantánamo - Mohamedou Quild Slahi



Desde que soube da saída deste livro que tinha um enorme desejo de o ler, além de ser quase um viciado em livros sobre a segunda guerra mundial, adoro ler sobre a temática da guerra em geral, ainda por cima contada na primeira pessoa.

Gosto de tentar perceber se o que aconteceu no passado se pode repetir e tentar estabelecer comparações entre as épocas, perceber se o povo, com mais ou menos manipulação aceitará tudo o que lhe é dito, e se fará tudo para manter o seu nível de vida, independentemente de ter de eliminar, encarcerar ou fazer desaparecer todos aqueles que por alguma ideia diferente possam meter em risco as suas vidas.

No fim desta leitura penso que tudo seria possível hoje outra vez, em qualquer lado do mundo, bastando para isso haver algum pequeno rastilho, que seja alimentado por uma nação, religião ou etnia....

«Diário de Guantánamo» mostra-nos como o suposto país mais democrático do mundo, pode e faz o que quer, com supostos terroristas, um povo que tenta ser o policia do mundo não hesita em usar e abusar do poder para obter aquilo que quer.

É difícil falar de um livro destes sem colocar os nossos ideais na critica, por isso vou tentar não me alargar muito sobre os meus pensamentos e falar mais sobre o livro em si.

Este relato verídico revela os acontecimentos vividos na prisão por Mohamedou Ould Slahi. Contada na primeira pessoa, Mohamedou narra uma viajem de mais de uma década de cativeiro, entre episódios de brutalidade, tortura, humilhação e total perda dos seus direitos, entre as prisões da Mauritânia até chegar a Cuba.

Uma história de terror onde Mohamedou se encontra detido sem qualquer acusação formal por parte dos seus carcereiros e as alegadas provas, até agora, só mostram que conhecia alguns elementos indiciados aos atentados do 11 de Setembro de 2012. Preso desde 2002 (Guantánamo, Cuba), a sua libertação foi declarada em 2010, sendo ilibado de acusações e mesmo assim o governo dos Estados Unidos mantêm-o preso até hoje. 

Este manuscrito será um dia, quem sabe, uma obra de leitura obrigatória como sendo um manual das atrocidades cometidas em pleno século XXI. Mostrando que a tortura e humilhação não regrediu com o avançar de tudo o que supostamente nos torna numa sociedade melhor e mais humana. No entanto, o livro de Mohamedou Quild Slahi já é obrigatório por ser um relato do cativeiro enquanto ainda está preso.

Gostei da estrutura geral da narrativa, da maneira simples como é escrito, a nota negativa vai mesmo para os cortes, a censura que não deixa toda a verdade sair a público, aqueles borrões de tinta negra deixam muito por saber tornando muitas vezes a leitura cansativa. Quem sabe um dia o poderei ler sem cortes.

Nota: em cima disse que não me ia alargar nas opiniões, mas tenho de deixar aqui a minha:

Não sou a favor da tortura e das prisões como são descritas neste livro, mas abomino o terrorismo como arma de matar inocentes só para fazer passar um ideal... quero com isto dizer que as verdades podem ser muitas.

Uma leitura com o apoio:  

terça-feira, 14 de julho de 2015

«Zoo» de James Patterson - Opinião

Sempre que leio um livro do James Patterson fico com a mesma sensação, este homem descobriu a "pólvora", todos os livros que li dele até hoje são autênticos vícios. Assim que se pega tem de se ler até ao fim!

Neste caso específico há mais um extra, a recente adaptação para uma série televisiva, a estrear em breve. Por isso, quis ler o mais rápido possível para depois poder ir ver e comparar... é verdade não resisto.

Gostei muito que a dupla de autores tenha fugido aos temas habituais e entrar noutra área, desta vez temos uma emocionante história sobre alguns dos problemas que mais preocupam a sociedade, a poluição.

Sem ir em linha recta e revelar mais do que devo, posso apenas dizer que a história leva-me a pensar sobre algumas causas e efeitos de acções, que nós humanos fazemos em sociedade e que podem alterar drasticamente o ambiente que nos rodeia.

O enredo mostra-nos como o Homem se pode, eu diria "é" o grande inimigo de todas as outras espécies e a questão que o livro levanta é: "E o que aconteceria se essas espécies, de um momento para o outro, decidissem que o Homem era o alvo a abater?"...
Instalar-se-ia o pânico? A raça humana iria sobreviver? São estas as situações de limite que encontramos no livro.


Instalar-se o caos pelo ataque dos animais! É este o mote para a história que vai ter como protagonista o jovem biólogo OZ, que passa de um mero bloguer, onde explora uma teoria da conspiração, para ser o centro das atenções e estar no centro da acção, como a possível salvação da raça humana.

e mais não digo... só digo que já comecei a ver a série e que trocaram o enredo, não no seu essencial, mas tem diferenças de peso. Leiam e vejam.



Uma leitura com o apoio:
Para saber mais sobre o livro visitem o site da editora aqui... e para verem informação da série televisiva, passem pelo imdb.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

«Lorde» - João Gilberto Noll - Opinião

Acumpliciando-me de «Lorde» de João Gilberto Noll que foi uma leitura intrigante, já que me deixou com algumas perguntas:
Isto é uma autobiografia?
Foi tudo real?
São simplesmente delírios do autor?
Divagações na busca de auto-conhecimento?

Depois de procurar alguma informação sobre o autor podemos enquadrar este livro numa (pseudo) autobiografia, sendo também um romance "Lorde", reflexo da experiência vivida pelo autor em Inglaterra, onde foi escritor-residente do King's College (Londres, 2004).

Entrando no livro somos levados a conhecer uma personagem que vive no Brasil e é convidada para ir a Londres por um estranho que pouco lhe explica sobre o motivo da sua ida.
Aliciado por uma residência e um pouco de dinheiro para viver, a nossa personagem passa a viver assim em Londres, por onde vagueia e divaga. Passando a maior parte do tempo a andar pelas ruas e a visitar museus gratuitos.

Sem ter muito a que se dedicar, dá por si em delírios, alarmado, pensa que vai ser repatriado ou que passará o resto da sua vida numa prisão inglesa. Isto sem motivo aparente, pois não há nada que revele ao leitor que indicie algo de errado, relevando assim alguma paranóia.

Neste «Lorde» vamos descobrindo uma personagem que deixa de saber quem é e que tenta trocar a sua maneira de ser. Um homem que tem problemas com a sua imagem e que o leva a ter atitude estranhas e até a duvidar de tudo e de todos, inclusive do seu cicerone.

"Não precisava mais dos espelhos dos banheiros públicos, nem do meu próprio em casa, eu era Apis, poderia andar a pé por toda Londres se assim me apetecesse...."

Durante o decorrer dos seus passeios encontra-se com as mais variadas personagens, algumas que lhe despertam os sentidos sexuais a única coisa que ainda o faz pensar que está vivo.

"Um tesão queria despertar, eu sentia, era um fluido que passava por toda a coluna vertebral e quando chegava na parte inferior se acumpliciava com meu pau e o deixava sufocar na posição de bruços..."

Julgo que o livro está recheado de metáforas e interpretações da vida, na busca pela própria identidade, perante um homem, que se sente um personagem invisível, cada vez mais a desaparecer como se ninguém o visse ou lhe ligasse.

"Mantive-me mudo a refeição inteira. Qualquer anseio de palavra que vinha até a garganta se esfarinhava ao menor esboço da língua. O meu verbo perturbaria. Agora só faltava ficar invisível...."


Aconselho a todos aqueles que gostam de ler coisas diferentes, mais introspectivas... estranhas até!


Uma leitura com o apoio:


Ver mais sobre a editora Aqui



quarta-feira, 24 de junho de 2015

«SAMARCANDA» de Amin Maalouf - Opinião

Nada melhor que um bom livro para entendermos algumas questões sobre o mundo árabe.

Sanarcanda leva-nos a uma viagem a terra das mil e uma noites, leva-nos a embarcar na rota da seda, e a entranharmo-nos no coração da civilização persa, uma civilização que devido ao fanatismo religioso entra em declínio.

Neste livro podemos encontrar histórias de como tornar um adulto em filho, e irmão das nossas filhas, fazendo que ele as respeite e possa conviver com elas como irmão.

"os seus ombros estavam nus, bem como os seus seios. Pela palavra e pelo gesto, convidou-me a mamar. As duas raparigas riam à socapa, mas a mãe exprimia a serenidade dos sacrifícios rituais. Pousando os meus lábios, o mais pudicamente possível , num bico de seio, e, em  seguida, no outro, obedeci-lhe. Ela cobriu-se então, sem pressas, dizendo no mais solene dos tons:
- Com este gesto, tornaste-te meu filho, como se tivesses nascido da minha carne."

Aprender "novas" medidas, as medidas de um povo e perceber os seus costumes

"- Temos de esquecer -dizia-me- os litros, os quilos, as onças e as pintas. Aqui fala-se de djaw, de miskal, de syr e de kharvar, que é a carga de um burro.
Ele tentava instruir-me:
- A unidade de base é o djaw, que é um grão de cevada de grossura média que conserva a sua película...."

Podemos ver que agora ou antigamente, na Europa, na Ásia ou em qualquer outro lado do mundo, todos nós pensamos em férias e ócio, sejamos cristãos, muçulmanos ou ateus.

"aos primeiros calores, Zarganda animava-se. Os estranjeiros e os persas mais ricos possuíam ali sumptuosas residencias, aí se instalando para longos meses de perguiça..."

Podemos aprender ditados, histórias e lendas deste canto do mundo:

"Não conheces a história do burro  falante de Mulá Masruddine?
.....
no espaço de um ano o rei pode morrer. o burro pode morrer, ou então posso eu morrer»"


Com este livro podemos viver em duas épocas totalmente distintas, no século XX onde podemos assistir ao declínio da Pérsia, usada e abusada pelos países considerados evoluídos, e um povo em luta tanto a nível religioso como ideológico, e ainda ver uma civilização entre os séculos XI e XII onde o poeta Omar vive, um poeta "iluminado", um génio da literatura, além de matemático e filosofo tem de viver, ora amado por Xás e pelo povo, ora considerado maldito por outros.

Um génio da poesia que compila durante a sua vida os seus poemas no livro «Robaiyat», o livro que desencadeia toda o romance em Samarcanda.

Adorei esta leitura e agora estou a pensar em arranjar o «Robaiyat» só para poder ter um gosto das poesias de Omar.

Uma leitura com o apoio:

segunda-feira, 1 de junho de 2015

«O Espião Português» e «A Espia do Oriente» - Opinião conjunta


A equipa andou toda a ler os livros do Nuno Nepomuceno. Enquanto eu tomava conhecimento da história do Espião, lendo o primeiro volume, já a Elsa e o Paulo queriam descobrir o mistério da Espia do Oriente.

Sendo assim, faz-me sentido que aqui encontrem duas breves opiniões a ambos os livros, uma vez que agora já estão os dois à disponibilidade do grande público.

*

«O Espião Português» - Opinião por Efeitocris

Somos assaltados de imediato pela acção logo na primeira página. Freelancer, o nosso espião ou André, o homem romântico e clássico está em fuga e em mais uma missão. Há desde cedo uma caracterização do homem e do enredo que vamos perseguir ao longo de quase 400 páginas. Esperam-nos momentos de acção, de espionagem, alguma parte turística e claro, romance ou não fosse o nosso personagem um romântico, um homem clássico e de valores. Pelo menos a mim deixou-me com essa sensação, Nuno Nepomuceno cria um livro com os toques de um policial clássico e com requintes cinematográficos.

Considero que o livro está bastante equilibrado, entre momentos de tensão, para descobrirmos mais um detalhe que componha a história e momentos que caracterizam o espaço e os personagens que engrossam o enredo, deixando algumas "pontas soltas" para nos entusiasmar para a continuação da história.

Julgo até que alguns acontecimentos e desenlaces que adivinhamos ou suspeitamos, até nisso, tem o toque dos clássicos, o que torna o trabalho do autor ao nível dos livros do género internacionais.

"Os primeiros sinais foram vistos no céu. O azul, que se havia mantido pálido e frio durante todo o dia, rasgou-se e nuvens pesadas, negras, carregadas de tensão cobriram-no por completo. Turvo, impenetrável como sempre, o Danúbio tremeu de antecipação com as águas escuras a agitarem-se rapidamente. E, como uma redução de andamento numa partitura épica antes da apoteose final, a temperatura caiu, desamparada, vários graus numa só hora."

Quem gosta do género vai querer ler este e o seguinte e o outro ainda.

*

«A Espia do Oriente» - Opinião por Caracol Literário


No seguimento do anterior, lido até recentemente aquando do lançamento na TopBooks, seriam incapaz de não começar logo a ler este segundo volume.
O livro continua com a mesma força e entusiasmo do primeiro e o mistério adensa-se e é intrigante.

Este, é um daqueles que temos de ler bem rápido, queremos chegar ao fim e ver se a história bate certo com o que vamos criando na nossa cabeça, aliás ter o desejo de desvendar o mistério é para mim o segredo do sucesso destes livros.

Nuno Nepomuceno consegue pela segunda vez manter o leitor agarrado a história, com personagens muito bem construídas e tal como referi no primeiro, é fácil acreditar que estas personagens podiam ser reais.

Quanto à história não vou dizer muito mais, pois iria dar pistas e estas iriam, provavelmente, estragar o prazer de descobrir o que vai na mente do autor. Mesmo assim posso dizer que os ingredientes são comuns entre livros, com paixões, amores e desamores, com muitas voltas e reviravoltas e claro, mulheres bonitas, pelo menos assim os imaginamos.
O livro leva-nos a acreditar que já sabemos o que vai acontecer,mas... duas páginas a seguir já estamos de novo enrolados e desconfiados de que a solução possa estar noutro lado.

Gostei bastante desta nova leitura e ao contrário de algumas pessoas com quem já tive o prazer de discutir o livro, até gostei do fim, claro está que a minha mente já está a pensar no que ai vem no terceiro.
Espero que o Nuno me consiga surpreender.


Obrigada Nuno pelos momentos de leitura.
Acompanhem o Nuno Nepomuceno aqui: http://www.nunonepomuceno.com/

terça-feira, 21 de abril de 2015

O espião Português - Nuno Nepomuceno - Topbooks

«O Espião Português» é um daqueles livros que se agarra e depois já só se larga quando a história "acaba"! O melhor aqui é que nem acaba... vai continuar e já estamos a aguardar o 2º volume.

Vou fazer uma comparação que muitas vezes não é bem vista mas ai vai: se a capa fosse mais escura e em vez de dizer só Nuno Nepomuceno dissesse James Patterson com co-autoria com Nuno Nepomuceno iria certamente ser um livro para estar no Top de Vendas Internacional.

Todas as crianças um dia imaginaram ser um James Bond, um super espião, atlético, bonito, inteligente, mas esta visão vai-se desvanecendo conforme os anos passam, ficando com a ideia de que em Portugal não poderia existir um espião deste calibre. Porém, Nuno Nepomuceno consegue brilhantemente criar uma personagem que nos leva ao tempo dos sonhos e faz acreditar “Afinal pode haver O espião português”.

A personagem principal está muito bem construída, às vezes até pode parecer perfeita demais, mas logo em seguida volta a ser meramente humana, quando nos deparamos com pés inchados e uma má escolha de sapatos, um espião que quase perde uma missão porque transpira... sim português que é português se corre, transpira e é nestes pequenos pormenores que a personagem se torna credível.

André, o nosso espião podia mesmo ser qualquer um de nós, podia até ser eu, tinha era de perder um bocado de barriga, crescer uns centímetros, ter uma conta bancária um bocadinho maior e mais uns quantos atributos, mas podia ser eu! Desta forma, facilmente saltamos para dentro do livro e fantasiamos ser a personagem, perdemo-nos a pensar como vou salvar a situação, e agora o que eu faria?..

Só falei da personagem principal mas todas as outras que rodeiam o André estão bem conseguidas e facilmente conseguimos identificar algum dos nossos amigos em alguma delas, amigos com amores perdidos, amigos de escola, pseudo amigos... o que torna todo o enredo mais hilariante.

Quanto ao enredo o Nuno leva-nos a visitar algumas das mais importantes cidades da Europa como Estocolmo, Roma, Viena, Londres e a nossa bela Lisboa, onde o nosso espião tem de se arriscar para cumprir as suas ordens tanto a nível dos negócios estrangeiros, com as suas missões ao serviço da Cadmo (a agência de espionagem para quem trabalha), entre recuperar escritos antigos e proteger companheiros, somos brindados com traições, emoções, amores e desamores e muito mistério e adrenalina, tudo numa história que vai continuar no próximo voluma da saga que estou em pulgas por ler….


Em breve: Trilogia Freelancer :: 2º Volume "A Espia do Oriente"



sexta-feira, 27 de março de 2015

"Deuses de dois mundos - O livro do silêncio" :: Opinião


O que acontece quando dois mundos se cruzam?
O nosso Mundo e o mundo dos Deuses?
O livro de PJ Pereira leva-nos a entrar nestes dois mundo mostrando-nos as crenças de povos antigos, religiões trazidas para o Brasil e para a Europa a partir das terras africanas. Crenças onde existem deuses que ajudam os adivinhos a obter respostas para a nossa sociedade, num paralelismo entre o actual e um mundo fantástico.
Toda a acção se desenrola em volta destes adivinhos anciãos que de um momento para o outro deixam de ter os seus poderes, e por isso são chamados a encontrar um grupo de guerreiros que possa libertar os nossos deuses.
O autor traz um leque variado de personagens todas elas bem construídas que partem em busca dos novos guerreiros, tudo isto transitando entre os dois mundos, onde do nosso lado somos confrontados com um jornalista a braços com uma história importantíssima.
Adorei tudo no livro!
Aviso desde já que para quem gosta de comida este pode ser um livro a consumir com cuidado, pois somos constantemente brindados com referencias a pratos e iguarias que provavelmente queríamos experimentar.
Fico a aguardar o lançamento do segundo volume.


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